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Sou Paulo Henrique Cadoná, 22 anos, resido em FW. Formado em Pedagogia, abordarei aqui no blog sobre educação, cultura e arte.

PORTE DE ARMAS: O reflexo na educação humana

“Venho na tentativa de fazer refletir, já que muito ser humano por aí ativou uma função de desídia na hora de pensar e não reconhece o mal que isso faz”

Publicado em 22/09/2018, última alteração em: 22/09/2018 20:57 por Paulo Henrique Cadoná.


Olá humano, Paulo Henrique aqui! Espero que estejas bem...

Neste post eu manifesto o luto que sinto nesses últimos dias. Não um luto por alguém que faleceu (ou que ainda não faleceu). Sei que dizer isso parece um tanto forte, mas é a realidade.

Perdoe por escrever isso, meu luto se dá pela ignorância de algumas (muitas) pessoas!

Não gosto de me envolver no assunto política, é muito fácil de se comprar briga... Porém, mexeu com a palavra, ao meu ver, mais bonita do dicionário – HUMANIZAÇÃO - então mexeu comigo. Enquanto pedagogo, sinto-me mais do que na obrigação de zelar pelos direitos humanos.

Muito me admira você mãe, você pai, você ser humano em defesa de uma proposta que está bem mais pra marginal defender.

SIM, EU ESTOU FALANDO DO PORTE DE ARMAS. E O QUE EU TENHO PRA DIZER É MUITO IMPORTANTE.

Venho na tentativa de fazer refletir, já que muito ser humano por aí ativou uma função de desídia na hora de pensar e não reconhece o mal que isso faz. Acho que isso ilustra bem o meu estado de luto.

Um dos presidenciáveis, não preciso mencionar quem, tem em seu plano de governo a liberação do porte de armas... O reflexo que isso desponta na formação do sujeito é deveras impactante. É por isso que resolvi, enquanto neo-pedagogo (e um simples alguém que deseja o bem estar de todo mundo) vir a público falar sobre.

Me falaram que não era de se esperar muito de alguém cujo currículo é tão vazio. Concordo em partes, ele tem formação, não pode-se desconsiderar a bagagem dele, foi militar. Enquanto os mais populares entre os outros presidenciáveis possuem ensino superior. Logicamente o que ele mais entende é de arma (ou acha que entende). Não posso confiar em alguém que está a endeusar as armas.

Em seu plano de governo consta o seguinte:

“EUA, Áustria, Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia, Israel, Suíça, Canadá, etc, são países onde existe uma arma de fogo na maioria dos lares. Coincidentemente, o índice de homicídios por armas de fogo é muito menor que no Brasil. No Canadá, são 600 homicídios por ano! Em Israel 110 e Suíça 40!”

Acontece que não se parou para pensar nos motivos pelo qual isso “funciona” por lá. A educação cuja qual os cidadãos desses países tiveram, educação desde a base, é algo que contribui bastante. A educação que se tem no Brasil, principalmente na base – a educação infantil – é um descaso e só, não é suficiente pra sustentar a ideia, sem falar nos outros eixos - valores humanos - meio pobres por aqui. Com exceções, é claro.

Durante a minha graduação, antes de eu iniciar meu estágio na educação infantil, estava observando a turma do Pré e me deparei com a seguinte situação:

Atividade livre, momento do brinquedo. Alunos e seus brinquedos de montar e desmontar. Professora titular adverte com as seguintes palavras:

- Vocês que vão brincar de construir podem montar o que quiserem, mas já sabem, não pode montar armas, não quero ver ninguém montando armas.

E concordando com a professora, a frase me deixou reflexivo quanto aos motivos que levaram a ela ter dito aquilo. Ou por ser sensata, preocupada, sábia ou algum episódio repercutiu forte na turma ou na escola sobre brincar, de modo que o brinquedo faça uma analogia a arma.

As armas passam essa imagem de violência.

As armas, por mais que pareçam, por vezes a solução para se acabar com a violência, parece o remédio capaz de oferecer segurança, não são!

