Edição Digital Terça, 28/07/2026 Ler agora
4319 - Edição de Terça
DAta especial

Uma vida que homenageia o Colono e o Motorista

Natural de Caiçara e agricultor durante boa parte da vida, Aildo José Alves de Moura encontrou na profissão de motorista a estabilidade para sustentar a família, sem esquecer as raízes no campo

(Crédito: Diego Stieven)
(Crédito: Diego Stieven)
Resumo
  • Juquinha trocou a agricultura pela profissão de motorista após perder uma safra de fumo e enfrentar dificuldades financeiras.
  • Há cerca de 20 anos atua como motorista, atualmente transportando pacientes da Secretaria Municipal da Saúde de Frederico Westphalen.
  • Destaca que o reconhecimento e a gratidão dos pacientes são as maiores recompensas da profissão.
  • No Dia do Colono e Motorista, reforça a importância do trabalho no campo e da responsabilidade para garantir segurança nas estradas.

Entre o trabalho pesado na lavoura e as longas viagens pelas estradas do Rio Grande do Sul, Aildo José Alves de Moura, mais conhecido como Juquinha, construiu uma trajetória marcada pela dedicação e pela capacidade de recomeçar. Natural de Caiçara – hoje Distrito de Laranjeiras, Vicente Dutra –, ele viveu desde cedo a realidade do campo e encontrou, anos mais tarde, na profissão de motorista, uma forma de garantir mais segurança para a família, sem jamais perder a identidade de agricultor.

Casado com Silvana Buligon de Moura, é pai de Francieli Buligon de Moura e Mateus Buligon de Moura. Há 36 anos, a família reside na comunidade de Alto Alegre, em Frederico Westphalen, onde construiu seu patrimônio e mantém os vínculos com a vida rural.

Infância de trabalho

A história de Juquinha começou cedo. Ainda menino, acompanhou a mudança da família para a região de Lajeado Bonito, em Seberi. Com cerca de 10 anos, deixou a casa dos pais para trabalhar ao lado do padrinho, em Goiás, onde teve os primeiros contatos com máquinas agrícolas.

Sem oportunidade para estudar, dedicou-se exclusivamente ao trabalho. "Só trabalhava. Era com tratores, implementos e plantio. Foi uma oportunidade de tentar melhorar de vida", recorda. Depois de cerca de dois anos, retornou ao Rio Grande do Sul e passou a trabalhar como peão em propriedades rurais da região.

A vida na agricultura

O casamento com Silvana marcou o início de uma nova etapa. O casal passou a cultivar terras arrendadas na comunidade de Alto Alegre, onde produzia feijão, milho, fumo e também criava pequenos animais para o consumo da família. O trabalho era praticamente todo realizado pelo casal, com auxílio de familiares. "Era tudo braçal. Era muito difícil, mas a gente precisava trabalhar para sobreviver", lembra.

A família também recebeu um importante apoio de parentes. Um terreno doado tornou-se o local onde construíram a casa e permanecem até hoje, consolidando as raízes da família na comunidade.

Quando foi preciso mudar de rumo

A decisão de deixar a agricultura não foi fácil. Ela veio após uma grande perda na produção de fumo. Sem estrutura adequada para secagem e sem seguro agrícola, uma sequência de chuvas comprometeu praticamente toda a safra, justamente em um período de elevado endividamento.

– A gente trabalhava, trabalhava, mas tudo dependia do tempo. O último ano foi muito difícil. O fumo apodreceu e não teve mais jeito. Eu precisava encontrar outra forma de sustentar a família – relata. Foi então que surgiu a oportunidade de atuar como motorista, profissão que lhe proporcionou um salário fixo e permitiu reorganizar a vida financeira da família.

Mais de duas décadas nas estradas

Há cerca de 20 anos, Juquinha trabalha como motorista. Antes de ingressar no serviço público, percorreu as estradas como caminhoneiro. Atualmente, trabalha na Prefeitura de Frederico Westphalen, no transporte de pacientes da Secretaria Municipal da Saúde.

Embora reconheça que dirigir exige responsabilidade constante, afirma que encontrou na profissão uma nova missão. "Hoje, eu gosto muito de trabalhar na saúde. A gente vê situações que nem imagina. Nossa função é ajudar as pessoas, e isso faz a gente se sentir bem", garante. A rotina começa ainda durante a madrugada. Dependendo do destino, como Porto Alegre, Santa Maria ou Passo Fundo, a saída ocorre entre 1 hora e 4 horas, exigindo atenção permanente nas rodovias.

O reconhecimento que vale a pena

Depois de tantos anos transportando pacientes para consultas e tratamentos, Juquinha diz que uma das maiores recompensas é o carinho recebido das pessoas. "Muita gente agradece pela ajuda que a gente faz. Tem pessoas que levam até um presentinho para demonstrar o reconhecimento. Isso é muito gratificante", comenta.

Mensagem para o Dia do Colono e Motorista

No Dia do Colono e Motorista, celebrado hoje, 25 de julho, Juquinha reúne as duas experiências que marcaram sua vida. Para ele, tanto quem trabalha na terra quanto quem vive nas estradas precisa exercer a profissão com responsabilidade. "O motorista precisa ter muito cuidado. Hoje, está acontecendo muita coisa por falta de atenção. A estrada exige responsabilidade e respeito. Cada um precisa fazer a sua parte para voltar para casa em segurança", conclui.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai