HDP registra 27% dos atendimentos relacionados a doenças respiratórias em maio
Em Rodeio Bonito, 70% das internações atualmente estão relacionadas a vírus sazonais
O avanço das doenças respiratórias tem provocado um aumento significativo na procura por atendimento médico e nas internações hospitalares em municípios da região. Hospitais relatam crescimento da demanda por pacientes com síndromes gripais, influenza e outras infecções respiratórias, cenário que acompanha a pressão observada também nas unidades básicas de saúde e em todo o Rio Grande do Sul. A situação levou o governo estadual a decretar estado de emergência em saúde pública.
Em Rodeio Bonito, o diretor clínico da Associação Hospitalar São José, médico Guilherme Airon Cruz, afirma que o aumento dos casos já é percebido de forma intensa no dia a dia da instituição. Segundo ele, entre 70% e 80% dos atendimentos realizados durante os plantões estão relacionados a infecções respiratórias.
O reflexo também aparece nas internações, que registraram crescimento expressivo nas últimas semanas. “Aproximadamente 70% das hospitalizações hoje são em virtude dessas infecções respiratórias”, destaca o diretor clínico. De acordo com o médico, os diagnósticos mais frequentes são os de influenza, incluindo os subtipos H1N1 e Influenza A e B. Até o momento, os casos de Covid-19 não têm representado impacto significativo na unidade.
O Hospital Pio XII, de Seberi, também observa aumento na procura por atendimento. Conforme a administradora Joice Nietzke, houve crescimento considerável na demanda por pacientes com síndromes gripais, tanto entre crianças quanto entre idosos, resultando em mais internações em diferentes faixas etárias.
Em Frederico Westphalen, o Hospital Divina Providência (HDP) também acompanha o avanço das doenças respiratórias. Dados do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIRAS) e do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) apontam que, durante o mês de maio de 2026, o Pronto-Socorro registrou 2.481 atendimentos. Em períodos analisados entre os dias 1º e 22 de maio, foram contabilizados 632 atendimentos, dos quais 172 estavam relacionados a quadros respiratórios, o equivalente a aproximadamente 27% do total analisado.
Até a terça-feira, 2, a instituição mantinha 17 pacientes internados por causas respiratórias, incluindo casos de influenza, pneumonia e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os diagnósticos mais frequentes atualmente são Influenza A, Influenza B e adenovírus.
Crianças lideram número de casos
Embora os idosos continuem entre os grupos mais vulneráveis às complicações, profissionais da saúde relatam que as crianças têm sido as mais afetadas pela circulação dos vírus respiratórios. Em Rodeio Bonito, o diretor clínico da Associação Hospitalar São José afirma que a faixa etária pediátrica é atualmente a mais acometida. A mesma realidade é observada no Hospital Divina Providência, onde a maior parte dos atendimentos relacionados a doenças respiratórias corresponde à população infantil, especialmente crianças de baixa faixa etária.
Momento exige cuidados e prevenção
Diante do aumento dos casos, as instituições reforçam orientações para reduzir a transmissão dos vírus respiratórios. Entre as recomendações estão a higienização frequente das mãos, a atualização da vacinação, a utilização de máscara por pessoas com sintomas gripais e a redução da exposição a ambientes fechados e aglomerações.
No Hospital Divina Providência, o cenário exige atenção dos serviços de saúde. Em comparação ao mesmo período de 2025, foi observado que alguns pacientes apresentam maior persistência dos sintomas e evolução clínica que demanda acompanhamento por período mais prolongado. Apesar disso, o aumento dos atendimentos está dentro do comportamento esperado para esta época do ano, marcada pela maior circulação de vírus respiratórios.
Em Rodeio Bonito, o hospital também pede compreensão da comunidade em relação às visitas hospitalares. Embora elas não estejam proibidas, a orientação é que ocorram apenas quando realmente necessárias, evitando riscos adicionais aos pacientes internados. Conforme Guilherme Airon Cruz, a recomendação é que familiares e amigos visitem pacientes hospitalizados apenas em situações indispensáveis, como forma de proteção aos próprios internados.
Fonte: Jornal o Alto Uruguai