Edição Digital Quarta, 24/06/2026 Ler agora
4290 - Quarta
Rural

Estado mantém monitoramento após foco de greening na região

Em entrevista no AU, técnicos detalharam ações adotadas após confirmação da doença em Palmitinho

Resumo
  • Primeiro foco de greening no RS foi confirmado em Palmitinho e mobilizou órgãos de defesa sanitária.
  • Doença bacteriana afeta apenas plantas cítricas, não tem cura e pode causar a morte das árvores.
  • Pomar com foco confirmado foi erradicado e área segue sob monitoramento em raio de até 2,4 quilômetros.
  • Produtores devem comunicar sintomas à Emater ou à Defesa Sanitária; não há risco para consumo das frutas nem restrições comerciais no momento.

A confirmação do primeiro foco de greening no Rio Grande do Sul mobilizou órgãos de defesa sanitária e acendeu um alerta para a cadeia produtiva da citricultura. Para atualizar a população sobre a situação, o estúdio do AU recebeu, na quinta-feira, 18, o diretor do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Ricardo Felicetti, e o coordenador estadual de Fruticultura, Felipe Pereira Dias.

Durante a entrevista, os especialistas explicaram que o greening é uma doença causada por uma bactéria que atinge exclusivamente plantas cítricas. Sem tratamento ou cura conhecidos, ela compromete o desenvolvimento das plantas e pode levá-las à morte em poucos anos, causando prejuízos econômicos significativos para a atividade.

Segundo Felicetti, a preocupação é ainda maior devido à relevância da citricultura para o Estado. O Rio Grande do Sul conta com cerca de 10 mil produtores ligados à atividade e aproximadamente 60 mil pessoas envolvidas em toda a cadeia produtiva, grande parte delas vinculadas à agricultura familiar. Apesar dos impactos sobre as plantas, Felipe Dias destacou que a doença não representa risco à saúde humana. Os frutos podem ser consumidos normalmente, embora percam qualidade, sabor e rendimento à medida que a enfermidade avança.

Erradicação do pomar

Os profissionais também detalharam as ações adotadas após a identificação do foco em Palmitinho. O pomar onde a doença foi confirmada foi erradicado imediatamente, com apoio da administração municipal e dos moradores. Além disso, equipes técnicas realizaram levantamentos em um raio inicial de 500 metros e ampliaram o monitoramento para até 2,4 quilômetros da área afetada, com coleta de dezenas de amostras que seguem em análise laboratorial.

De acordo com os especialistas, a principal forma de disseminação da doença ocorre por meio do inseto Diaphorina citri, responsável por transmitir a bactéria entre plantas infectadas e sadias. Outra via de introdução é o uso de mudas contaminadas, hipótese considerada a mais provável para o foco identificado na região.

Os entrevistados ressaltaram que o período de inverno favorece as ações de contenção, já que as baixas temperaturas reduzem a presença e a reprodução do inseto transmissor. Esse cenário aumenta as chances de sucesso das medidas adotadas para impedir o avanço da doença.

Sintomas

A orientação aos produtores e moradores é que qualquer suspeita seja comunicada aos escritórios da Emater ou aos serviços de defesa sanitária. Plantas com folhas amareladas, ramos secos ou frutos com sintomas característicos devem ser avaliadas por técnicos especializados.

Felicetti e Dias reforçaram que não há motivo para alarde neste momento e que não existem restrições comerciais decorrentes da ocorrência registrada. No entanto, destacaram que a colaboração da população é fundamental para a identificação precoce de possíveis novos focos e para a preservação da citricultura gaúcha.

Dados

Integrada pelo governo do Estado, a força-tarefa mobilizada após a confirmação do primeiro foco de greening (HLB) no Rio Grande do Sul já vistoriou 522 imóveis e erradicou 201 plantas cítricas em Palmitinho. A informação é do Governo do Estado.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai