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Defesa dos direitos
Adoção que rompeu barreiras
Conheça a história da diretora do Lar São Francisco, de Frederico Westphalen, que conseguiu adotar uma adolescente acolhida na instituição graças ao apoio da Defensoria Pública
Por: Gustavo Menegusso
Publicado em: domingo, 17 de outubro de 2021 às 10:00h
Atualizado em: domingo, 17 de outubro de 2021 às 10:01h

Mãe de dois filhos, Adrinara Maria Tonezer, de 49 anos, veio de Arroio do Meio, em 2017, para assumir o cargo de diretora-guardiã da Casa de Acolhimento Lar São Francisco de FW. Sua experiência ao longo da vida a credenciou ao novo desafio de ajudar as crianças e adolescentes que temporariamente necessitam se afastarem de seus lares em razão de situações de risco. Porém, o que Adrinara não esperava encontrar no seu ambiente de trabalho era a encantadora Maria Stephanie, uma adolescente negra que lhe cativou à primeira vista. O carinho mútuo entre diretora e acolhida foi logo se transformando em sentimento de mãe e filha. “Eu cheguei no lar com o intuito de fazer um trabalho diferenciado, que as pessoas não vissem mais a instituição como um local que acolhe bandidos, pois essa era a visão que se tinha na sociedade. E aí eu conheci a Maria. Foi algo que não dá para explicar. Se tivesse sido premeditado, mas não, eu vim para Frederico Westphalen para reconstruir minha vida, tinha me separado, porém como já tinha filhos e netos não tinha esse objetivo de adotar, mas aconteceu”, conta a diretora.

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Adrinara Tonezer é diretora da Casa de Acolhimento Lar São Francisco desde 2017
    

Resistência
No entanto, quando Adrinara manifestou o desejo da adoção houve uma certa resistência das pessoas e rede à sua volta pelo fato dela ser diretora e querer adotar uma adolescente que estava acolhida no lar. “Quando eu demonstrei essa minha vontade, a maioria foi contra, não enxergavam que seria uma coisa boa a diretora do lar adotar uma criança da casa de acolhimento. Achavam a situação estranha, porém como eu tinha um cargo de confiança, que iria durar quatro anos, pois o lar aqui é um consórcio que pertence aos sete municípios da Comarca, então eu sabia que minha função poderia ter o tempo da gestão de um prefeito. Quando mudasse o presidente do lar, eu talvez não ocuparia mais esse cargo. Assim, eu iria atrás da documentação da adoção e não teria mais essa resistência”, revela. 

Defensoria atua e mostra que não havia impedimento legal para a adoção
O assunto da adoção veio à tona em uma audiência, em 2019, quando Thiago Oro Caum Gonçalves recém iniciava seus trabalhos como defensor público em Frederico Westphalen. “Tinha-se o receio de gerar uma impressão que a diretora teria que adotar todo mundo ou se criaria um problema para as outras crianças, mas por outro lado tínhamos a vontade da menina, que expressava o desejo de ser adotada. A Adrinara faz um excelente trabalho na casa e seria muito triste se ela tivesse que sair do lar para fazer a adoção. Então, fizemos todo um trabalho mostrando que não havia nenhum impedimento legal até que o pedido foi aceito pelo juiz em agosto de 2020, elas fizeram o estágio de convivência e recentemente fui entregar a certidão retificada com a alteração do sobrenome da Maria”, cita o defensor público.

Caso foi acompanhado pelo defensor público, Thiago Oro Caum Gonçalves

Caso foi acompanhado pelo defensor público, Thiago Oro Caum Gonçalves

“A Adrinara é a pessoa que me trouxe a luz no fim do túnel”
Hoje, Maria Stephanie passou a contar também com o sobrenome de Adrinara, um gesto simbólico desta adoção que rompeu barreiras. “Ela é uma mãe muito exemplar e eu não me imagino vivendo sem ela. Só tenho a dizer que a Adrinara é a pessoa que me trouxe a luz no fim do túnel, é a pessoa que me amou quando ninguém mais me amava, então, eu não tenho palavras para dizer o quanto eu a amo, porque ela é a melhor mãe do mundo”, expressa a adolescente. 
Para a diretora, que continua à frente do Lar São Francisco, mas agora com a Maria como filha e morando na sua casa, a atuação da Defensoria Pública foi fundamental para o “sim” do juiz. “O Thiago é mais um filho que eu ganhei, se não fosse o trabalho dele e da Defensoria, tudo isso não teria sido possível”, finaliza a mãe.

Maria Stephanie passou a ter o sobrenome da mãe Adrinara, um gesto simbólico desta adoção que rompeu barreiras

O trabalho da Defensoria Pública
Com amplas áreas de atuação, a Defensoria Pública recebe inúmeros casos de família, (divórcio, união estável, alimentos, guarda), demandas de saúde, casos de consumidor, situações envolvendo crianças e adolescentes, de adoção, terras, violência doméstica, e também casos criminais. Na Comarca de Frederico Westphalen, além de Gonçalves também atua a defensora pública, Paula Guerrero Moyses. “O papel da Defensoria é humanizar. Cada instituição tem sua função e a da DPE é enxergar a pessoa por trás daquela folha que envolve a vida dela”, destaca Paula. 

Na Comarca de Frederico Westphalen, além de Gonçalves também atua a defensora pública, Paula Guerrero Moyses 

Como contatar a Defensoria Pública de Frederico Westphalen?
Localização: Rua Presidente Kenedy, 1201, sala 101, Centro de Frederico Westphalen.
Horário de atendimento: 9 horas às 12 horas e das 13 horas às 18 horas
Telefone: (55) 3744-2211; WhatsApp: (55) 9.9664-2760
E-mail: [email protected]

Municípios da Comarca de Frederico Westphalen
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Caiçara
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Fonte: Jornal O Alto Uruguai