Menos chuva e temperaturas acima da média para junho
Temporada do El Niño chega ao fim e La Niña pode trazer estiagem
Depois de os gaúchos terem sofrido a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, o mês de junho deve ser marcado por chuvas abaixo da média, segundo informou a MetSul Meteorologia. Os maiores volumes de chuva na região Sul devem ocorrer somente na segunda metade do mês, com a chegada do inverno, às 17h51min do dia 21.
Já quanto as temperaturas, os meteorologistas afirmam que para a segunda quinzena são esperados ainda alguns dias mais frios, com temperaturas perto ou abaixo da média, em particular no Sul do Estado. Ainda, existe a possibilidade de período mais quente que o normal para essa época, pois o ar quente do território brasileiro vai avançar mais para o Sul, o que explica o predomínio de marcas acima da média.
Temporada do El Niño chega ao fim
O El Niño, após ter sido um dos principais fatores pelo excesso de chuva no Rio Grande do Sul desde o ano passado, chegou ao fim. De acordo com a MetSul Meteorologia, mudanças na atmosfera ainda vão acontecer, mas essas deixam de ser decorrentes do El Niño.
O fenômeno já tinha previsão para terminar entre abril e junho de 2024, e a projeção foi divulgada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), na 7ª edição do Boletim Painel El Niño 2023-2024. De acordo com a ANA, e divulgado pela CNN, desde junho do ano passado, o El Niño apresentou uma faixa de águas quentes em grande parte do Pacífico equatorial. Apesar de apresentar atividade irregulares desde agosto, o fenômeno mostrou sinais de enfraquecimento em relação aos meses anteriores.
A partir de agora, a tendência é que as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial se resfriem ainda mais com a instalação de um quadro de neutralidade de curta duração na transição para a La Niña.
O fenômeno tem impactos relevantes no sistema climático global, e é caracterizado por temperaturas abaixo do normal na superfície do Oceano Pacífico equatorial, central e oriental. O episódio, portanto, contrasta com o El Niño, o que significa que as águas do oceano Pacífico ficam mais frias do que o normal. Em sua última aparição, entre 2020 e 2023, a La Niña trouxe sucessivas estiagens no Sul do Brasil e uma crise hídrica no Uruguai, Argentina e Paraguai.
No território brasileiro, os efeitos variam de acordo com a região. Assim, o Sul do Brasil é uma das que sofre com o episódio, onde o risco de estiagem se torna maior e apresenta menor quantidade de chuva, embora que mesmo com a La Niña possam ocorrer eventos de chuva excessiva a extrema com enchentes e inundações. Por outro lado, o Norte e o Nordeste registram um aumento das precipitações.
Segundo a MetSul Meteorologia, além da chuva, a La Niña influencia as temperaturas em diferentes partes do mundo. A região Sul, por exemplo, passa a apresentar maior ingresso de massas de ar frio. Porém, com a presença de estiagens, há, simultaneamente, o aumento de ondas de calor e marcas extremas de temperatura alta nos meses de verão.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai