Família: quando o melhor presente é continuar presente
Há uma projeção que até 2070, os 60+ representarão 37,8% da população, praticamente 4 em cada 10 habitantes do país
Existe uma revolução silenciosa que está reunindo pais, filhos e netos sob o mesmo teto, e não responde apenas por economia doméstica. O retorno de famílias multigeracionais a viverem juntas, também está associado a uma mudança comportamental de busca por uma maior convivência. Retrocesso ou uma revisão a quantas andam nossos vínculos familiares? Por décadas, celebramos a independência em morar sozinhos como um sinal de sucesso. Contudo, a redescoberta da vida comunitária em família, com seus desafios e benefícios, passou a ser considerado como uma opção. Uma mudança de paradigma que já está movimentando o mundo imobiliário, que começa a ofertar novos arranjos de moradia. São modelos projetados em apartamentos ou casas menores, mas que possuem um espaço comunitário em comum, como uma lavanderia, uma academia e uma área de estar para, por exemplo, eventualmente compartilhar refeições. Esse movimento já ocorre há algum tempo na Europa, citando como exemplo a Dinamarca, em que mais de 50 mil pessoas vivem em coabitações. Os Estados Unidos não ficam atrás, apesar de tradicionalmente serem conhecidos por sua cultura individualista, contando com aproximadamente 165 comunidades em regime de coabitação. No Brasil, essa prática ainda não possui dados precisos, o que não nos inibe em refletir como será o futuro, em uma população que está envelhecendo rapidamente. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), o contingente de idosos (60+) representa 15,6% da população, superando pela primeira vez o grupo de jovens entre 15 a 24 anos (14,8%). Há uma projeção que até 2070, os 60+ representarão 37,8% da população, praticamente 4 em cada 10 habitantes do país. Existem aproximadamente 161 mil idosos em instituições de longa permanência (0,5% da população 60+), e os mais de 99% estão dentro das famílias ou em suas casas. No extremo etário estão as crianças pequenas em creches, representando cerca de 4,4 milhões. Em ambos os casos, as famílias buscam formas de cuidados tanto com os filhos nas creches, quanto com os pais idosos que vivem em casas separadas. A ajuda mútua nesse contexto, pode ser facilitada quando a família coabita no mesmo teto. Contudo, longe de romantizar, sabemos que nem toda família consegue ou deve viver junta por várias motivações. Por isso, não há regra de certo ou errado nesse quesito já que existem diferenças de hábitos e conflitos por privacidade que devem ser respeitados. O desafio contemporâneo, talvez seja encontrar um equilíbrio entre autonomia e presença, e em saber que os pais não deixam de ser família quando os filhos se tornam adultos. Cuidar, continua sendo uma das expressões mais profundas de afeto. É saber que ainda pertencemos uns aos outros. Morando juntos ou separados por um oceano, que nunca falte o sentimento de família, e a certeza que o amor é o nosso bem maior.
Bons Ventos! Namastê.
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