Edição Digital Segunda, 17/08/2026 Ler agora
4336 - Segunda
Opinião

Frederico precisa parar de andar em círculos

A cidade não precisa apenas trocar nomes no poder. Precisa mudar o método de governar.

Frederico Westphalen precisa encarar uma verdade que muita gente comenta em silêncio: a cidade não vai avançar enquanto a política local continuar presa à lógica da divisão permanente.

A disputa democrática é normal. Ter partidos, ideias diferentes e projetos distintos faz parte da vida pública. O problema começa quando a eleição termina e a cidade continua sendo tratada como se ainda estivesse em campanha. De um lado, ficam os nossos. Do outro, os que pensaram diferente. E, no meio disso, fica o cidadão comum, que paga imposto, trabalha, produz e precisa que os serviços públicos funcionem.

Esse tipo de política enfraquece Frederico.

Quando uma cidade é dividida entre aliados e adversários, muita gente boa se afasta. Empresários deixam de falar. Servidores evitam se posicionar. Lideranças comunitárias medem cada palavra. Pessoas preparadas preferem ficar longe da vida pública porque não querem entrar em guerra política.

Depois da eleição, o prefeito eleito tem o dever de governar para todos. O morador que não votou no governo também paga imposto. O empresário que apoiou outro candidato também gera emprego.

O agricultor que pensa diferente também produz. O servidor que não pertence ao grupo político vencedor também serve à comunidade.

Prefeitura não é comitê de campanha. Não é propriedade de partido. Não é prêmio para grupo político. É uma instituição sustentada pelo dinheiro de todos e precisa servir toda a população, sem distinção.

Uma gestão madura não tem medo da divergência. Usa o diálogo para decidir melhor. Frederico não precisa escolher entre briga política e silêncio. Existe outro caminho: trabalho, gestão, transparência, diálogo e responsabilidade.

Nos últimos anos, Frederico tem vivido muito a lógica do rodízio político. Sai um grupo, entra outro. Depois o anterior tenta voltar. Mudam os nomes, mudam os discursos, mudam os aliados do momento, mas muitas práticas continuam parecidas. A cidade segue discutindo os mesmos problemas, enfrentando as mesmas dificuldades e perdendo tempo com as mesmas disputas.

Por isso, a pergunta principal não é apenas quem vai governar Frederico no futuro. A pergunta verdadeira é: qual método de governo nós ainda aceitamos repetir?

Porque, se o método for o mesmo, o resultado também será parecido.

Se a máquina pública continuar sendo usada para acomodar compromissos políticos, a eficiência vai cair. Se cargos forem tratados como recibo de campanha, a população vai pagar a conta. Se a competência perder espaço para a conveniência, o serviço público ficará mais lento, mais improvisado e menos preparado para resolver os problemas reais.

É claro que todo governo precisa de pessoas de confiança. Isso é legítimo. Mas confiança não pode substituir capacidade. Cargo público exige preparo, compromisso, presença e resultado. Quem assume uma função pública precisa lembrar que o salário não vem de um grupo político. Vem da sociedade.

Frederico precisa de secretarias que funcionem, servidores valorizados, critérios claros, metas, prazos, acompanhamento e comando. Precisa de uma gestão que resolva, não de uma estrutura montada apenas para equilibrar interesses internos.

A cidade não pertence a um grupo. Pertence ao seu povo.

Frederico não precisa apenas trocar nomes. Precisa trocar o método de governar.

A conta da política de divisão aparece na rua mal cuidada, no serviço que demora, na falta de resposta, na saúde desacreditada, na dificuldade de atrair investimentos, na perda de protagonismo regional e na sensação de que a cidade poderia muito mais, mas continua travada.

Frederico tem gente trabalhadora, comércio forte, produtores, empresários, servidores sérios, instituições importantes e uma posição regional estratégica. O que falta é uma política à altura dessa força. Uma política menos preocupada em proteger grupos e mais comprometida em organizar a cidade.

A prefeitura precisa voltar a ser instrumento da comunidade. Isso significa atender o cidadão pelo seu direito, não pela sua posição política. Significa conversar com quem pensa diferente. Significa chamar empresários, agricultores, entidades, bairros, servidores e lideranças para a mesma mesa. Significa entender que uma boa ideia não deixa de ser boa porque veio de alguém que não é aliado.

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A cidade precisa superar a divisão política, o uso da máquina pública como prêmio de campanha e a exclusão de quem pensa diferente. O futuro depende de gestão, firmeza e compromisso com todos.

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