Mauro Vila Real retorna a FW e busca fortalecer conexão com suas origens
Reconhecido por trabalhos para autoridades, clubes e editoras internacionais, artista retornou à cidade natal e projeta deixar uma obra na Arena do União Frederiquense
Resumo
- Mauro Vila Real nasceu em Frederico Westphalen e visitou o município para reencontrar amigos e revisitar locais da juventude.
- Morou em Frederico durante a adolescência, estudou no Colégio Cardeal Roncalli e teve o primeiro emprego na cidade.
- Recebeu em Frederico seu primeiro trabalho remunerado como artista, aos 17 anos, desenhando a Catedral Santo Antônio.
- Atua profissionalmente nas artes visuais há décadas.
- Já realizou trabalhos para Marvel, DC Comics e Disney.
- Participou de atividades artísticas no Museu do Louvre, em Paris.
- Desenvolveu obras para clubes e personalidades do futebol, incluindo Grêmio, Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Barcelona, Luis Suárez e Renato Portaluppi.
- Trabalhou oficialmente com o personagem Zé Carioca, da Disney.
- Visitou a Arena do União Frederiquense durante a passagem pela cidade.
- Avalia desenvolver um projeto artístico relacionado ao União Frederiquense.
- Destacou a importância do patrimônio cultural de Frederico Westphalen.
- Defendeu a profissionalização da carreira artística.
- Manifestou interesse em manter projetos e maior proximidade com Frederico Westphalen.
Após construir uma carreira nas artes visuais, com trabalhos realizados para editoras internacionais, clubes de futebol, museus e personalidades, o artista plástico Mauro Vila Real retornou a Frederico Westphalen para uma visita marcada pelo reencontro com amigos, lembranças da juventude e pelo desejo de fortalecer os vínculos com a cidade onde nasceu.
Natural de Frederico Westphalen, Mauro esteve no município nos últimos dias, conciliando compromissos profissionais na região com uma agenda voltada à reconexão com suas origens. Em entrevista ao AU, o artista relatou que reencontrou amigos de longa data, visitou locais que marcaram sua juventude e conheceu a Arena do União Frederiquense.
“Estou em um movimento de me reconectar com as minhas raízes. Rever amigos, revisitar a cidade onde nasci e encontrar novamente pessoas que fizeram parte da minha história. Também quero trazer o meu trabalho para cá e colaborar de alguma forma com a comunidade”, afirmou.
Juventude em Frederico Westphalen
Embora tenha deixado Frederico Westphalen ainda nos primeiros meses de vida, quando a família se mudou para Porto Alegre e, posteriormente, para a Região Metropolitana, Mauro retornou ao município durante a adolescência.
Foi nesse período que viveu uma experiência que considera importante para sua formação pessoal. Morando com a avó, estudou no Colégio Cardeal Roncalli, teve o primeiro emprego e construiu amizades que mantém até hoje.
“Foi uma fase muito importante. Eu estava me descobrindo como pessoa e construindo a minha identidade. Muitas das amizades que fiz naquele período permanecem até hoje”, relembrou.
Durante a visita, o artista percorreu diferentes pontos da cidade e recordou antigos locais de trabalho, histórias da juventude e momentos que contribuíram para sua trajetória.
A arte como forma de expressão
O contato com a arte surgiu ainda na infância. Segundo Mauro, o desenho se tornou uma forma de comunicação em um período em que tinha dificuldades para expressar sentimentos e pensamentos.
“Eu era um menino muito tímido. O desenho e a pintura surgiram como uma maneira de colocar para fora aquilo que eu não conseguia dizer em palavras.”
Com o passar do tempo, o interesse pelas artes visuais transformou-se em profissão. Um dos momentos decisivos ocorreu justamente em Frederico Westphalen.
Na década de 1990, ele recebeu uma encomenda para produzir um desenho da Catedral Santo Antônio durante um evento realizado no município. A experiência marcou sua percepção sobre a possibilidade de viver da arte.
“Eu tinha 17 anos e fui contratado para desenhar a Catedral ao vivo. Foi a primeira vez que recebi por um trabalho artístico. Aquilo me fez pensar que talvez fosse possível construir uma carreira nessa área.”
Reconhecimento nacional e internacional
Ao longo da carreira, Mauro Vila Real ampliou sua atuação e passou a desenvolver trabalhos para empresas e instituições ligadas à cultura e ao entretenimento.
Entre os projetos realizados estão ilustrações para editoras como Marvel, DC Comics e Disney, além de exposições em diferentes países e apresentações de pintura ao vivo em eventos culturais.
Um dos episódios lembrados durante a entrevista foi a participação em atividades realizadas no Museu do Louvre, em Paris.
“Quando eu era jovem, jamais imaginei que um dia estaria dentro do Louvre apresentando meu trabalho. É algo que parecia impossível para aquele garoto que caminhava pelas ruas de Frederico.”
O artista também destacou a presença de obras suas em coleções particulares, museus e espaços culturais, além de trabalhos ligados a personalidades de projeção internacional.
Trabalhos ligados ao futebol
Além da atuação no mercado editorial e em exposições, Mauro Vila Real desenvolveu trabalhos relacionados ao futebol.
Entre eles está a homenagem produzida para o atacante uruguaio Luis Suárez durante sua passagem pelo Grêmio. O encontro ocorreu no Centro de Treinamento Luiz Carvalho, onde o artista apresentou uma obra inspirada na trajetória do jogador.
Outro trabalho citado por Mauro envolve o ex-jogador e treinador Renato Portaluppi. O artista possui obras na residência do ídolo gremista e relata ter construído uma relação de amizade com ele ao longo dos anos.
Além de Suárez e Renato, Mauro já realizou trabalhos para clubes como Grêmio, Corinthians, Flamengo, Palmeiras e Barcelona.
“São pessoas reconhecidas em suas áreas, mas continuam sendo seres humanos. O mais interessante dessas experiências é conhecer as histórias que existem por trás da figura pública”, comentou.
Inspiração nos quadrinhos
Uma das histórias marcantes de sua trajetória está ligada ao personagem Zé Carioca.
Mauro contou que começou a desenhar ao tentar reproduzir a capa de uma revista do personagem na década de 1980. Anos depois, já consolidado profissionalmente, foi convidado pela Disney para trabalhar justamente com o personagem que despertou seu interesse pela arte.
“Foi uma espécie de ciclo que se completou. Comecei copiando aquela capa quando era criança e, décadas depois, fui contratado para desenhar oficialmente o personagem.”
Arena do União desperta novos projetos
Durante a passagem por Frederico Westphalen, Mauro visitou a Arena do União Frederiquense e afirmou ter interesse em desenvolver um projeto artístico inspirado na história do clube, na torcida e na identidade do município.
A ideia surgiu após conhecer imagens históricas registradas durante campanhas do União e observar espaços internos da Arena que poderiam receber intervenções artísticas permanentes.
“Já visitei estádios em vários lugares do mundo, mas entrar em uma estrutura como essa na cidade onde nasci tem um significado diferente.”
O artista informou que pretende aprofundar as conversas para viabilizar uma obra que una arte, esporte e memória no espaço do clube.
Patrimônio cultural e identidade local
Durante a visita, Mauro também comentou sobre elementos do patrimônio cultural de Frederico Westphalen que marcaram sua memória, entre eles a antiga estátua do colono, atualmente localizada no Parque de Exposições Monsenhor Vitor Battistella.
Na avaliação do artista, monumentos e obras de arte contribuem para preservar a identidade das comunidades.
“São símbolos que ajudam a contar a história de uma cidade e das pessoas que construíram esse lugar.”
Ele também destacou a Catedral Santo Antônio e as obras do pintor Aldo Locatelli presentes no interior do templo.
Profissionalismo como caminho
Ao falar sobre a carreira artística, Mauro defendeu que a arte deve ser encarada como profissão.
Segundo ele, o talento precisa estar acompanhado de disciplina, estudo e dedicação.
“Arte é inspiração, mas também é trabalho. É um ofício que exige comprometimento. Quem deseja seguir esse caminho precisa entender que o desenvolvimento acontece com prática e persistência.”
Para os jovens interessados em ingressar no setor cultural, o conselho é investir em qualificação e desenvolvimento profissional.
“É uma área que pode gerar oportunidades e reconhecimento. Mas, acima de tudo, é uma atividade capaz de deixar um legado.”
Planos para o futuro
Ao encerrar a visita, Mauro reforçou o desejo de manter uma relação mais próxima com Frederico Westphalen e desenvolver projetos ligados à arte no município.
“Tenho muito carinho por esta cidade. Quero voltar mais vezes, reencontrar amigos e, quem sabe, deixar aqui alguma contribuição por meio do meu trabalho. Frederico faz parte da minha história e sempre terá um significado especial para mim”, finalizou.
Fonte: Jornal o Alto Uruguai