Edição Digital Segunda, 17/08/2026 Ler agora
4336 - Segunda
Opinião

“Duro é recalcitrar contra o aguilhão” – Atos 9,5

Esta frase foi usada por Cristo para São Paulo, a caminho de Damasco

Confesso que custei a entender esta sentença. Recalcitrar significa opor-se e aguilhão é uma vara com ponta de metal que os agricultores usam para tanger o boi. Se o boi embesta de não ir para o caminho devido, o colono lhe dá um pontaço e ele volta para a estrada. E se não obedece, ele recebe outro golpe que lhe provoca dor. Esta frase foi usada por Cristo para São Paulo, a caminho de Damasco, entendendo que o seu  comportamento ao perseguir cristãos estava errado, e ele deveria mudar a atitude.

Como todo o cristão é obrigado a evangelizar, ouso usar esta imagem para explicar que o pároco, no lugar de Cristo, deve ‘cutucar’ seus paroquianos para que eles também preguem o Evangelho, missão que não é exclusiva de padres e freiras. Nas paróquias todas existem Movimentos Religiosos com o objetivo de difundir a Religião, sendo como que batalhões no Exército de Deus, na guerra contra o paganismo. Mencionarei alguns, ciente de que poderei esquecer outros:

MCC – Movimento de Cursilhos de Cristandade – evangelização total. 

Apostolado da Oração – devotado ao culto do Sagrado Coração.

CLJ – incrementando os jovens, com ênfase nas suas lideranças.

SCHOENSTATT – tem como objetivo Maria, em particular a reza do Terço.

Legião de Maria – Legionárias voltadas à devoção à Nossa Senhora.

Movimento Serra – fomenta o cultivo das Vocações Sacerdotais.

ECC – Encontro de casais com Cristo - visa a preparação e vivência do matrimônio.

VICENTINOS – mais voltado para as obras assistenciais.

Interessante se observar que o cristão, quando engajado num movimento, é um autêntico soldado “em ordem de batalha” e se doa integralmente. Óbvio que qualquer Movimento deve estar em sintonia com o Pároco. Existem alguns que dão a impressão de serem propriedade do leigo, e então não funcionam. O objetivo, o foco, o norte deve ser sempre a difusão do Reino de Deus. Jamais (e seguidamente acontece) voltar-se para a exposição de vaidades pessoais. Porque então deixa de ser divino e despenca para o diabólico. Lembremo-nos sempre que Satã era um anjo...

Podemos estruturar a Evangelização sob quatros passos. 1º TESTEMUNHO – Se eu não vivo o que ensino, é como o que prega moral de cuecas, legítimo fariseu: ‘façam o que eu digo, não o que eu faço’. 2º FORMAÇÃO – Se o professor não entende da matéria, o que transmitirá aos alunos? O cristão tem de estar familiarizado com a Bíblia e o Catecismo. 3º CARIDADE – será o motor do agir. Compartilhar com os que estão fora a sua pertença à Igreja. Quanta gente há, necessitando de religião, e ninguém lhe alcança o “pão” da palavra, o “pão” da Eucaristia. 4º AÇÃO – é a missão propriamente dita, o anúncio. Há cristãos acomodados na sua bem estruturada família e não enxergamos ‘pagãos’ à sua volta. Finalizo com a exortação do maior evangelizador da Igreja: “Ai de mim, se eu não evangelizar” (1Cor 9,16) – Não precisa dizer mais nada!

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