Edição Digital Segunda, 17/08/2026 Ler agora
4336 - Segunda
Opinião

Maternidade para além da infância: o cuidado silencioso

Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores

Muito se fala do amor incondicional das mães, vivenciado nos cuidados com seus rebentos em alimentar, cuidar, ensinar e prepará-los para a vida adulta. Esse zelar é visível aos olhos, pois se desvela no plano cotidiano, tanto que vira tema de comercial. São as mães com recém-nascidos, levando as crianças na escola ou preparando alguma refeição, indo ao extremo de mães idosas, rememorando a maternidade. Lindos comerciais, propícios à efeméride mais famosa do mês de maio, que enaltece o Dia das Mães.

Contudo, pouco se evidencia o período da vida adulta dos filhos e sua relação com as mães. Quando muito, se fala do “ninho vazio” e da falta que os filhos fazem quando saem de casa, da crise de identidade das mães quando os filhos crescem e do vazio que sentem por julgarem não ter mais uma função como outrora.

Só que o cuidado nunca deixará de existir. Ele persiste à distância e ao tempo. Deixa de ser visível e passa a ser silencioso. A relação deixa de ser vertical e passa a buscar horizontalidade. O cuidado se transforma para algo mais sutil, que não se anuncia nem se expõe. Apenas registra presença com um “Se precisar, eu estou aqui”, e isso é maravilhoso de se escutar.

A autocontenção das mães em saber o limite para não invadir a vida dos filhos é um exercício constante. É desapegar dos antigos cuidados para se mostrar disponível sem cobranças. É manter o vínculo com pequenos gestos, mas que fazem toda a diferença. É se preocupar sem sufocar com ligações constantes e cobrança de presenças. É confiar no filho, mesmo com medo, e apoiar nos momentos de queda. É acolher ao invés de acusar dizendo “Eu avisei”. É respeitar as escolhas de vida, mesmo que não sejam as sonhadas para o filho. Por fim, é amar sem tentar moldar.

Tudo muito fácil na teoria, mas um constante aprendizado para mães e filhos na prática. Ao fim e ao cabo, o que move essa relação é esse amor sem fim das mães pelos seus filhos.

Logo, não espere o Dia das Mães para se jogar nos braços dela e pedir colo. Comemore esse amor infinito que às vezes sufoca, outras vezes ampara e protege. Como Drummond dizia, “Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não se apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.”

Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores.