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Karatê
Destaque estadual, atleta de Palmitinho busca apoio para disputa nacional
Murilo Vinicius da Rosa, de 17 anos, foi campeão gaúcho da modalidade superando dificuldades financeiras
Por: Douglas Cavalini
Publicado em: sábado, 18 de junho de 2022 às 15:15h
Atualizado em: sábado, 18 de junho de 2022 às 15:38h

A “arte das mãos vazias”, o Karatê pode parecer uma modalidade distante da região. Ainda que não tão popular quanto outras por aqui, a arte marcial japonesa tem rendido campanhas vitoriosas pelo Estado e América do Sul. A mais recente delas foi o Campeonato Gaúcho, que culminou em uma carreata em Palmitinho, município em que mora Murilo Vinicius da Rosa, de 17 anos.

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No último sábado, 11, o jovem atleta, que é natural de São Leopoldo, subiu ao lugar mais alto do pódio em Cachoeira do Sul, onde o campeonato estadual foi disputado. Na categoria Kumitê, em que há luta entre dois atletas, de 16 e 17 anos acima de 70 quilos, ele foi o melhor. No Kata, modalidade em que os atletas são avaliados pela execução correta dos movimentos do Karatê, foi o terceiro colocado na categoria acima de 16 anos.

As duas medalhas se juntaram a mais 33, conquistadas ao longo dos nove anos em que ele compete. Entre as conquistas, está o vice-campeonato em Kata no Karate Open Uruguay, em 2019, quando tinha 14 anos, além de um terceiro lugar em Kumitê. “Eu era uma criança que tinha muita vergonha. Em São Leopoldo, onde morava, surgiu um projeto social de Karatê e eu comecei com o objetivo de perder a timidez e emagrecer”, conta o jovem.

A paixão pelo esporte só aumentou e, em 2016, ele começou a competir, incentivado pelos pais, Marisa Isabel da Rosa, 42 anos, e Ivo da Rosa, de 49 anos. A mãe trabalha como faxineira e o pai como açougueiro. “Não vou desistir”, garante Marisa, que conta que já trabalhou até a meia-noite para conseguir uma renda extra para que o filho continuasse indo aos treinos.

Atleta ligado à Federação Gaúcha de Karatê, Murilo precisa ir uma vez por semana até Porto Alegre, local em que treina. Antes, a mãe acompanhava o menino, mas o alto custo com as passagens tornou a companhia inviável. Agora o menino vai sozinho. “Tenho muitas despesas, precisamos trocar os equipamentos que são antigos. Mas se não aparecer ajuda, vai continuar assim”, lamenta a mãe, que revela falta de apoio público e da população do município.

Mas nem Murilo nem sua família pensam em desistir. Pelo contrário. Estão em busca de viabilizar a participação do carateca no Campeonato Brasileiro da modalidade, que ainda não tem data para ocorrer. “Já estou ansioso. Vai ser minha primeira vez disputando-o”, conta o atleta.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai