Maternidade traz novos desafios e muda planos de médica obstetra
Bruna Alberton Getelina vive o primeiro Dia das Mães ao lado do pequeno Gabriel e fala sobre os desafios, medos e amor transformador
A maternidade chegou para Bruna Alberton Getelina em um momento de escolhas. Médica obstetra, acostumada a acompanhar histórias de nascimento diariamente, ela passou muitos anos dedicada à profissão, entre faculdade, residências, mudanças de cidade e especializações. Ter filhos, durante muito tempo, não era uma certeza.
“Eu sempre tive certeza que queria um companheiro para a vida, queria uma carreira profissional, queria viajar. Mas não sabia ao certo se queria filhos”, conta.
Ao lado do marido, Guilherme Antônio Bê, com quem está há 13 anos, a decisão pela maternidade amadureceu com o tempo. Hoje, ela vive o primeiro Dia das Mães com o filho Gabriel Antônio Getelina Bê, de oito meses e meio, e descreve a experiência como uma transformação profunda.
“Quando optamos por ter um filho, decidimos que ele seria prioridade na nossa vida”, afirma.
Começo de uma nova jornada
Antes mesmo da gravidez, Bruna enfrentou os desafios da fase das tentativas para engravidar. Segundo ela, foi um período marcado pela ansiedade e pela expectativa.
“Demoramos um pouco para conseguir, e essa fase é bastante ansiogênica. Quem está nela sabe bem”, relembra.
Quando a gestação finalmente aconteceu, veio também um susto. Um episódio de sangramento provocou uma ameaça de aborto e exigiu afastamento temporário do trabalho. Depois disso, a gravidez seguiu de forma mais tranquila, enquanto a médica reorganizava a rotina profissional para se preparar para a chegada do filho.
Após o nascimento de Gabriel, outro grande desafio surgiu: a amamentação.
“Até consolidar bem essa questão, que é algo que ocorre aos poucos, conforme o neném vai aprendendo a mamar e a gente aprendendo a amamentar, ficávamos muito preocupados”, conta.
Ela destaca o apoio recebido da mãe, da irmã, da doula e de uma consultoria de amamentação como fundamentais nesse processo.
Uma rotina reorganizada pelo amor
Conciliar maternidade e profissão ainda é, segundo Bruna, um aprendizado diário. Ela e o marido decidiram reduzir as horas de trabalho para acompanhar de perto o desenvolvimento do filho neste primeiro ano de vida.
“Nós nos revezamos para cuidar dele, junto com minha mãe. Essa rotina dá bastante trabalho. Mas acreditamos que assim temos mais controle do ambiente que ele está vivendo agora enquanto bebê”, explica.
Sem babá ou creche até o momento, o casal optou por viver intensamente cada descoberta do filho, adaptando a rotina familiar às necessidades da criança. “Queremos ser o mais presentes possível na vida dele”.
Um novo olhar sobre a própria vida
A maternidade também aproximou Bruna de outras mulheres importantes da sua história. Ela conta que passou a compreender melhor a própria mãe e fortaleceu ainda mais os laços com a irmã, que se tornou uma presença constante na vida de Gabriel.
“Como mulher, eu me sinto mais conectada com o ciclo da vida. Me sinto mais próxima da minha própria mãe, e a entendo muito mais”.
Na profissão, a experiência também mudou sua forma de enxergar as pacientes.
“Como obstetra, eu me sinto mais próxima das minhas pacientes. Eu sinto o que elas sentem. Eu conheço o sentimento de medo perante o desconhecido, as sensações da gestação, as loucuras do puerpério e as emoções sem explicação da maternidade”.
Para ela, ser mãe é viver diariamente uma mistura intensa de amor, medo, força e transformação.
“A maternidade traz muitas mudanças na nossa vida. São desafios diários, onde encontramos o maior amor da nossa vida, mas também medos que nunca imaginamos existir”.
Respeitar todas as escolhas
Apesar de estar vivendo plenamente a maternidade, Bruna faz questão de defender que essa não é uma escolha obrigatória para todas as mulheres.
“Agora, depois de ter filho, eu tenho mais certeza do que nunca que a maternidade não é para todas as mulheres”, afirma.
Ela acredita que mulheres que decidem não ter filhos também merecem respeito e reconhecimento.
“A mulher que decide com firmeza sobre não ter filhos acaba recebendo uma pressão social maior, mas na verdade ela é uma pessoa que leva muito a sério a criação de um ser humano”.
Neste primeiro Dia das Mães ao lado do filho, Bruna prefere resumir o sentimento em gratidão, principalmente, às mulheres que vieram antes dela.
“Gostaria de agradecer às nossas mães, avós e tataravós, que transpuseram barreiras e desafios grandes e, muitas vezes, invisíveis para os outros, e nos trouxeram até aqui da melhor forma que conseguiram, com força, coragem e amor”.
Fonte: Jornal o Alto Uruguai