Procura-se um candidato honesto
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quarta, 03 de agosto de 2022

As pesquisas quantitativas e qualitativas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião indicam que a honestidade é o principal atributo avaliado na escolha de um candidato: 5 de cada 10 gaúchos procuram um candidato honesto para votar. E não importa o cargo, a honestidade é importante para eleger um Presidente, um Governador ou até mesmo um Senador.
Esse já era o principal fator de decisão das últimas eleições, em especial, a de 2018 quando era “chique” termos como “ficha limpa” ou operação Lava Jato. 
    Os cientistas do IPO têm se debruçado na investigação do que é honestidade para o eleitor. Para tanto, tem-se utilizado uma pergunta raiz, que é quando se faz uma nova pergunta, em cima da resposta dada. Se o principal fator de decisão é a honestidade, como o eleitor faz para avaliar se um candidato é honesto?
    A técnica da pergunta raiz mapeou três diferentes leituras sobre a honestidade de um político, sendo elas:
    a) Perspectiva tradicional do mundo político = onde se espera que o candidato não roube, não se corrompa e não deixe o seu time se corromper. É a visão que dominou o debate da última eleição. Quando há denúncias comprovadas de desvio de verbas, malversação de recursos públicos ou enriquecimento pessoal, o candidato é maculado com a máxima de corrupto.
    b) A leitura do caráter = ocorre quando o eleitor analisa o conjunto da obra, o comportamento ético e íntegro de um político. Neste tipo de avaliação, a honestidade precisa ser um valor intrínseco à vida pregressa de um candidato. Levam em consideração elementos fragmentados de seu histórico, da relação do candidato com sua família, com colegas de trabalho, com o mercado financeiro e com a sociedade de forma geral. Para o eleitor que avalia a honestidade com uma visão 360º, se houver uma denúncia que mostre que o candidato enganou alguém ou não pagou uma conta, deu! Esse candidato já recebe o carimbo de desonesto, de mau-caráter.
    c) O princípio da demagogia = para uma grande parcela dos eleitores que defendem a honestidade como atributo decisivo para sua intenção de voto, honestidade significa cumprir o prometido. Esses eleitores repudiam o candidato que mente, que promete algo que não pode fazer ou que sabe que não irá fazer. Para este grupo de eleitores, a honestidade de um político é medida pelo cumprimento de suas promessas, a honestidade é associada a ter palavra, ao antigo conceito do “fio de bigode”.
    Ao analisar as diferentes percepções sobre o conceito de honestidade, foi possível compreender a acomodação da lógica do “rouba, mas faz”. Para muitos eleitores a honestidade de um político não é medida por sua associação à corrupção, tendo em vista que a corrupção é percebida como algo perene na política, “não há político que não roube ou que não deixe roubar”. Para a maioria desses eleitores, é como se a corrupção fizesse parte do sistema político.
    No atual cenário em que vivemos, um político íntegro, que cumpra o que promete, pode ser considerado um candidato honesto, mesmo estando envolvido em escândalos de corrupção.
 

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