Edição Digital Terça, 11/08/2026 Ler agora
4331- Terça
Empreendedorismo

Sady Acadrolli destaca parceria, fé e trabalho como pilares de sua trajetória

Empresário e suinocultor de Rodeio Bonito fala sobre gestão e revela o que o motiva a continuar investindo aos 74 anos

Resumo
  • Trajetória e valores – Aos 74 anos, Sady Acadrolli atribui sua trajetória ao trabalho, à família, à fé e aos aprendizados adquiridos ao longo da vida.
  • Parcerias e suinocultura – O empresário defende a cooperação como caminho para fortalecer produtores, negócios e comunidades.
  • Gestão e eficiência – Planejamento, produtividade, aproveitamento de recursos e combate ao desperdício orientam sua atuação empresarial.
  • Investimentos e oportunidades – Acadrolli segue investindo e destaca a geração de empregos, renda e oportunidades como uma de suas principais motivações.

Uma trajetória construída entre o trabalho, a família, a fé e a disposição para empreender. Aos 74 anos, o empresário e suinocultor Sady Acadrolli, de Rodeio Bonito, segue envolvido em novos projetos e defende que o desenvolvimento econômico precisa caminhar junto com a cooperação e a responsabilidade com as pessoas.

Em entrevista ao jornal O Alto Uruguai, Acadrolli relembrou experiências da infância, a influência recebida do pai e os desafios enfrentados ao longo de décadas de atuação empresarial. Sem formação acadêmica, ele atribui grande parte do conhecimento que acumulou ao que chama de “escola da vida”, marcada pelo trabalho iniciado ainda na adolescência e pelo aprendizado adquirido na prática.

Uma de suas principais preocupações desde cedo, conforme relatou, foi proporcionar aos filhos oportunidades diferentes das que teve. “O que eu mais pedi a Deus é que os meus filhos não tivessem a dificuldade que eu tive na vida”, afirmou.

Parcerias fortalecem negócios e comunidades

A cooperação ocupa lugar central na visão de Acadrolli sobre os negócios e as relações pessoais. Para ele, parceria não precisa estar limitada a estruturas formais, podendo surgir entre vizinhos, amigos e produtores que compartilham objetivos e dificuldades.

Essa percepção, segundo o empresário, vem de exemplos que acompanhou desde a infância. Ele recorda que, quando seu pai chegou a Rodeio Bonito, em 1948, as comunidades enfrentavam dificuldades para comercializar a produção, acessar medicamentos e resolver problemas cotidianos. Naquele contexto, a ajuda entre as famílias era fundamental.

Acadrolli cita como exemplo os antigos “puxirões”, quando vizinhos se reuniam para trabalhar na propriedade de uma família que enfrentava dificuldades, especialmente quando alguém estava hospitalizado. “O ser humano tem que ser ajudado nas horas difíceis”, resumiu.

O princípio permanece presente na atividade empresarial. Na suinocultura, ele relata que busca acompanhar os produtores parceiros desde a implantação das estruturas, negociando condições de obras e oferecendo suporte durante a construção das pocilgas. A experiência acumulada, segundo ele, permite evitar erros e melhorar os resultados.

Fé orienta decisões e relações pessoais

Outro elemento presente ao longo de toda a trajetória de Acadrolli é a religiosidade. O empresário afirma que a fé influencia sua maneira de trabalhar, administrar e se relacionar com outras pessoas.

Ele recorda experiências religiosas vividas ainda na juventude e considera os ensinamentos cristãos uma referência para suas decisões. Na avaliação do suinocultor, reservar tempo para a espiritualidade e procurar agir corretamente nas relações pessoais e profissionais são atitudes que repercutem nas demais áreas da vida.

A fé, para Acadrolli, está diretamente relacionada à forma como enxerga o próximo. Respeito, solidariedade, amizade e disposição para ajudar aparecem como valores que procura transportar para as relações familiares e empresariais.

Experiência na política reforçou visão sobre gestão

A política também integra a história da família Acadrolli. O empresário relembrou a passagem do pai pela Prefeitura de Rodeio Bonito e sua própria experiência como vereador, entre 1977 e 1982. Ao abordar o tema, defendeu que uma pessoa reconhecida por suas qualidades pessoais não necessariamente terá habilidade para administrar. Para ele, a capacidade de gestão é determinante tanto no setor privado quanto no serviço público.

Acadrolli considera ainda que as disputas partidárias não deveriam impedir a colaboração depois das eleições. Como exemplo, mencionou sua postura em relação a adversários políticos que chegaram à administração municipal. Independentemente das diferenças eleitorais, afirma que seu interesse permanece no desenvolvimento de Rodeio Bonito.

Combate ao desperdício começa nas pequenas atitudes

A atenção aos detalhes é outro princípio que Acadrolli procura aplicar aos empreendimentos. Uma frase usada por ele resume essa postura: em suas obras, “não existe cemitério”, expressão utilizada para se referir aos locais onde materiais acabam descartados ou desperdiçados.

O empresário afirma não aceitar que argamassa, tijolos, madeira ou outros insumos sejam abandonados sem necessidade. Nas construções, conta que acompanha o reaproveitamento de materiais e procura garantir que as equipes preparem somente aquilo que será utilizado. “É nas pequenas coisas que você vê as grandes diferenças”, afirmou. O cuidado, segundo ele, não se restringe às empresas. Evitar desperdício de alimentos, organizar os gastos familiares e aproveitar corretamente os recursos disponíveis fazem parte da mesma lógica.

A preocupação está associada à ideia de que resultados expressivos são construídos por uma sequência de pequenas decisões. Para Acadrolli, economizar não significa simplesmente gastar menos, mas avaliar o custo-benefício e utilizar os recursos de maneira eficiente.

Trabalho e planejamento sustentam produtividade

Mesmo aos 74 anos, Acadrolli mantém uma rotina diretamente ligada aos negócios. Ele conta que trabalha com programação do tempo e procura antecipar etapas para evitar que funcionários e estruturas fiquem parados por falta de planejamento.

Nas obras, por exemplo, sua orientação é preparar previamente equipamentos, instalações e materiais necessários para que as equipes possam iniciar as atividades sem perda de tempo. A mesma lógica é aplicada à escolha das ferramentas e dos profissionais.

Para ele, o valor de um investimento deve ser medido pelo resultado produzido. Essa visão também orienta a gestão das equipes, nas quais produtividade e condições adequadas de trabalho precisam caminhar juntas. Acadrolli relaciona essa postura à experiência acumulada durante décadas. Na sua avaliação, a repetição e o acompanhamento constante das atividades transformam o conhecimento prático em especialização.

Novos investimentos mantêm propósito de gerar oportunidades

Questionado sobre o que o leva a continuar investindo aos 74 anos, Acadrolli relacionou sua motivação à possibilidade de contribuir com outras pessoas. Um dos exemplos citados foi a aquisição, em sociedade com a família Gobbi, do Frigorífico Palmali, de Frederico Westphalen, iniciativa que surgiu diante da perspectiva de encerramento da operação e da consequente preocupação com centenas de empregos. Segundo o empresário, a possibilidade de trabalhadores perderem seus postos e a dificuldade de destinação de milhares de suínos pesaram na decisão de buscar uma alternativa para a atividade.

Mais do que ampliar patrimônio, Acadrolli afirma encontrar satisfação ao acompanhar pessoas melhorando de vida por meio do trabalho. Na suinocultura, cita especialmente produtores que conseguem investir nas propriedades e realizar projetos pessoais a partir da renda gerada pela atividade. “Eu sou uma pessoa que fico feliz quando consigo fazer alguma coisa para o meu semelhante”, declarou.

Essa visão, segundo ele, ajuda a explicar por que continua envolvido em novos negócios quando poderia reduzir o ritmo de trabalho. Empreender representa, em sua perspectiva, uma responsabilidade que ultrapassa os resultados individuais e alcança funcionários, produtores integrados e suas famílias.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai