Publicidade
Angela Enderle Candaten
Conhecimento que salva vidas
Por: Suseli Cristo
Publicado em: sexta, 17 de junho de 2022 às 15:20h
Atualizado em: sexta, 17 de junho de 2022 às 15:20h

A história da palmitinhense Angela Enderle Candaten e o seu amor por salvar vidas iniciou lá no ano de 2005. Na época, a então vestibulanda da URI/FW se classificou em primeiro lugar para o curso de Enfermagem, no qual se matriculou e cursou como bolsista do Prouni. Durante a graduação, participou de diversos projetos de pesquisa e extensão, desenvolvendo atividades junto à comunidade de Frederico Westphalen e região.
Foi crescendo e vendo o amor que pessoas próximas tinham pela área da saúde, especialmente pela Enfermagem, que Angela decidiu qual seria a sua escolha profissional. “Admirava aquelas mulheres corajosas – e falo assim pois a profissão é majoritariamente feminina –, que atuavam mesmo com recursos limitados e acesso difícil aos grandes centros de saúde, e que seguiam firmes no seu propósito de cuidar. Eu cresci vendo técnicos de enfermagem e enfermeiros lutando pelo seu espaço e essa luta me motivava, foi então que decidi cursar Enfermagem”, explica. 
Ainda durante a vida universitária, Angela foi membro do Diretório Central dos Estudantes, representando os acadêmicos na luta pelo seu espaço de mobilização social. Também participou do Coral da URI por cinco anos, convivendo com artistas que dividiam o seu dom com a comunidade. Na oportunidade, participou da gravação do 1º DVD do Coral da URI.

Publicidade
Publicidade

Vida profissional
Assim que concluiu a graduação, Angela participou de processo seletivo na URI para atuar como Enfermeira Supervisora dos estágios curriculares. Este foi seu primeiro emprego. Em 2010, na busca por aprimoramento e novas oportunidades profissionais, atuou no Hospital Municipal de Montenegro, no setor de Urgência e Emergência. No ano seguinte, 2011, iniciou sua caminhada na Terapia Intensiva no Hospital Pompéia, em Caxias do Sul, onde permaneceu por sete anos. Lá, atuou também como docente do curso de Enfermagem da Faculdade da Serra Gaúcha. Em 2017, após ser aprovada em concurso público, iniciou sua carreira como servidora pública federal no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. 
Durante os 13 anos após a conclusão da graduação, Angela sempre procurou evoluir na carreira acadêmica. Concluiu três especializações – Urgência e Emergência, Terapia Intensiva e Gestão Pública e Hospitalar –, tornou-se Mestre em Enfermagem pela UFRGS, em 2015, e, recentemente, em 2021, concluiu o Doutorado em Ciências da Saúde pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Atualmente, é enfermeira intensivista e atua no Centro de Terapia Intensiva Adulto do Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. “Com toda essa bagagem de conhecimento que trouxe da URI e das minhas especializações, hoje tenho a oportunidade de compartilhar minhas experiências profissionais com acadêmicos em tempo integral e auxiliar na formação deles para que sejam ‘devolvidos à sociedade’ para fazer a diferença na vida de outras pessoas”, frisa.

Atuação na pandemia
Durante os momentos intensos da pandemia de Covid-19, Angela esteve na linha de frente do combate ao vírus, atuando diretamente na assistência de pacientes graves. Para ela, esse período foi uma experiência que divide sua trajetória profissional em antes e depois. 
– Nenhum de nós, trabalhadores da linha de frente, será o mesmo após tudo o que vivenciamos. O Hospital de Clínicas tornou-se referência no Estado para o tratamento de casos graves, nosso serviço de terapia intensiva foi expandido como jamais imaginaríamos. Antes da pandemia, contávamos com 40 leitos de UTI distribuídos em três unidades. Com a expansão, chegamos a 135 leitos distribuídos em 13 UTIs. Capacitamos em tempo recorde, aproximadamente 800 profissionais de Enfermagem. Participei da abertura da primeira UTI Covid do Estado – recorda.
Segundo a enfermeira, foram dias intermináveis de muito estudo e planejamento. “Era uma carga de trabalho imensa, misturada com o gerenciamento das nossas próprias emoções e inseguranças. A única coisa que eu pensava era: eu escolhi estar aqui, preciso seguir. Preciso fazer o possível para cumprir o meu propósito. Hoje, após dois anos atuando na pandemia, me tornei mais resiliente, mais flexível, e, principalmente, mais humana. Entendo que quando cuidamos de uma doença podemos ganhar ou perder, mas quando cuidamos de uma pessoa, sempre vencemos. Posso dizer, também, que o conhecimento salva vidas”, finaliza.
 

Fonte: Jornal O Alto Uruguai