Defesa Civil mantém alerta para chegada do El Niño nas próximas semanas
Iraí, que possui histórico de enchentes, amplia atenção das autoridades regionais
A possibilidade de formação antecipada do fenômeno climático El Niño nas próximas semanas mantém órgãos meteorológicos e a Defesa Civil em estado de atenção no Rio Grande do Sul. Conforme análise da MetSul Meteorologia, o fenômeno deve ganhar força ainda durante o inverno e provocar aumento significativo das chuvas nos próximos três meses no Sul do Brasil, com risco de temporais, enchentes e elevação de rios. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e, no Rio Grande do Sul, historicamente está associado a períodos de precipitação acima da média.
Ainda é cedo para prever
Na região, a preocupação envolve principalmente municípios localizados às margens do rio Uruguai. Em Iraí, cidade atingida historicamente por enchentes, o monitoramento já foi intensificado pelos órgãos regionais de Defesa Civil. Em 2023, o município voltou a registrar alagamentos e centenas de pessoas afetadas pela elevação do nível do rio.
A 7ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (7ªCREPDEC), sediada em Frederico Westphalen, acompanha boletins meteorológicos, hidrológicos e geológicos emitidos por órgãos estaduais e federais. Em entrevista recente para o Jornal O Alto Uruguai, a coordenadora da regional, capitã Bárbara Dilly, afirmou que ainda não é possível prever os impactos específicos do possível El Niño na região, mas destacou que ações preventivas já estão sendo realizadas junto aos municípios considerados vulneráveis.
Segundo a coordenadora, os trabalhos incluem atualização de planos de contingência, monitoramento de áreas de risco e orientação às administrações municipais para resposta rápida em caso de eventos climáticos extremos.
Chuva pode ficar acima da média histórica
Modelos meteorológicos indicam que o inverno de 2026 deverá registrar volumes de chuva acima da média histórica em Frederico Westphalen e região. Conforme dados climatológicos, a média de precipitação no município é de 161 milímetros em junho, 151 milímetros em julho e 106 milímetros em agosto. As projeções apontam que julho e agosto podem concentrar os maiores acumulados devido à atuação de frentes frias e corredores de umidade associados ao avanço do El Niño. A previsão reforça o estado de atenção principalmente em áreas próximas a rios e locais com histórico de alagamentos e deslizamentos.
Especialistas destacam que previsões sazonais representam tendências climáticas e podem sofrer alterações ao longo das próximas semanas, conforme a evolução das condições oceânicas e atmosféricas.
Fonte: Jornal o Alto Uruguai