Como está o seu saldo bancário?
Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores
Há dias, a televisão exibiu a situação financeira do brasileiro. O resultado é no mínimo inquietante. O povo anda muito endividado. Lógico, que para falar deste assunto, é necessário colocar os parâmetros, isto é, a situação do endividamento. Eu posso estar endividado porque comprei um terreno, um apartamento ou um carro. Mas as prestações estão totalmente sob controle. Quer dizer que aquilo que eu ganho cobre a dívida que tenho no banco. O chato é quando eu começo atrasar uma, duas ou três prestações e entro num buraco sem fundo. Então, apelo para outro empréstimo. Aí a dívida dobra, os juros se tornam insustentáveis e eu fui à falência...
Muito endividamento pode surgir por razões incontroláveis, independentes da nossa vontade. Por exemplo, doença, acidente, perda do emprego, ação judicial. Por isso que todos recomendam a segura, embora não saborosa, economia. Deixar sempre uma reserva no banco, mesmo que pequena. Ela é como fermento. Com o tempo vai crescendo. Assim, ao invés de você PAGAR juros, você RECEBE juros. É uma garantia.
Todavia, nós somos vítimas do ambiente, do meio, do país em que vivemos. E como se comportam os nossos governos? Não estou falando do atual. Mas me refiro a TODOS, com maior ou menor responsabilidade: o de ontem, o de hoje e o de amanhã. Conversei com meu compadre Google e ele me revelou alguns dados que explicam porque o Brasil sofre, quando poderia estar vivendo uma vida confortável.
Vejam por exemplo, qual era a dívida no final de 2024: R$ 7 trilhões. (Os valores são todos aproximados). Em 2025, já subiram para R$ 8,6 trilhões. A previsão para 2027, segundo o FMI, é que chegue a R$ 10 trilhões, superando o PIB nacional. O PIB são os bens somados de todos os brasileiros, é a riqueza do país. Imaginemos que alguém fosse comprar o nosso país, então, ele teria que pagar R$ 10 trilhões, isto é, o valor da nossa dívida. Deste modo, tudo o que temos não paga a dívida que possuímos.
Dei também uma espiada nos Estados mais endividados. Por ordem, os dez primeiros são São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Alagoas e Rio Grande do Norte. Só que os quatro primeiros representam 90% do total da dívida nacional. Óbvio que São Paulo é mais rico do que o Ceará. Mas o que adianta eu ter um avião, hipotecado no banco? É preferível ter um Fusca na garagem, mas pago.
Agora atentem para os nossos clubes, nós pobres fanáticos torcedores. O Palmeiras deve R$ 900 milhões. O Flamengo R$ 174 milhões. O Inter, R$ 850 milhões e o Grêmio R$ 935 milhões. Estes dados são discutíveis pois, não levam em conta o capital de jogadores contratados. Pode ser que a venda de dois ou três atletas pague boa parcela da dívida. Contudo, no momento, estes saldos negativos estão aí nos bancos, e acumulando juros sangrentos. E o pior de tudo é ter dívida... e não ter títulos!!! O famoso historiador Capistrano de Abreu escreveu: “A constituição brasileira deveria tersomente dois artigos – 1º Todo o brasileiro deveria ter vergonha na cara. 2º Revogam-se as disposições em contrário”.
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