Palmitinho registra primeiro foco de greening em citros no RS
Doença foi identificada em um pomar doméstico do município; orgãos estaduais e federais realizam monitoramento e adotam medidas de controle para evitar a disseminação
Resumo
- O Ministério da Agricultura confirmou os primeiros casos de greening (HLB) no Rio Grande do Sul.
- O foco foi identificado em um pomar doméstico de Palmitinho.
- A confirmação ocorreu após análises realizadas por laboratórios da rede oficial do Mapa.
- A propriedade possui cerca de 20 mudas de citros.
- As plantas contaminadas serão erradicadas conforme protocolo fitossanitário.
- Equipes da Seapi e do Ministério da Agricultura realizam monitoramento na região.
- A principal hipótese é que a doença tenha chegado ao Estado por meio de mudas contaminadas.
- O greening é transmitido pelo psilídeo Diaphorina citri.
- A doença não oferece risco à saúde humana.
- Os impactos ocorrem na citricultura, com redução da produtividade e da qualidade dos frutos.
- Entre os sintomas estão amarelecimento das folhas, frutos deformados e morte das plantas.
- O Rio Grande do Sul mantém ações de vigilância e prevenção desde 2004.
- Entre novembro de 2025 e março de 2026, foram monitoradas 374 armadilhas em 77 municípios gaúchos.
- A Emater/RS-Ascar Regional de Frederico Westphalen informou que não irá se manifestar neste momento.
- Segundo a instituição, os esclarecimentos sobre o caso serão feitos pela Secretaria Estadual da Agricultura.
Palmitinho registrou o primeiro foco de greening (HLB) em plantas cítricas no Rio Grande do Sul. A confirmação foi divulgada nesta segunda-feira, 8, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), após análises realizadas por laboratórios da rede oficial.
As plantas com sintomas da doença foram identificadas em um pomar doméstico localizado no município. O greening é causado por uma bactéria transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri e afeta todas as espécies de citros. A doença não apresenta riscos à saúde humana, mas compromete a produção ao causar deformação dos frutos, redução da qualidade e queda da produtividade.
Após a confirmação, equipes do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e da Superintendência Federal de Agricultura no Rio Grande do Sul iniciaram o monitoramento das áreas próximas ao foco para evitar a disseminação da doença.
A propriedade onde ocorreu a identificação possui cerca de 20 mudas de citros. Conforme o protocolo fitossanitário vigente, as plantas contaminadas serão erradicadas e haverá controle do inseto transmissor. A principal hipótese investigada pelos órgãos responsáveis é de que a doença tenha sido introduzida no Estado por meio da aquisição de mudas irregulares já contaminadas.
Monitoramento na região
Segundo o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Seapi, Ricardo Felicetti, além das ações na propriedade afetada, o trabalho de vigilância foi ampliado para a região, com atenção especial aos pomares comerciais e ao trânsito de mudas e demais materiais de propagação cítrica.
O caso em Palmitinho foi identificado dentro de um programa de vigilância mantido desde 2004 pelo Ministério da Agricultura e pela Secretaria Estadual da Agricultura. As ações foram intensificadas nos últimos anos em razão da presença da doença em estados e países vizinhos, como Santa Catarina, Argentina e Uruguai.
Entre novembro de 2025 e março de 2026, a Seapi instalou e monitorou 374 armadilhas em pomares de 77 municípios gaúchos. No mesmo período, foram realizadas 4.326 leituras para identificação do psilídeo, inseto vetor da doença.
Além disso, em 2025 foram realizadas 211 inspeções em pomares de 65 municípios. Neste ano, até o momento, já ocorreram 47 inspeções em 19 municípios. As amostras coletadas anteriormente apresentaram resultado negativo para a bactéria causadora do greening.
Emater aguarda orientação estadual
Em contato com a reportagem, o gerente regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, Mateus Stefanello, informou que a instituição não irá se manifestar sobre o caso neste momento.
"A orientação é aguardar posicionamentos da Emater estadual e da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), órgão responsável pela condução das ações e pela divulgação das informações relacionadas à ocorrência da doença em Palmitinho", disse Mateus Stefanello.
Dessa forma, os esclarecimentos técnicos e eventuais atualizações sobre o caso deverão ser apresentados pela Secretaria Estadual da Agricultura.
Considerado uma das principais ameaças à citricultura mundial, o greening não possui tratamento eficaz para plantas infectadas. Entre os sintomas estão o amarelecimento das folhas, frutos pequenos e deformados, redução da produtividade e, em estágios avançados, a morte das plantas.
Os órgãos de defesa sanitária reforçam a recomendação para que produtores utilizem apenas mudas certificadas e adquiridas de viveiros regularizados, medida considerada fundamental para reduzir o risco de disseminação da doença.
Fonte: Colaborou, Márcia Sarmento