Amzop celebra 60 anos de articulação e conquistas para a região
Fundadores, ex-presidentes e gestores resgataram a trajetória, a evolução regional e defenderam a união entre os municípios durante jantar que comemorou seis décadas da entidade
Resumo
- A Amzop celebrou 60 anos na sexta-feira, 3, em Pinhal, reunindo prefeitos, ex-presidentes e lideranças regionais, além do lançamento da revista comemorativa.
- Fundadores e ex-presidentes destacaram conquistas históricas da entidade, como avanços em infraestrutura, acesso asfáltico, telecomunicações e fortalecimento do municipalismo.
- A associação também ampliou sua atuação com capacitações descentralizadas e maior articulação com universidades, cooperativas e entidades regionais.
- As lideranças defenderam a cooperação entre os municípios como principal legado da Amzop e base para os desafios das próximas gerações.
Seis décadas de articulação política, defesa do municipalismo e mobilização regional marcam a trajetória da Associação dos Municípios da Zona da Produção (Amzop), que celebrou seus 60 anos de fundação na sexta-feira, 3, em solenidade realizada no Centro de Educação, Treinamento e Recreação da Fundaluz, em Pinhal. O evento reuniu prefeitos, ex-presidentes, autoridades e representantes de instituições regionais em um momento de resgate histórico e projeção dos desafios das próximas gerações.
Sediando a comemoração, Pinhal recebeu lideranças de toda a região. A programação foi marcada por homenagens aos ex-presidentes da entidade e pelo reconhecimento aos prefeitos. Também foi lançada a revista comemorativa dos 60 anos, reunindo registros e marcos da trajetória institucional da associação. O prefeito Luiz Carlos Pinto Ribeiro destacou a satisfação em receber o encontro e agradeceu à Creluz e ao presidente da cooperativa, Elemar Battisti, pela cedência do espaço que abrigou a programação.
A solenidade abriu espaço para um resgate da trajetória da Amzop, que ao longo de sua história acompanhou as transformações políticas, econômicas e administrativas da região. Em entrevistas concedidas ao jornal, fundadores, ex-presidentes e gestores revisitaram diferentes períodos dessa construção coletiva.
Das primeiras lutas às conquistas regionais
Esse percurso histórico foi lembrado pelo atual presidente da Amzop, Eder Wink, ao destacar que o contexto regional é hoje bastante diferente daquele da fundação da entidade. Segundo ele, o processo de emancipação de municípios e a reorganização administrativa alteraram a composição da associação ao longo dos anos, sem modificar sua essência.
"O objetivo é o mesmo: estarmos brigando pelo municipalismo, pois é nos municípios que as coisas acontecem."
A defesa do municipalismo, segundo Wink, sempre esteve no centro das pautas da Amzop, especialmente nas primeiras décadas de atuação.
Um dos fundadores da entidade, o engenheiro Fernando Carrion, pontuou que a integração viária foi uma das principais bandeiras desde o início, considerada essencial para o desenvolvimento regional. Esse cenário também foi abordado pelo ex-presidente e prefeito de Ametista do Sul, Gilmar da Silva, que comandou a Amzop em 2019, quando a entidade reunia 43 municípios. Ele destacou que a mobilização conjunta dos prefeitos foi decisiva para avanços estruturais, como a criação, junto à Assembleia Legislativa do RS, da comissão dos municípios sem acesso asfáltico.
"A nossa associação, que há anos atrás era considerada a zona pobre do Estado, hoje é a Zona da Produção".
Para o prefeito de Ametista do Sul, essa transformação está diretamente ligada à articulação política regional e à força do setor produtivo, que caminharam junto ao trabalho desenvolvido pela associação ao longo dos anos.
O ex-presidente Agenos Finck, que comandou a associação na gestão 1991-1992, reiterou e recordou demandas majoritariamente superadas. As telecomunicações, ainda precárias em diversos municípios, eram uma das principais reivindicações de sua época como presidente.
"Nos anos 1990, a telefonia era uma das grandes necessidades da nossa região."
Com o avanço da infraestrutura e das tecnologias de comunicação, essas pautas foram sendo gradualmente vencidas, acompanhando a transformação econômica da região e a ampliação dos serviços básicos.
Uma história construída pela cooperação
Esse processo de evolução não se restringiu às pautas externas da entidade, mas também alcançou sua estrutura interna. Ex-prefeito de Seberi e ex-presidente da Amzop, Marcelino Galvão Bueno Sobrinho recordou o período em que a associação funcionava com sede itinerante, o que tornava a gestão mais complexa e burocrática.
A instalação de uma sede fixa em Seberi representou, segundo ele, um marco importante de organização, que garantiu mais agilidade administrativa e fortaleceu a continuidade dos trabalhos entre as diferentes gestões.
Na etapa mais recente dessa trajetória, o presidente da Amzop em 2025 e atual prefeito de Seberi, Adilson Balestrin, destacou que a entidade passou a ampliar sua atuação ao descentralizar cursos, encontros e capacitações para diferentes municípios da região. Isso aproximou gestores e servidores das ações da associação e fortificou a qualificação da gestão pública.
Balestrin também ressaltou a importância de ampliar a articulação institucional da Amzop com universidades, setor produtivo, cooperativas e demais entidades regionais, reforçando seu papel de representação coletiva.
Legado e futuro do municipalismo
O aniversário de 60 anos também foi marcado por reflexões sobre o futuro da entidade. Fernando Carrion e Marcelino Galvão Bueno Sobrinho destacaram que a continuidade da Amzop depende da preservação de princípios como ética, compromisso público e atuação conjunta entre os municípios.
"Honestidade não é qualidade, é obrigação. É obrigação.", enfatizou Carrion.
Na mesma linha, reforçaram a importância da cooperação como base da atuação regional.
"Trabalhem de forma coletiva, nada de individualismo.", encerrou Galvão Bueno Sobrinho.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai