Prêmio O Futuro da Terra 2026 reconhece trajetória do professor Dr. Antônio Luís Santi
Pesquisador da UFSM foi selecionado pela FAPERGS na categoria Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas
Resumo
- Professor Antônio Luís Santi receberá o prêmio O Futuro da Terra 2026, na categoria Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas.
- A trajetória reúne mais de 25 anos de atuação em inovação tecnológica, modernização da agricultura e agricultura de precisão.
- As pesquisas aproximam universidade e campo, com estudos aplicados em parceria com produtores, extensionistas e iniciativa privada.
- A premiação será entregue em 31 de agosto, durante a Expointer 2026, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Uma trajetória de mais de duas décadas dedicada à inovação tecnológica, à agricultura de precisão e à aproximação entre pesquisa e produtores rurais será reconhecida na 30ª edição do prêmio O Futuro da Terra. O professor Dr. Antônio Luís Santi, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Frederico Westphalen, foi selecionado pelo Comitê Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) para receber a distinção na categoria Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas.
Realizado pelo Jornal do Comércio em parceria com a FAPERGS, o prêmio O Futuro da Terra reconhece cientistas, pesquisadores, produtores rurais e empresas que contribuem para o desenvolvimento por meio de práticas inovadoras e sustentáveis. Em 2026, a iniciativa chega a sua 30ª edição.
Para Santi, a homenagem representa a consolidação de mais de 25 anos de trabalho em favor da inovação tecnológica e da modernização da agricultura brasileira, especialmente no Sul do país. Nesse período, pesquisas, palestras, dias de campo, entrevistas e debates fizeram parte do esforço para tornar as técnicas da agricultura de precisão mais acessíveis a produtores, consultores e extensionistas.
“Essa premiação significa que estamos no caminho certo em nossa caminhada profissional”, avalia o professor.
Para ele, o trabalho busca contribuir para uma agricultura gaúcha mais produtiva, rentável aos produtores e ambientalmente sustentável.
Agricultura de precisão marca mais de duas décadas de pesquisas
A relação de Santi com a agricultura de precisão começou em 2003, durante o doutorado, quando os estudos e a aplicação dessas tecnologias ainda estavam em estágio inicial no Brasil. A partir das pesquisas desenvolvidas no Rio Grande do Sul, o trabalho contribuiu para a criação de padrões, modelos e metodologias, a nacionalização de tecnologias e a formação de profissionais para atuar na área.
Ao longo dos anos, os estudos também auxiliaram empresas prestadoras de serviços em seus primeiros passos e tiveram reflexos na indústria de máquinas, na consultoria e na assistência técnica. Segundo o pesquisador, os resultados contribuíram para melhorar os níveis de produtividade e rentabilidade em centenas de propriedades rurais no Rio Grande do Sul e em outras regiões brasileiras.
Santi atribui a escolha de seu nome para o prêmio não a uma iniciativa isolada, mas ao conjunto de atividades, projetos e pesquisas construído durante sua trajetória profissional.
“Passei a metade da minha vida dedicando-me a modernizar a agricultura e a incluir tecnologicamente produtores e técnicos. Espero poder contribuir muito ainda para com a agricultura brasileira”, afirma.
Conhecimento produzido na universidade chega ao campo
A pesquisa aplicada ocupa posição central nesse trabalho. Conforme o professor, muitos estudos são desenvolvidos diretamente nas propriedades rurais, em parceria com produtores, profissionais da extensão e representantes da iniciativa privada. A proposta é aproximar o conhecimento científico das demandas encontradas no dia a dia do setor agropecuário.
Um dos exemplos citados por Santi é uma dissertação orientada por ele que analisou a influência do tamanho da grade amostral de solo na qualidade das recomendações de corretivos e fertilizantes para o Sul do Brasil. De acordo com o pesquisador, o estudo passou a nortear decisões relacionadas às coletas georreferenciadas de solo, à elaboração de mapas temáticos e às recomendações em taxa variada.
A preocupação é fazer com que os resultados obtidos dentro da universidade possam chegar rapidamente às propriedades e produzir efeitos concretos.
“Pesquisa só é válida se ajudar o produtor a produzir”, sintetiza.
Origem familiar ajudou a construir vínculo com a agricultura
Antes da vida acadêmica, a ligação de Santi com o campo começou dentro de casa. Filho de pequeno produtor e natural de Palmeira das Missões, ele recorda que foi com a família que aprendeu a valorizar o estudo e desenvolveu o desejo de contribuir para que pequenos, médios e grandes produtores pudessem se modernizar e incorporar novas tecnologias.
O professor destaca a influência do pai, Waldomiro, já falecido, da mãe, Iria, e dos sete irmãos na construção de sua relação com a agricultura. Segundo ele, foi no ambiente familiar que compreendeu a importância da atividade para o país e o significado da produção de alimentos.
Estudantes, pesquisadores e produtores fazem parte da conquista
Embora o prêmio leve seu nome, Santi faz questão de dividir o reconhecimento. O trabalho em equipe, segundo ele, acompanha toda a sua trajetória como professor da UFSM, campus de Frederico Westphalen. Ao longo desse percurso, dezenas de estudantes de graduação e pós-graduação participaram das pesquisas. A produção acadêmica mencionada pelo professor inclui dois livros, mais de 50 capítulos de livros e mais de 100 artigos relacionados à agricultura de precisão em diferentes cadeias produtivas. Santi também orientou 41 dissertações de mestrado e contabiliza mais de 1,5 mil palestras realizadas no Brasil e em outros países.
A rede de colaboração envolve pesquisadores brasileiros e estrangeiros, com destaque para parcerias com a Universidade de São Paulo (USP) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Empresas prestadoras de serviços, indústrias de máquinas e multinacionais também participaram dessa trajetória, contribuindo com recursos e acesso a tecnologias para o desenvolvimento das pesquisas.
Entre todos os parceiros, o professor dedica atenção especial aos produtores rurais que abriram as propriedades para a realização dos estudos.
“Minha trajetória sempre foi marcada por trabalho em equipe. São as pessoas que fazem a diferença no mundo”, ressalta.
Homenagem será entregue durante a Expointer 2026
A entrega do prêmio O Futuro da Terra 2026 ocorrerá em 31 de agosto, às 19h30min, no auditório da Farsul, durante a Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai