Região registra uma ameaça contra mulher a cada 13 horas no primeiro semestre
Levantamento contabilizou 331 ocorrências de ameaça e 504 registros de violência contra mulheres nos 22 municípios da região entre janeiro e junho de 2026
Resumo
- 331 ameaças contra mulheres foram registradas nos 22 municípios da região entre janeiro e junho de 2026 — uma ocorrência, em média, a cada 13 horas.
- Ao todo, foram 504 registros de violência contra mulheres, incluindo 158 casos de lesão corporal e 15 estupros.
- Palmeira das Missões liderou os registros de ameaça, com 84 ocorrências, seguida por Frederico Westphalen, com 51.
- No Rio Grande do Sul, 41 feminicídios foram registrados somente no primeiro semestre de 2026.
Uma mulher foi vítima de ameaça, em média, a cada 13 horas nos 22 municípios da região entre janeiro e junho de 2026. Dados do Observatório Estadual da Segurança Pública apontam 331 registros do crime no primeiro semestre. O número representa 65,7% das 504 ocorrências de violência contra mulheres contabilizadas no período.
Além das ameaças, foram registrados 158 casos de lesão corporal e 15 estupros. Os dados são monitorados pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS).
Palmeira das Missões concentra maior número de ameaças
Palmeira das Missões liderou os registros de ameaça, com 84 ocorrências no primeiro semestre. Em seguida aparecem Frederico Westphalen, com 51 casos, Planalto e Seberi, com 25 cada, e Iraí, com 20.
Nos casos de lesão corporal, Palmeira das Missões também apresentou o maior número de registros, com 35 ocorrências. Frederico Westphalen aparece na sequência, com 32, seguido por Seberi (14), Rodeio Bonito (10), Ametista do Sul (9) e Planalto (8).
Os 15 registros de estupro foram distribuídos entre oito municípios. Planalto contabilizou quatro casos; Novo Tiradentes, três; e Alpestre, dois. Caiçara, Frederico Westphalen, Iraí, Palmeira das Missões, Rodeio Bonito e Vicente Dutra registraram uma ocorrência cada.
Rio Grande do Sul soma 48 feminicídios em 2026
Os dados regionais ocorrem em um cenário de violência letal contra mulheres no Rio Grande do Sul. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Estado registrou 80 feminicídios em 2025, aumento de 9,5% em relação aos 73 casos de 2024.
Entre janeiro e junho de 2026, o Rio Grande do Sul já contabilizou 48 feminicídios. O número corresponde a pouco mais da metade dos casos registrados em todo o ano anterior.
O levantamento aponta ainda que oito das mulheres assassinadas no Estado possuíam medida protetiva de urgência em vigor no momento do crime.
Nos últimos cinco anos, o número de medidas protetivas concedidas pela Justiça gaúcha aumentou aproximadamente 331%, passando de pouco mais de 12 mil para mais de 53 mil.
Brasil registra recorde de feminicídios
O cenário estadual acompanha uma tendência observada em âmbito nacional. O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número desde o início da série histórica, em 2016.
De acordo com o anuário, 62,5% dos feminicídios ocorreram dentro de casa. Entre os casos em que a autoria foi identificada, 96,4% dos crimes foram cometidos por homens.
Parceiros ou ex-parceiros das vítimas foram responsáveis por quase 80% das mortes. Os dados indicam a predominância da violência doméstica e de relações de intimidade entre os contextos dos feminicídios registrados no país.
Fonte: Jornal o Alto Uruguai