Defesa Civil de FW mantém alerta e descarta previsões antecipadas sobre El Niño
Capitã Bárbara Dilly detalhou ações de prevenção, monitoramento e resposta da 7ª CREPDEC para o segundo semestre
A possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 colocou os órgãos de monitoramento climático e defesa civil em estado de atenção no Rio Grande do Sul. Em entrevista concedida ao Jornal O Alto Uruguai nesta quinta-feira, 14, a comandante da 7ª CREPDEC, capitã Bárbara Dilly, afirmou que ainda não há como prever os impactos do fenômeno na região Norte do Estado, mas destacou que as equipes já atuam em ações preventivas, atualização de planos de contingência e monitoramento de áreas vulneráveis.
A coordenadoria regional atende 60 municípios das regiões Médio Uruguai e Norte do Estado e acompanha diariamente boletins meteorológicos, hidrológicos e geológicos emitidos pelos órgãos estaduais e federais.
Segundo Bárbara, a atuação da Defesa Civil ocorre de forma permanente e envolve ações de prevenção, preparação, mitigação, resposta e reconstrução.
“Nós prestamos apoio técnico aos municípios para que consigam enfrentar uma situação de crise da forma mais organizada possível. Trabalhamos diariamente com prevenção, preparação, mitigação e resposta”, afirmou.
Monitoramento climático
Durante a entrevista, a comandante destacou que o cenário climático ainda é considerado preliminar e que não há confirmação sobre a intensidade do fenômeno no Estado.
“Hoje, não temos como precisar os impactos que o El Niño pode trazer para a região. Isso pode mudar rapidamente. Ainda é muito cedo para afirmar se os impactos serão maiores no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina ou no Paraná”, disse.
Ela explicou que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode provocar aumento no volume de chuvas e períodos de maior umidade no Sul do Brasil, principalmente durante o inverno.
“Nós sabemos que existe o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e que isso pode trazer chuvas volumosas e aumento na precipitação. Mas previsão é uma possibilidade, não uma confirmação”, ressaltou.
Segundo a comandante, um dos principais desafios da Defesa Civil é informar a população sem gerar alarmismo.
“A população precisa estar informada, mas não alarmada. Nós acompanhamos os cenários diariamente e trabalhamos com planejamento e prevenção”, afirmou.
Sistema de alertas
A comandante também detalhou o funcionamento do sistema de alertas utilizado pela Defesa Civil Estadual. Conforme ela, os avisos são encaminhados por SMS, aplicativos e pelo sistema Cell Broadcast.
“Qualquer pessoa pode se cadastrar no número 40199, informando o CEP da localidade, e receber alertas em tempo real da Defesa Civil”, explicou.
Além dos alertas por cadastro, o sistema Cell Broadcast envia mensagens automáticas para celulares localizados em áreas de risco iminente.
“Quando há um alerta severo, o celular emite som, vibração e interrompe o uso do aparelho. A mensagem aparece automaticamente orientando a população a evacuar ou procurar abrigo”, afirmou.
Segundo Bárbara, os alertas são divididos em níveis de risco, identificados pelas cores amarela, laranja, vermelha e roxa.
“O alerta amarelo indica atenção. O laranja já aponta risco maior de ocorrência. O vermelho e o roxo representam situações severas e extremas”, explicou.
Eventos recentes
A comandante relembrou a atuação da Defesa Civil durante o vendaval registrado em fevereiro deste ano nos municípios de Palmeira das Missões e Novo Barreiro.
Segundo ela, os trabalhos iniciaram logo após o evento climático, que provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica, água e comunicação.
“As primeiras ações foram voltadas ao restabelecimento dos serviços essenciais, verificação de possíveis feridos e distribuição de lonas às famílias atingidas”, relatou.
Na sequência, o Estado também encaminhou cargas de telhas aos municípios afetados.
“O trabalho inicial é garantir segurança e assistência imediata à população”, disse.
Áreas vulneráveis
O Atlas de Risco a Inundações da Agência Nacional de Águas (ANA) aponta municípios da região com diferentes níveis de vulnerabilidade para enchentes e inundações.
Entre os municípios monitorados, Iraí aparece com classificação de alto risco. Já Frederico Westphalen, Seberi, Planalto, Rodeio Bonito e Pinhal possuem risco médio.
Bárbara afirmou que a Defesa Civil mantém acompanhamento constante das áreas mais suscetíveis a alagamentos e movimentos de massa.
“Nós trabalhamos com foco no mapeamento dessas áreas e na atualização permanente dos planos de contingência”, destacou.
Ela informou que reuniões com lideranças comunitárias e gestores municipais estão sendo realizadas para revisão dos protocolos de atuação.
“Quem conhece o local é o morador. Por isso, buscamos integrar a comunidade nesse processo de prevenção”, afirmou.
A comandante também destacou a preocupação com o município de Iraí, que historicamente registra episódios de inundação devido à proximidade com o rio Uruguai.
“Iraí exige atenção permanente porque possui áreas historicamente atingidas por cheias. É uma situação que demanda monitoramento contínuo”, disse.
Estrutura ampliada
Bárbara Dilly assumiu o comando da coordenadoria regional em 2025. Segundo ela, após os eventos climáticos registrados no Estado em 2023 e 2024, houve ampliação das equipes e da estrutura operacional da Defesa Civil.
“O Rio Grande do Sul precisou se readequar. Houve aumento de efetivo, de materiais e de estrutura para atendimento aos municípios”, afirmou.
Ela também ressaltou que os municípios avançaram na elaboração de planos de contingência.
“Em 2023, muitos municípios ainda não possuíam planos ativos. Hoje, todos os municípios atendidos pela regional contam com plano de contingência”, explicou.
Segundo a comandante, os documentos precisam ser objetivos e adaptados à realidade local.
“O plano precisa ser executável. Ele deve indicar o que fazer em uma situação de crise e quais recursos o município possui para responder rapidamente”, disse.
Orientação à população
Ao final da entrevista, Bárbara reforçou a importância do acompanhamento de informações oficiais e do cadastro nos sistemas de alerta da Defesa Civil.
“A principal orientação é que a população acompanhe os canais oficiais, mantenha atenção aos alertas e evite compartilhar informações sem confirmação”, afirmou.
Bárbara Dillytambém destacou que a sede da coordenadoria regional está localizada junto à URI, em Frederico Westphalen, e permanece disponível para atendimento aos municípios e à comunidade regional.
Fonte: Jornal o Alto Uruguai