Lote: Ser Humano
Os rótulos fazem parte da nossa vida e estão presentes em tudo que percebemos, mesmo que de forma subliminar
Os rótulos fazem parte da nossa vida e estão presentes em tudo que percebemos, mesmo que de forma subliminar.
São os rótulos que indicam o preço, a validade e a origem dos produtos que consumimos, assim como, o valor calórico, se o produto é orgânico, se contém glúten, se é light, diet ou próprio para veganos. Então, a validade em ler e entender os rótulos nas embalagens é importante para a nossa qualidade de vida enquanto consumidores, além de nos assegurar uma vida mais saudável e com produtos de excelência. Mas, e quando os rótulos extrapolam as fronteiras dos supermercados, lojas e farmácias e passam a se referir ao indivíduo?
O que indica o “padrão de qualidade” de um ser humano?
Sua crença, raça, biótipo, titulação, poder aquisitivo, naturalidade, gênero, profissão, status social, partido político que simpatiza ou time que torce?
Certamente não há resposta para essas indagações e, se houver, certamente estará munida de muito preconceito, pois não existe certo ou errado nesses quesitos, no entanto, somos rotulados desde que nascemos.
O excesso de juízo pode ser um problema e afetar de forma demasiada uma pessoa, iniciando por um simples dissabor até se revelar em assédio moral ou bullying. E são tantos os rótulos dedicados à raça humana....
- Quem não reza, logo é ateu, os que rezam demais, são fanáticos.
- Se está desempregado, é preguiçoso. Se trabalha demais, é Workaholic (viciado em trabalho).
- Se é namorador, é safado. Se não namora, têm algum problema.
- Se estuda demais, é nerd. Se estuda de menos, é preguiçoso.
- Se é extrovertido, é “muito dado”. Se fala pouco, é antipático.
- Se é magro, é drogado. Se é gordo, come demais.
- Se diz o que pensa, é grosso. Se não diz, é falso.
Enfim, a lista é longa e recheada de bairrismos e xenofobias como o mito que o baiano trabalha pouco e que o gaúcho é “faca na bota”. A cilada de rotularmos aquilo que foge aos padrões do que conhecemos e julgamos como correto é quase que automático, daí o erro duplo: o da maledicência e o da fofoca. A psicologia busca explicar esse hábito, por conta da dissonância cognitiva, ou seja, entramos em conflito quando recebemos uma informação conflitante e, diante dessa dor emocional, nos afastamos ou agredimos. O rótulo é inclemente e está presente em todos os grupos que convivemos, portanto, sem chance de fugir deles!
Até quando viveremos assim?
Até quando creditaremos maior deferência por tamanho de lattes (currículo acadêmico), titulações e poder aquisitivo?
Pode parecer utopia (e que seja), mas o dia em que o ser humano deixar de ser rotulado como um objeto e visto em sua essência de alma e atitudes, este será o marco de uma nova era.
Bons Ventos! Namastê.
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