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Sábado 25-07-26
Obra de fé

Cada detalhe da reforma da Igreja Matriz de Pinhal foi pensado para contar uma história

Arte sacra, trabalho artesanal e tecnologia se encontram em um projeto que preserva a tradição enquanto prepara o templo para o futuro

(Foto: Marcos Silva/ Jornal O Alto Uruguai)
(Foto: Marcos Silva/ Jornal O Alto Uruguai)

Há um aspecto da religiosidade que atravessa séculos e permanece vivo mesmo em um tempo marcado pela produção em série e pela automação: o fazer manual. Desde os primeiros templos cristãos, pinturas, esculturas, vitrais, altares e imagens sacras carregam mais do que valor artístico. São expressões de uma tradição que compreende o trabalho humano como parte da própria experiência da fé. Em Pinhal, essa herança ganha novos contornos durante a maior reforma já realizada na Igreja Matriz Imaculada Conceição.

Elaborado pela arquiteta Liara Cristina Bohn, pós-graduada em Arte Sacra, o projeto alia recursos contemporâneos a técnicas artesanais. “Hoje existem máquinas capazes de fazer praticamente tudo, mas, quando o homem trabalha com as próprias mãos, aquilo se torna único”, afirma o pároco Lucas Rafael Marinho Folego. A obra contempla renovação artística e estrutural, novas instalações elétricas, climatização, iluminação e sonorização. Enquanto a obra, com inauguração prevista para 19 de março de 2027, não é concluída, as missas seguem no salão paroquial.

Apesar da movimentação, o interior preserva o silêncio característico de uma igreja. Em uma mesa instalada no centro do templo, o artista paraguaio Ruben Dario Díaz Casco pinta, uma a uma, as pequenas estrelas que formarão o céu atrás do presbitério. Para o artista, a arte sacra é um chamado que ultrapassa a profissão. 

“É um complemento da vocação que Deus me deu”, resume.

Sobre um andaime, outro integrante da equipe aplica ornamentos às paredes. Os vitrais ainda não foram instalados, e a luz atravessa livremente as janelas.

Entre os materiais, uma imagem sacra aguarda o momento de retornar ao seu lugar. Sobre a cabeça do santo, um capacete de segurança acrescenta um detalhe inesperado à cena, como se ele acompanhasse o andamento dos trabalhos.

(Foto: Camila Oliveira)

A fé contada pela arte

O azul percorre paredes, ornamentos e o presbitério e orienta a concepção artística do templo. Ligada à Imaculada Conceição, a cor remete ao céu, à pureza e à realeza espiritual. Logo na entrada, anjos sustentam a oração da Ave-Maria em latim.

Nas laterais, 22 vitrais representarão a Via-Sacra, episódios da vida de Maria e os quatro dogmas marianos: Maternidade Divina, Virgindade Perpétua, Imaculada Conceição e Assunção, proclamados entre 431 e 1950. Produzidas em São Paulo, as peças seguem o estilo isabelino, que mistura o gótico tardio com influências flamencas, andinas/mudéjares e renascentistas. 

No presbitério, um retábulo de madeira com cerca de sete metros sustentará o quadro da coroação da Virgem Maria. Ao fundo, as estrelas pintadas por Ruben completarão o conjunto.

A proposta artesanal também se estende aos bancos e ladrilhos. Na tradição cristã, o trabalho manual é compreendido como vocação e expressão dos dons recebidos, com referências a Deus como criador e ao ofício exercido por Jesus como carpinteiro.

Produzidos à mão, esses elementos representam mais do que uma escolha estética. O tempo, a técnica e o talento dedicados à obra assumem o sentido de oferta a Deus e de serviço à comunidade.

(Foto: Marcos Silva)

Tradição e conforto no mesmo espaço

Se os elementos artísticos preservam uma tradição secular, as intervenções técnicas respondem às necessidades atuais da comunidade. Os novos sistemas foram incorporados para melhorar o funcionamento do templo sem alterar sua identidade litúrgica.

 “Se a pessoa não escuta direito ou sente muito calor ou frio, não participa da celebração da mesma forma. Tudo isso ajuda a criar um ambiente onde possa rezar melhor”, explica o pároco. 

Enquanto a obra avança, as missas seguem no salão paroquial, onde a comunidade se reúne há mais de um ano.

(Foto: Camila Oliveira)

Um legado construído por muitas mãos

Estimada entre R$ 1,6 milhão e R$ 1,7 milhão, a reforma é financiada por promoções e doações, com a participação direta da comunidade. Entre as ações realizadas, uma campanha permitiu que famílias, empresas e demais interessados adotassem um vitral. Como forma de reconhecimento, o nome dos doadores será registrado nas peças. Essa mobilização soma-se ao trabalho de artistas, marceneiros, vitralistas e outros profissionais envolvidos na transformação da igreja.

Para o padre Lucas, o esforço coletivo permitirá que o templo continue acolhendo a comunidade nas próximas décadas. 

“A próxima geração não vai precisar construir outra igreja. Vai precisar cuidar daquilo que estamos deixando”, afirma.

Para contribuir com a reforma, entre em contato através do WhatsApp (55) 99983-2045 ou Instagram @imaculada_conceicao_pinhal.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai