Piazito de campanha
Por que um pequeno trabalhador de fazenda obrigatoriamente, tem que fazer biscate, vendendo rapaduras em carreira?
Com letra de Jorge Rodrigues de Freitas, Valter Luiz Fiorenza; na voz de Nenito Sarturi, Piazito de Campanha, nos leva a refletir sobre a Ideologia do Gauchismo: “É domingo na fazenda, tem carreira no povoado/O guri pega a cesta não pode ficar parado”. Na época do trabalho escravizado, a labuta não podia parar em domingos e feriados; no entanto, achamos normal este guri não ter direito ao descanso semanal.
“Nos domingos tem carreira e o patrão o dispensou/Piazito de peito aberto calça curta e pé no chão/Ele sai de madrugada, se enfurna na imensidão”. Foi necessário a liberação do dono da fazenda, para em um dia de folga vender os doces que sua mãe fazia.
“Mas de tarde quando o sol já se esconde pra dormir/Num crepúsculo de sonhos o piazito sem sentir/Volta pra estância sem pressa, cesto cheio sem sorrir/Como encarar a mãe velha?/Como encarar os piás?/Se eu sou o homem da casa, que vergonha de voltar/Rapadura cinco pila, o povo não quis comprar”.
Por que um pequeno trabalhador de fazenda obrigatoriamente, tem que fazer biscate, vendendo rapaduras em carreira? Qual a razão dele ter que sair do recinto-fazenda, em busca de socorro à sua subsistência, da “mãe velha e dos piás? Que culpa tem o povo se não possui dinheiro para comprar o produto à venda (rapadura a cinco pila o povo não quis comprar)? Maldito povo, que não se compadece vendo que o piazito volta pra estância sem pressa/cesto cheio – sem sorrir”.
No mês de junho, a cultura do Rio Grande do Sul perdeu o último dos Quatro Troncos Missioneiros: Pedro Ortaça; que junto com Cenair Maicá, Jayme Caetano Braun e Noel Guarny: artistas que com seu talento e trabalho criativo nos deixaram uma mensagem cultural e de reflexão: será que podemos mudar este sistema injusto de distribuição de renda?
Neste ano de 2026 termos eleição para: presidente, governador(a), senador(a) (dois votos), deputado federal e estadual. Quais políticos tem compromisso em trabalhar para que nosso Rio Grande do Sul e Brasil tenham avanços nas áreas: saúde, educação, emprego, segurança, uma reforma tributária justa que não penalize o trabalhador; mas que os super-ricos e as grandes fortunas tenham um taxação justa – o Brasil é a nação que menos cobra imposto da classe alta - como nos países com equalização e uma sociedade mais harmoniosa.
(Dica de leitura: A Ideologia do Gauchismo de Tau Golin)
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