ARMA É ARMA. Perceba a força que essa palavra de 4 letras tem! Não é um objeto inerente que depende de uma pessoa boa ou ruim para causar estrago. Arma por si só tem uma força e não é uma força positiva! Além de que, por descuido, vamos que essa arma (espera-se que seja muito bem escondida em casa) mas que apareça nas mãos de um bebê. Não tenhas dúvida que o modo curiosidade dessa criança feita de cem entrará em ação ao se deparar com um objeto tão inofensivo, não é mesmo?!

O pior não é o porte de armas, porque na verdade qualquer objeto pode se tornar uma arma. O problema maior é o porte de violência. E a violência se encontra em muitos lugares. Seja ela física ou verbal, e por vezes a verbal dói mais que a física. Ela se encontra no olhar da pessoa, se encontra no sangue que ferve e faz com que a pessoa esbraveje. Se encontra no grito da pessoa e nas palavras de ofensa que ela emite. Gritar com uma pessoa já mostra muito do caráter dela, mostra que ela não tem preparo pra estar ali com aquele ser naquele momento.

A criança vai crescer com uma arma dentro de casa. Todo seu desenvolvimento se dará sabendo que os pais portam uma arma. Comum né? Se ela não mexer não tem problema.

Se ela não mexer, não procurar, não sair revirando os cantos da casa atrás de brinquedo ou qualquer coisa.

Logo ela, a criança da Geração Alpha. Mas ainda bem que a sua ou a criança alpha da sua família é feita de cera e não vai fazer isso. Ainda mais se ela não souber como se usa uma, até porque os pais seguem à risca a classificação indicativa daquilo que passa na TV e controlam o que a filha ou o filho assiste.

E me desculpem se isso ofende a muitos, mas, o presidenciável que está à frente dessa ideia - mirabolante - das armas, adora resolver as coisas no grito e na violência. Ele é um cidadão de bem, ele quer o bem, ele está apenas mostrando a sua visão de mundo e de zelar pelos seus valores. MAS, ele faz isso pensando nos seus e somente nos seus.

Isso é egoísmo, isso é falta de empatia. O que já não o torna uma pessoa tão de bem assim. 

Se eu, enquanto Pedagogo, posso dar um parecer sobre aquele cidadão, tentando entender seus discursos de violência, imagino uma infância bem conturbada. Ele considera o levantar a voz, o grito, a violência uma maneira adequada de resolver as coisas... autoritário né? Porém uma outra palavra define: FRUSTRADO! Mas não posso dar esse parecer.

Quando você é um presidente você tem que pensar no bem estar coletivo, não no que beneficia só os seus. Isso é ir para frente e você não está colocando Deus acima de todos quando diz que as minorias devem se curvar às maiorias. Ninguém é melhor que ninguém, é patético pensar que sim.

Primeiro que bandido não se cura com violência.

NADA SE CURA COM VIOLÊNCIA. VIOLÊNCIA SÓ GERA VIOLÊNCIA.

E se o acidente que ocorreu com ele por meio de uma arma (branca), não foi o bastante pra que ele aprendesse a lição... então pra você que acredita nele é de se pensar se vale mesmo a pena. Aliás, a pena não... o sangue inocente que vai ser derramado.

Agora se você concorda com o porte de armas, faltou você pensar mais nos outros, faltou você pensar mais nas consequências que essa arminha trará. E não é somente pro bandido, ele será o menos prejudicado.

- Mas o sujeito vai ser treinado, não é qualquer um que vai portar uma arma.

MAS VOCÊ ESQUECEU QUE ISSO AQUI É BRASIL?

E se a sua arma for roubada por um bandido?

E se o filho levar a arma pra escola sem que tu saibas?

Nós estamos no setembro amarelo... Mês de prevenção ao suicídio. Se isso não é o suficiente pra te fazer pensar que com essa liberação do porte de armas, a filha adolescente, o filho adolescente, a esposa, o marido, a pessoa vai ter uma possibilidade a mais de cometer suicídio... Olha....  NÓS ESTAMOS FALANDO DE ARMAS DENTRO DE CASA.

Será que isso não vai gerar margem pra aumentar os índices de suicídio? Pense bem.

Isso vai

Encerro com essa mensagem do sumo pontífice, desejando bons ventos à todos e uma excelente semana.

Foto: Reprodução Twitter

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