Edição Digital Quinta, 02/07/2026 Ler agora
4297 - Quinta
safra 2026

Região de FW acompanha queda da área dedicada ao trigo

Na região, área destinada à cultura deverá encolher 29,8%, segundo Emater/RS-Ascar

(Foto: Arquivos AU)
(Foto: Arquivos AU)

A redução da área destinada ao trigo em 2026 também será sentida na região de Frederico Westphalen. Dados preliminares da Emater/RS-Ascar apontam retração no cultivo em importantes municípios produtores, acompanhando o movimento observado em todo o Rio Grande do Sul.

Em Frederico Westphalen, a área semeada deverá passar de 2.850 para 2.000 hectares, uma redução de 29,8%. Já em Sarandi, o recuo é ainda mais expressivo, com diminuição de 6.750 para 4.000 hectares, representando queda de 40,7%.

Os números regionais refletem um cenário semelhante ao estadual. No Rio Grande do Sul, a área cultivada com trigo deverá cair de 1,16 milhão para 814,2 mil hectares, redução de 30,1%, conforme o primeiro levantamento da safra de inverno divulgado pela Emater/RS-Ascar.

Fatores influenciam decisão dos produtores

A diminuição da área plantada está relacionada à combinação de preços menos atrativos para o cereal, dificuldades de acesso ao crédito rural, elevado endividamento dos produtores e incertezas climáticas para a fase final da cultura.

Além disso, a previsão de formação de um evento El Niño durante o segundo semestre gera preocupação entre os agricultores. A expectativa é de aumento das chuvas e da umidade durante a primavera, período considerado decisivo para o desenvolvimento e a colheita das lavouras.

Segundo o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Mateus Stefanello, o trigo desempenha papel fundamental como cultura antecessora da soja, promovendo a cobertura do solo, a ciclagem de nutrientes e contribuindo para a sustentabilidade do sistema produtivo.

Entretanto, a baixa rentabilidade observada nos últimos anos tem levado à redução da área cultivada com a cultura, comprometendo os benefícios agronômicos proporcionados pelo trigo nos sistemas de sucessão. “Diante desse cenário, os produtores rurais vêm buscando alternativas de inverno que apresentem maior retorno econômico, destacando-se culturas como a canola e a carinata, que têm despertado crescente interesse em função do seu potencial de rentabilidade e da diversificação dos sistemas de produção”, complementa Stefanello.

Produção estadual deve recuar mais de um terço

Com a redução da área cultivada e menor expectativa de investimento nas lavouras, a produção gaúcha de trigo está projetada em 2,2 milhões de toneladas, queda de 36,3% em comparação à safra anterior. A produtividade média estimada é de 2.701 quilos por hectare, recuo de 8,9%.

Enquanto o trigo perde espaço, outras culturas de inverno avançam no Estado. A canola deverá ampliar sua área em 102,6%, alcançando 353,3 mil hectares, impulsionada pela demanda da indústria de biodiesel. Também cresce o interesse pela carinata, utilizada na produção de combustível sustentável de aviação (SAF).

No conjunto das culturas de inverno, o Rio Grande do Sul deverá cultivar 1,57 milhão de hectares em 2026, redução de 10,7%. A produção total de grãos está estimada em 3,7 milhões de toneladas, volume 22% inferior ao registrado em 2025.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai