Planalto e Alpestre consolidam Norte gaúcho entre os polos da citricultura
Municípios ocupam a terceira e a quarta posições na produção de laranjas no Rio Grande do Sul e fortalecem a agricultura familiar
Planalto e Alpestre estão entre os quatro maiores produtores de laranja do Rio Grande do Sul, consolidando o Norte gaúcho como uma das principais regiões citrícolas do Estado. Segundo levantamento da Emater/RS-Ascar, os municípios ocupam, respectivamente, a terceira e a quarta posições no ranking estadual de produção. A atividade, desenvolvida principalmente por agricultores familiares, tornou-se uma importante fonte de renda e movimenta uma cadeia que envolve cultivo, comercialização e agroindustrialização.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, a citricultura comercial ocupa mais de 15,4 mil hectares no Rio Grande do Sul e envolve aproximadamente 8 mil produtores. A maior concentração dos pomares está na Metade Norte, onde as condições de clima e solo favorecem o desenvolvimento da cultura.
Na região de abrangência do Jornal O Alto Uruguai, Alpestre e Planalto lideram a produção. Alpestre cultiva 892 hectares de laranjais, com produção estimada em 23.192 toneladas e produtividade média de 26 toneladas por hectare. O município reúne 549 unidades produtivas, o maior número de propriedades dedicadas à cultura na região. Já Planalto possui 750 hectares cultivados, produtividade média de 25 toneladas por hectare e volume estimado de 18.750 toneladas. São 272 unidades produtivas, o que coloca o município entre os principais polos citrícolas gaúchos.
Além deles, municípios como Ametista do Sul, Rodeio Bonito, Iraí, Frederico Westphalen, Novo Tiradentes e Pinheirinho do Vale também integram a cadeia produtiva regional, contribuindo para a diversificação das propriedades rurais e para a geração de renda no campo.
Agricultura familiar impulsiona a atividade
A citricultura regional é marcada pelo predomínio de pequenas propriedades, muitas delas com áreas entre cinco e dez hectares destinadas aos pomares. Segundo a Emater/RS-Ascar, a expansão da atividade está relacionada à organização dos produtores, aos avanços tecnológicos, ao fortalecimento do cooperativismo e ao surgimento de alternativas para o processamento da fruta.
Outra estratégia adotada pelos agricultores é o cultivo de diferentes variedades de laranja, permitindo ampliar o período de colheita e garantir maior regularidade no abastecimento do mercado e da indústria. Apesar do crescimento, a atividade ainda enfrenta desafios, como o aumento dos custos de produção, a escassez de mão de obra, a sucessão familiar e a necessidade de ampliar a diversificação das variedades cultivadas.
Da resistência inicial ao protagonismo na produção
Em Planalto, a trajetória da família Mandebur acompanha o crescimento da própria citricultura no município. Localizada na Linha Sete de Setembro, a propriedade iniciou o primeiro pomar de laranja no começo dos anos 2000, quando Dilceu Mandebur decidiu investir na cultura em uma área que até então era destinada principalmente ao cultivo de grãos.
Na época, a mudança enfrentou resistência dentro da própria família, acostumada a outras atividades agrícolas. Aos poucos, porém, novos pomares foram implantados e a fruticultura passou a integrar a rotina da propriedade. Ao lado da esposa, Ivanilde Coinaski Mandebur, Dilceu ampliou a produção e também investiu no cultivo das uvas Niágara Branca e Isabel.
Hoje, a propriedade possui 11 hectares de laranjais, com variedades como Valência, Iapar, Rubi, Umbigo Monte Parnaso e Valência Late, além de aproximadamente 1,5 hectare de videiras destinadas à produção de uvas.
A terceira geração da família também participa da atividade. O filho Maurício Mandebur, engenheiro agrônomo, atua no acompanhamento técnico dos pomares, no manejo, nas aplicações e no planejamento da produção.
– Meu pai começou a implantação do primeiro pomar nos anos 2000. Depois disso, foram sendo implantados novos pomares aos poucos. Hoje temos uma área consolidada, mas ainda não atingimos o potencial máximo de produção porque os plantios foram realizados em diferentes períodos – explica.
Segundo Maurício, os pomares adultos apresentam produtividade entre 35 e 40 toneladas por hectare, podendo superar esses índices em áreas específicas. No primeiro pomar implantado pela família, que completa cerca de 25 anos, já foram registradas colheitas de até 70 toneladas em um único hectare.
Na última safra, a propriedade colheu aproximadamente 220 toneladas de laranjas. "É uma atividade que exige planejamento, acompanhamento constante e conhecimento técnico. A produção foi construída ao longo dos anos, sempre buscando elevar a qualidade e a produtividade", destaca.
Emater destaca importância econômica e social
Para o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Mateus Stefanello, o desempenho de municípios como Alpestre e Planalto demonstra a consolidação da citricultura como uma importante alternativa econômica para a agricultura familiar.
Segundo ele, além de gerar renda e contribuir para a permanência das famílias no campo, a atividade fortalece o cooperativismo, estimula a agroindustrialização e amplia as oportunidades de agregação de valor à produção.
Stefanello ressalta que a Emater continuará atuando junto aos produtores com assistência técnica, incentivo às boas práticas de manejo e apoio a iniciativas voltadas à sustentabilidade da cadeia produtiva.
Greening acende alerta para os produtores
Se a produção cresce, o avanço do greening (HLB) também preocupa os citricultores gaúchos. Considerada uma das doenças mais severas da citricultura mundial, ela teve os primeiros focos registrados no Rio Grande do Sul, incluindo municípios como Palmitinho e Caiçara, colocando a cadeia produtiva regional em estado de atenção.
A doença não possui cura e pode comprometer significativamente a produtividade dos pomares. O controle depende do monitoramento constante, da eliminação das plantas contaminadas e do manejo rigoroso do inseto transmissor.
Para produtores e entidades do setor, o acompanhamento sanitário será decisivo para garantir a continuidade da citricultura como uma das principais atividades agrícolas do Norte do Estado.
Fonte: Jornal o Alto Uruguai