Novos caminhos
Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores
O tio Hermes, que Deus o tenha, sempre dizia que nunca havia se perdido na estrada. Quando alguém duvidava, ele vinha com a resposta pronta de que nunca se perdeu, mas que conheceu novos caminhos. O famoso meio copo cheio.
Baseado nisso, fico pensando sobre a próxima Copa do Mundo e a nossa Seleção Brasileira. Porque, sejamos sinceros, faz tempo que a gente olha para o campo e não reconhece mais o caminho. Troca treinador, muda esquema, gira elenco e a sensação é sempre a mesma: estamos meio perdidos nessa estrada. O treinador é “prateleira de cima”, mas a questão aqui é sobre recursos humanos mesmo.
E no meio disso tudo, lá está o Neymar. Entre lesões, polêmicas e um rendimento que já não empolga como antes, ele continua sendo referência. Não necessariamente pelo que entrega hoje, mas pelo que já foi e principalmente pelo vazio que existe. Porque, no fundo, não é apenas sobre o Neymar, mas também pela ausência de novos protagonistas. Sobre uma geração que promete, aparece em lampejos e fica por isso.
Acho preocupante quando um atleta está tecnicamente em baixa, com lesões recorrentes há um bom tempo e segue sendo pauta de possível convocação. Qualquer situação normal e nem mesmo em pauta estaria, pois não seria convocado e ponto final. Entretanto, o que ocorre hoje é que falamos de alguém que carrega praticamente sozinho esse fardo desde 2014. Aí o jogador vira assunto justamente por não haver outros que possam dar conta do recado.
Voltando ao querido tio Hermes, se ele ainda estivesse por aqui, provavelmente diria que quem viu Falcão, Escurinho, Carpegiani e Mário Sérgio jogar, não se preocuparia com a ausência de um jogador que não lustraria as chuteiras deles. Eu que não teimaria com ele, visto que a galera das antigas nos deixou mal-acostumados mesmo.
Desde que ganhou a primeira Copa, o Brasil ficou no máximo 24 anos sem caneco. E de 2002 até hoje, a competição que se aproxima chegará aos mesmos 24 anos. Certamente bateremos o recorde negativo, pois a lógica indica que não seremos campeões. E aqui tem um pacote de coisas: política, corrupção, geração “Nutella”, enfim. Não caberia tudo em um parágrafo se fôssemos debater as causas desse nosso fracasso dos últimos tempos, onde o fator campo é apenas o fim do processo.
O fato é que ao mesmo tempo em que precisaríamos muito de Neymar inteiro na Seleção, também necessitamos de novos talentos, gente que decide, que bata no peito e diga que é com ele ou, melhor ainda, com eles. Ou seja, novos caminhos, como diria meu tio. Até por que, melhor do que pensar que erramos o trecho, que a gente compre a ideia de que abrimos novos horizontes. A paisagem fica mais bonita olhando desse jeito. Né, tio?
PAPO DE FÉ
“Porque Deus sabe do que precisamos, antes mesmo de pedir”.
– Mateus 6:8
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