Edição Digital Segunda, 06/07/2026 Ler agora
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Política

Não é à toa que se diz que o brasileiro não desiste nunca!

Quando o tema é fé em Deus, os indicadores ultrapassam 90%

É comum que as pessoas critiquem os resultados de pesquisas de opinião, com o argumento de que parecem contraditórios. Imagine os entrevistadores realizando perguntas sobre a crença da população nos políticos, a confiança em instituições como o Congresso Nacional, o STF e os partidos. Os resultados mostram que a massiva maioria não confia nessas instituições.

A pesquisa pode avançar, perguntando se as pessoas estão satisfeitas com o rumo do país, com sua capacidade de compra, e a maioria continuará respondendo de forma negativa. Mudando as perguntas, saindo do campo social e da realidade que vivemos, indo para a expectativa em relação ao futuro, com a possibilidade de a vida melhorar até o final do ano, a ideia de progresso do país, entre outros questionamentos, os dados se invertem. A maioria passa a demonstrar expectativas positivas, acreditando em um futuro melhor. Os gráficos literalmente se transformam: de pessimismo para otimismo. Em média, 75% da população afirma ter expectativa positiva, mostrando fé no futuro e crença no amanhã.

Quando o tema é fé em Deus, os indicadores ultrapassam 90%. São pessoas que acreditam que Deus está no comando de suas vidas, e isso move a crença e a esperança. E quando se fala em fé e esperança, o amor também aparece como motivador: é o argumento que impulsiona cada pessoa a levantar todos os dias. Avançando na entrevista, verifica-se que o amor reside na família ou em outra pessoa.

E aí surge uma nova contradição. Cada vez mais as pessoas gastam tempo consigo mesmas, preocupam-se com o próprio umbigo. Entre os mais jovens, cresce o conceito de individuação, em que o egoísmo chega a ser visto como qualidade. Mas essa mesma pessoa reconhece que a família é a coisa mais importante de sua vida. Para entender a contradição, é preciso a seguinte leitura: cada um está, cada vez mais, voltado para si. Mas sabe que, quando precisar, terá o suporte de alguém que ama ou de alguém que o ama.

As perguntas sobre satisfação com a cidade chegam, em média, a 80%, e o orgulho de ser brasileiro ultrapassa esse número. Mas, na maioria dos casos, quando as pessoas vestem a roupa de eleitores, a grande maioria critica os governantes.

Quando se pensa no Rio Grande do Sul, a maioria se classifica como conservadora na agenda de costumes, em média 55%. Mas grande parte dessas pessoas reconhece que o mundo está mudando e que é necessário conviver com novos comportamentos. Mesmo não concordando, estão aprendendo a respeitar. É comum ouvirmos: “aceito o casamento homoafetivo, desde que não seja com um familiar”. O que parece ser mais uma contradição, na verdade, mostra uma evolução: “eu preservo a minha visão de mundo e respeito a do outro, desde que ele fique na dele”. Muitos progressistas criticam esse tipo de posição nas pesquisas, mas é muito interessante realizar entrevistas com radicais de cada lado, pois as respostas são quase idênticas: “eles só pensam neles”, “eles não nos respeitam”, “eles acham que o mundo é deles” e assim por diante.

Por fim, a opinião pública, em sua maioria, compartilha do reconhecimento do esforço pessoal, com a leitura de que o trabalho é a melhor ferramenta de crescimento. Mesmo que o sonho de trabalho esteja associado a postagens diárias nas redes sociais, como influenciador digital, permanece a ideia de que o esforço individual é essencial para conquistar espaço.

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