Na reta final, o eleitor fez um voto mais alinhado
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terça, 04 de outubro de 2022

No início de junho de 2022, a maioria dos eleitores gaúchos ainda estavam “magoados” com a renúncia de Eduardo Leite. Pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião identificou que, precisamente, 67,4% dos eleitores afirmavam que ele não deveria ter renunciado. Sendo que em março, no momento da renúncia, este índice chegou a 75%.
Na sequência, especialmente seus simpatizantes, ficaram preocupados com a sua candidatura a um segundo mandato. Ainda em junho, 60,7% dos gaúchos acreditavam que Eduardo Leite deveria manter a sua palavra e não concorrer à reeleição. Também não aceitavam o argumento retórico de que uma segunda eleição era diferente de reeleição. 
Sua imagem sofreu mais um abalo com o ruído sobre sua “pensão como ex-governador”. A tal pensão estava associada à interpretação de uma lei aprovada em 2021, na Assembleia Legislativa, que previa um “subsídio” por 4 anos após o mandato, proporcional ao tempo do mandato exercido.
Eduardo precisava administrar o stress associado à sua imagem pessoal, que aumentou sua rejeição, e tinha a necessidade de retomar o debate da continuidade, que havia esmorecido com a sua pré-campanha ao Planalto. Um terço dos gaúchos aprovavam seu governo, mas as marcas reconhecidas eram frágeis, menores que sua avaliação positiva. Quando a eleição começou, o seu governo era lembrado por colocar as contas em dia e gerenciar a pandemia. O projeto Avançar não era reconhecido pela massiva maioria. Os que detinham algum nível de informação sobre o programa, o classificavam como uma promessa ou até mesmo sonho.  
Como se não bastasse, Eduardo Leite ainda tinha que superar a tendência natural de “voto casado” que poderia privilegiar as candidaturas de Onyx Lorenzoni e Edegar Pretto. Diante da polarização nacional, desde o começo de 2022 os eleitores gaúchos aventaram a possibilidade de fazer um alinhamento natural do voto, votar no candidato a governador do mesmo partido do presidente da república. 
Diante deste contexto, Eduardo Leite começou a campanha eleitoral prestando contas ao eleitor. Explicou todos os temas que estavam postos e faziam ruído a sua imagem, fazendo uma storytelling contextualizou que um governador candidato é diferente de um candidato governador e que voltou pois tinha uma missão a cumprir, dar continuidade e que iria “fazer mais e melhor”. Em pouco tempo, passou a liderar as pesquisas eleitorais, que mantiveram esta tendência até a semana da eleição.
Com o prenúncio da candidatura de Lula ganhar no primeiro turno, os eleitores anti-PT reagiram e fizeram voto útil à Jair Bolsonaro, esvaziando os votos da terceira via. Este movimento favoreceu Onyx Lorenzoni, que ficou na primeira posição deste primeiro turno.
Como o segundo turno é uma nova eleição, Eduardo Leite terá que reposicionar o pedido de continuidade, explicando que fazer mais não significa que fez pouco e que fazer melhor não está associado à ideia de que fez mal feito. Além disso, precisa enfrentar a polarização nacional e a tendência de ampliação do voto casado, entre Bolsonaro e Onyx. 
A sorte de Eduardo Leite estar no segundo turno foi que 0,05% do eleitor lulista não fez um voto totalmente casado para Edegar Pretto, o deixando fora da disputa por uma diferença de 2.492 votos.
 

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