Papo em família
Papo em família

Sou Graziella Damo Fontoura, 42 anos, resido em FW. Formada há 18 anos em Serviço Social pela Universidade Regional Integrada-URI. No blog conversaremos sobre a dinâmica familiar e suas rotinas, educação em relação aos filhos, como ser uma mulher e mãe de família entre outros assuntos que envolvem o cotidiano das famílias atuais.

Mulher de 40!

Passei alguns anos da minha vida imaginando como seria ser uma mulher com 40 anos

Tags: despedidas, felicidade, amizades, conceitos, valores, mudanças, personalidade, identidade, mulher.

Publicado em 01/06/2018, última alteração em: 01/06/2018 15:14 por Graziella Damo Fontoura.


Passei alguns anos da minha vida imaginando como seria ser uma mulher com 40 anos. Um dos motivos era porque eu convivia com mulheres dessa faixa etária, embora eu ainda estivesse na casa dos 30 naquela época. Comentários do tipo “nossa, tudo cai!!!”, a pele fica seca, as linhas de expressões se atenuam, você perde excessivamente massa muscular, o teu rosto já não é mais o mesmo, fios brancos já são muitos que dominam a sua cabeça e precisamos com urgência partir para os procedimentos estéticos, que nos ajudem a encontrar a identidade que possuíamos.

Esses eram um dos poucos relatos que eu presenciava, mas, felizmente, há dois anos cheguei aos 40 anos e posso dizer que é tudo isso e mais um pouco, mas o outro pouco é tudo de melhor que a vida possa oferecer nesse período. Exatamente... Fisicamente passamos a ter algumas mudanças, que para muitas mulheres pode ser um “choque”, e para outras nem tanto.

Falando mais da minha pessoa, ao chegar aos 40 percebi que estamos no auge da consolidação da nossa personalidade, os nossos valores, conceitos e conselhos já são outros, que talvez nas outras fases da vida não fossem tão importantes assim. Já não me preocupo com os que as outras pessoas irão pensar ao meu respeito, falo o que considero correto, aceito diversas versões sobre os fatos, já não tenho mil amigos, mas sim meia dúzia que posso contar no meu cotidiano. No trabalho já não busco me destacar e demonstrar a competência profissional, mas sim, faço prevalecer o que é correto e digno para todas as pessoas, olhando a todos da mesma forma.

Lembro-me que sempre dancei desde os seis anos e encerrei tal período aos vinte. Naquela época escutava a música, decorava a coreografia, mas não prestava atenção na letra da música, o que de fato era a coisa mais importante (isso percebi apenas com o passar dos anos), pois cada movimento realizado era uma parte do que a música expressava e a história e sentimentos que estaríamos vivenciando. Caminhava rapidamente pensando na queima calórica, realizava movimentos que garantissem uma musculatura mais definida buscando sempre atingir os padrões da mulher esteorotipada, perfeita aos olhos da sociedade.

 

Hoje caminho prazerosamente. Meus passos são conforme o meu instinto. Ando mais devagar, aprecio os lugares que passo, ouço os barulhos que me convém, observo a paisagem (céu, árvores, pássaros, residências, plantas, ruas e etc) e utilizo o meu pensamento para as coisas boas da vida. Geralmente caminho fazendo uma retrospectiva!!! Gratidão passou a ser a palavra que usei muito após os 40. Grata pela família que construí, grata pela saúde que tenho (nossa como a saúde passa a ter um valor enorme e outra conotação), pelos ensinamentos da família de origem, por poder proporcionar na medida do possível o essencial e necessário aos meus filhos, ter a dádiva de poder pensar por conta própria, estabelecer a rotina conforme desejo, embora nessa fase desejaria trabalhar um pouco menos e viver cada dia mais.

Mas, uma coisa que essa fase vem me ensinando também, são as despedidas. Há tempos a morte era algo insuperável, o fim de tudo e que passaríamos a viver numa tristeza profunda. Hoje vejo a morte como algo inevitável, como algo que todos passaremos, e tenho como sentimento de que num outro lugar iremos nos encontrar. Mas, partindo dessa premissa, passo a valorizar cada momento da minha vida, cada dia bem vivido, buscando sempre ser otimista, embora tenha muito medo de doenças.

Hoje sou uma pessoa do tipo “cabelos ao vento”. Adoro acordar, me arrumar e dar o melhor de mim!!! As minhas preocupações são outras, e a superficialidade e o materialismo excêntrico foram abolidos do meu cotidiano. Amo ser feliz e desejaria que todos fossem felizes. Me aceito como sou, cheia de limitações e já não tenho preconceitos.

Então fica a minha mensagem de hoje, a todas as mulheres na casa dos 40, sejam solteiras, casadas, mãe de família, ou simplesmente mulheres. Sejam felizes com o que têm, não sejam excêntricas na busca da felicidade. A felicidade é algo que construímos a partir dos nossos sentimentos internos para o externo. Sempre me achei muito mais linda de dentro para fora, do que de fora para dentro.

E para findar, segue a música do nosso querido Roberto Carlos, Mulher de 40!

Beijos de luz!

 

 

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