Edição Digital Quarta, 12/08/2026 Ler agora
4332 - Quarta
Associativismo

Palestra na UFSM/FW aponta caminhos e desafios para o empreendedorismo

Empresário José Luiz Haubert compartilhou trajetória até a consolidação de rede associativista, destacou a união de forças, a valorização humana e o papel transformador da educação

(Crédito: Sabrina Santana Lins)
(Crédito: Sabrina Santana Lins)
Resumo
  • Cooperação fortalece negócios: Haubert destacou o associativismo como estratégia para pequenos e médios empreendedores competirem e crescerem.
  • Red TokLar mostra força da união: A rede reúne 82 associados, mais de 130 lojas e projeta movimentar cerca de R$ 280 milhões neste ano.
  • Relações humanas ganham importância: Mesmo com o avanço da Inteligência Artificial, empatia, colaboração e capacidade de lidar com pessoas seguirão essenciais.
  • Educação impulsiona oportunidades: O empresário defendeu conhecimento, leitura e estudo contínuo como fundamentais para o desenvolvimento e a transformação do Brasil.

Diante de um cenário econômico e tecnológico em rápida transformação, o empreendedorismo exige cooperação, leitura crítica de mercado e foco na essência humana. Foi com essa premissa que o empresário José Luiz Haubert conduziu a palestra Redes de Cooperação. Uma saída?, realizada na quarta-feira, 12, na UFSM/FW.

Ao longo da conversa, Haubert compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, lembrando que os primeiros passos foram dados com a venda de instalações elétricas de porta em porta e enfrentando o período de hiperinflação. A mudança começou durante uma viagem a uma feira com outros empresários da região, que viram na união de forças uma oportunidade de comprar em grande escala e assim competir com os grandes varejistas. 

Associativismo como solução para os negócios

Um programa estadual de fomento a redes de empreendimentos populares e cooperativas de produção viabilizou a estratégia que reuniu empresários do noroeste gaúcho e do Paraná no começo dos anos 2000. Esse esforço combinado resultou na criação da Red TokLar, que hoje reúne 82 associados, tem mais de 130 lojas, mantém parceria com cerca de 60 fornecedores e projeta uma movimentação econômica para este ano da ordem de R$ 280 milhões. 

Segundo o palestrante, vivemos uma era marcada pelo individualismo,na qual o associativismo surge como uma verdadeira solução para pequenos e médios negócios. Conforme explicou, unir esforços é uma ferramenta de sobrevivência e prosperidade. 

Relações humanas, a chave do futuro

Ao analisar os desafios contemporâneos, José Luiz Haubert destacou a dualidade do avanço tecnológico. Se por um lado a tecnologia encurta distâncias e gera eficiência, por outro exige atenção principalmente quanto aos impactos negativos das redes sociais. 

Sobre a ascensão da Inteligência Artificial (IA) e a reconfiguração do mercado de trabalho, o empresário foi taxativo ao afirmar que a IA transformará as profissões e haverá perda de postos de trabalho. Mas, na sua visão, a essência humana continuará insubstituível. “A Inteligência Artificial não substitui o ser humano. Nós nunca seremos máquinas”, declarou.

Para ele, os profissionais de destaque do futuro serão aqueles capazes de “lidar com gente”. Será essencial, aponta, praticar a empatia, valorizar a colaboração dos funcionários nos processos de gestão, melhorar os relacionamentos e gerir as pessoas, visando manter os ambientes saudáveis e os negócios sustentáveis. 

Comércio internacional

O palestrante comentou sobre o cenário do comércio internacional. Mencionando o crescimento exponencial da China, que segundo ele vem impulsionado por centros de excelência educacional, fez um alerta sobre o processo de desindustrialização brasileira, que é visível, por exemplo, na retração da indústria têxtil gaúcha diante da competição do mercado chinês. O empresário ainda advertiu sobre a previsão do dragão concentrar a produção de 50% de toda a manufatura global até 2030.

Otimismo e transformação pela educação

O palestrante encerrou sua fala reafirmando sua postura de “eterno otimista” e ressaltando que o Brasil continua sendo o país das oportunidades, especialmente no campo do agronegócio, que ele classificou como “a locomotiva do país”. Para aproveitá-las, contudo, apontou que é indispensável o conhecimento.

Para ele, a base de tudo é a educação e que somente a leitura e o estudo contínuos podem abrir as janelas da visão crítica. Haubert ainda salientou o importante papel da universidade pública e como o campus da UFSM em Frederico é um importante espaço para o desenvolvimento. Ele concluiu o evento lembrando que somente a educação poderá transformar o Brasil e, portanto, deve estar no centro de todas as nossas decisões. 

Fonte: Jornal O Alto Uruguai, com informações da UFSM/FW