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Dia das Mães
“Quando minha filha nasceu eu escutei o choro, mas não consegui ver ela”
Conheça a história de Luana Depelegrini da Silva Cardoso, que descobriu estar positivada para Covid-19 prestes a dar à luz segunda filha
Por: Gustavo Menegusso
Publicado em: segunda, 10 de maio de 2021 às 14:06h
Atualizado em: segunda, 10 de maio de 2021 às 14:13h

Casados há quase 10 anos e pais da pequena Melanie, Luana Depelegrini da Silva Cardoso e Lucas Cardoso, moradores do bairro Jardim Primavera, em Frederico Westphalen, viveram nos últimos meses, talvez, o maior desafio de suas vidas. Em meio a uma nova gravidez em plena pandemia, o casal precisou enfrentar a Covid-19 e suportar a perda do pai de Luana, mais uma vítima do vírus. Não bastassem esses osbstáculos, Cardoso também teve complicações causadas pelo coronavírus e precisou ser internado no hospital três dias após o nascimento da outra filha, a Melinda. Confira, a seguir, detalhes dessa história emocionante e de superação, que ilustra o nosso caderno especial em homenagem a todas as mamães leitoras do jornal O Alto Uruguai. 

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O amor que nasceu na vizinhança 
Natural de FW, a família de Luana criou raízes no bairro Jardim Primavera. Ela conta que conheceu Lucas ainda quando criança, pois eram vizinhos e brincavam juntos. “Nos conhecemos aqui no bairro mesmo. Ele foi meu primeiro namorado e eu fui a primeira namorada dele. Eu tinha 14 anos e ele 17, na época. Depois acabamos namorando, casando e estamos juntos até hoje”, lembra a esposa.

A gravidez durante a pandemia
Melanie, de quatro anos, foi a primeira filha do casal. Em agosto do ano passado, Luana descobriu que estava grávida e a partir de então os cuidados contra a Covid-19 foram ainda mais intensos. “Mesmo trabalhando até o último mês da gestação, sou caixa de uma loja, mas o Lucas e eu sempre nos cuidamos muito. Aí no fim de fevereiro eu entrei em férias, era tudo para março ser um mês mágico. O prazo máximo para a nossa filha Melinda nascer era dia 27, mas fomos surpreendidos”, detalha.

A perda do pai de Luana
No início de março, o pai de Luana, Valmir Alves da Silva, que trabalhava como metalúrgico, acabou testando positivo para a Covid-19. Neste período, a filha se comunicava com o pai apenas pela janela da casa da avó, que ficava no mesmo terreno. Entretanto, os sintomas da doença acabaram se agravando e Vilmar precisou ser internado no Hospital Divina Providência (HDP). “A equipe do hospital ligava todos os dias passando o boletim, sempre foi muito prestativa. E nós também conversávamos por WhatsApp, até nossa última conversa foi sobre a Melinda, que ela iria nascer só quando ele saísse do hospital. Não foi como esperávamos, mas acabou acontecendo de certa forma, o pai acabou sendo entubado, indo para a UTI e vindo a falecer no dia 11 de março”, conta, emocionada.
No mesmo dia da morte do pai, ainda sem saber da triste notícia, Luana precisou ser internada. “Comecei a sentir umas contrações e fui para o hospital, onde segundo o médico iria ficar até no outro dia. Fiz os exames e ainda não seria a hora da Melinda nascer, no entanto estava com um pouco de anemia e precisava me fortalecer”, relata.
Horas depois, ainda na casa de saúde, Luana foi informada que seu pai havia morrido. “Eu fiquei sabendo da morte do sogro, mas conversei com a equipe de profissionais e optamos por não contar para ela no primeiro momento, só depois dos resultados dos exames. Tivemos muito apoio neste momento difícil, pois não desejo para ninguém uma situação igual a essa”, afirma Cardoso.     

O nascimento de Melinda em meio ao diagnóstico da Covid-19
Não bastasse a dor pela perda do pai, Luana e Cardoso ainda precisariam passar por um novo desafio: o casal também testou positivo para a Covid-19. “Ainda no HDP comecei a sentir dor de cabeça e febre, e logo já fomos isolados. Após fazerem o teste também nos diagnosticaram com o coronavírus, mas como os sintomas eram leves, ganhamos alta para fazer o tratamento em casa. No dia seguinte, 13 de março, retornei ao hospital em virtude de novas contrações. Era a hora da Melinda nascer”, diz a mãe.
A segunda filha do casal iria nascer de parto cesárea. A preocupação tomou conta de todos, tendo em vista que Luana iria fazer uma cirurgia e estava com a Covid-19. “Nós tínhamos medo de acontecer alguma complicação e os profissionais de terem que tocar nela. Também tinha a apreensão e o cuidado para que a bebê não fosse contaminada”, conta o esposo.
Luana também tinha o medo de não ter a chance de conhecer a filha. “Quando entrei no bloco cirúrgico dei um beijo no Lucas e disse ‘cuida das filhinhas’, pois eu não sei o que pode acontecer. Provavelmente, a Covid-19 acelerou o processo do nascimento, então por tudo o que tinha acontecido, a morte do meu pai, tantos relatos, eu estava muito nervosa. Inclusive pedi para o meu pai que abençoasse tudo, que desse tudo certo”, revela Luana.

Conhecendo a filha por WhatsApp
Por estar positivo ao coronavírus, Lucas não pôde acompanhar o nascimento da filha, sendo que uma tia do casal ficou no lugar. Quando Melinda nasceu, na madrugada do dia 14 de março, o beijo entre mãe e filha também precisou ser adiado. “O médico disse que estava tudo bem, enrolou ela e deu para a enfermeira levar. Só consegui ver que ela tinha bastante cabelo”, conta a mãe.
A fisionomia da filha só foi conhecida horas depois, quando Luana, em um quarto da ala da Covid-19, visualizou as fotos postadas pela tia Ivanês Candaten no grupo de WhatsApp da família. “Quando ela nasceu que eu escutei o choro eu não consegui ver ela, eles tiraram rápido, que de repente ela não nasceria com o vírus, então foi feito o teste e ela nasceu sem. Aquele cheiro, aquele primeiro momento que você olha, dá um beijo, isso tudo eu não tive”, comenta.

Presente de aniversário
Um dia após o nascimento, em 15 de março, a família pôde enfim se reencontrar. Todos em casa, e com a Melinda nos braços da mãe, um presente para Luana que estava de aniversário. “Não foi o mês mágico que eu gostaria, estava ainda muito abalada pela morte do pai, mas diante de tudo o que aconteceu agradeci muito a Deus por esse presente”, enaltece Luana.

Um novo drama
Três dias após Melinda e Luana receberam alta médica, os sintomas da Covid-19 começaram a se agravar em Cardoso, que precisou ser internado no hospital por cinco dias. “Aí foi a minha vez de me despedir e dizer que eu as amava. Passava um filme e a gente não sabia o que poderia acontecer. Eu no HDP e a Luana em casa, doente, em quarentena da cesárea, sem que eu pudesse ajudar. Não foi fácil, mas mantínhamos contato, todos os dias ela me enviava fotos e vídeos e isso foi o que me ajudou a ter forças e lutar pela vida”, afirma Lucas. 

Um novo começo
Após a recuperação, o casal teve a oportunidade de recomeçar e continuar escrevendo juntos um novo capítulo para suas histórias, só que agora com uma nova personagem, a pequena Melinda. “Foi um desafio, mas vencemos e somos gratos a Deus por tudo isso”, finaliza Luana.
 

Fonte: Jornal O Alto Uruguai