Você sabia que as dioceses têm sacerdotes exorcistas?
Cônego Marco Antônio Jardinello explica como funciona esse ritual, que desperta curiosidade e medo nas pessoas
Um quarto escuro, temperatura muito baixa, uma pessoa amarrada na cama, várias vozes saindo da sua boca e mais, falando em vários idiomas. Essa cena pode ser conferida em várias produções cinematográficas de terror, o que é fonte de mistério, medo e, ao mesmo tempo, curiosidade para muitas pessoas. Mas será que esse roteiro se aproxima da realidade?
– Ultimamente surgiram muitos filmes sobre esse tema, mas pouquíssimos condizem com a realidade. Os filmes exageram o poder do demônio, parecendo quase impossível de ser retirado, mas isso não é verdade – afirma o cônego catedrático exorcista da Catedral Santo Antônio, de Frederico Westphalen, Marco Antônio Jardinello.
Nos últimos dias, a comunidade da região acompanhou a notícia da investidura do cônego catedrático exorcista do capítulo dos cônegos, na Catedral Santo Antônio, de Frederico Westphalen, Marco Antônio Jardinello, que é natural de Iraí. A existência de padres exorcistas na Igreja Católica não é algo muito comentado, mas sempre existiu, tanto é que antes de ser investido como cônego, o padre Marco Antônio atuava como sacerdote exorcista na Catedral Santo Antônio, desde 2012.
– A Igreja Católica sempre teve exorcistas. Desde Jesus, passando pelos Apóstolos, os quais receberam o mandato de Jesus de irem anunciar o Evangelho a todos os povos, curar os doentes, expulsar os demônios (MC 3,15; Lc 9,1), até os dias atuais. Logo no início do seu Pontificado, o Papa Francisco solicitou que todas as dioceses tivessem, ao menos, um sacerdote exorcista – explica o cônego Marco Antônio, lembrando que o cônego Valmor Tomasi também é sacerdote exorcista da catedral, desde 2012.
Como um padre chega nesta função?
O cônego acrescenta que um padre chega a essa função de sacerdote exorcista pela necessidade da Igreja de salvar as almas “presas ao malino” e que querem ser libertadas “de suas garras”. Ou também por solicitação do bispo diocesano a um padre. “Se ele aceitar, recebe o mandato e a autoridade da Igreja para atuar em seu nome”, informa. Após, existem cursos específicos. “Eu fiz cursos sobre exorcismo, cura e libertação”, acrescenta o cônego Marco Antônio.
Como funciona um exorcismo?
Segundo o sacerdote, o exorcismo é composto por orações próprias que somente o bispo diocesano e os sacerdotes exorcistas podem fazer. Além disso, existem objetos usados pelo sacerdote, que são a água benta e a Cruz Redentora, e nunca se faz um ritual de exorcismo sem os paramentos de sacerdote. “O exorcista é, antes de tudo, um restaurador da fé católica, pois não basta somente retirar o maligno de um lugar, de um objeto ou de uma pessoa. É preciso restaurar a fé, a devoção a Nossa Senhora, a participação aos sacramentos, especialmente, a Santa Confissão Sacramental, para que o demônio não retorne”, detalha.
Existe possessão?
As pessoas costumam buscar, bastante, a Igreja para casos que julgam necessitar exorcismo. Porém, nem todos são verídicos e necessitam. “Os casos chamados de possessão existem. São raros, mas existem. É preciso esclarecer que a possessão faz parte da ação extraordinária do demônio. A sua ação ordinária é a tentação a fazer o mal, a qual atinge a todos, sem distinção. A ação extraordinária acontece como vexação, infestação e possessão, tomando coisas, lugares ou pessoas”, esclarece o cônego Marco Antônio.
A importância da fé, da busca por Deus é uma das principais orientações do padre Marco Antônio para que as pessoas possam viver sem o medo de passar por uma situação como a de possessão. “Todos precisam estar em paz com Deus, buscar as coisas de Deus, como ir na missa dominicalmente ou diariamente, condessar com frequência, rezar o Rosário, ter alguma devoção a Nossa Senhora ou aos santos, além de usar um escapulário, cruz ou medalha”, ensina.
Ainda, o sacerdote recorda que é necessário viver sem pecados mortais. “É preciso parar de blasfemar, mentir, fraudar, roubar, caluniar e fazer fofoca. Isso tudo vem do maligno. Deus permite que o maligno atue, mas o maligno não é um Deus. Ele não tem poder, não esse poder mostrado nos filmes. Deus é amor, puro e santo. O demônio é ódio puro. Escolha servir e amar a Deus, pois Ele enviou seu filho, Jesus, para salvar e destruir o reino de satanás e implantar o Reino de Deus”.
Sobre o padre Marco Antônio
Ordenado sacerdote em dezembro de 2005, o padre Marco já atuou na paróquia de Nonoai, foi reitor do Seminário Propedêutico e vigário da Catedral Santo Antônio por quase 10 anos. Atualmente, além de cônego catedrático exorcista da Catedral Santo Antônio, é vigário paroquial de Seberi.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai