Edição Digital Terça, 18/08/2026 Ler agora
4337 - Terça

Centenário da devoção a São Roque em Taquaruçu (1926-2026)

Uma data marcante para a História da região de Taquaruçu e Vista Alegre é a de 22 de março de 1922!

As esparsas famílias pioneiras que haviam se aventurado em emigrar das "terras velhas" para as terras novas de Palmeira ou Águas do Mel, estavam em júbilo: teriam a graça de terem entre eles, pela vez primeira, a presença de um padre! Tão estimado e desejado pela sua arraigada e Tradição católicas.

Na extensão do primitivo pique, aberto na densa mataria, beirando o Lajeado Pardo (Sete de Setembro) e depois, rumo a Oeste, o Lajeado Marion (Linha Zanatta) e Lajeado Atílio (Vista Alegre), não hava ainda uma capela. A missa e batizados, pois foi celebrada na casa ainda não ocupada de João Zanatta (lote 52 da 5ª Secção Fortaleza), pelo pároco de Palmeira, Pe. Manuel Roda.

Segue a relação dos batizados nesta primeira visita de um padre. Os nomes dos pais e padrinhos revelam, de forma oficial - pois documentada - as famílias pioneiras:

1 – Augustinha Zanatta - nascida em 20.02.1922, filha de Luiz Zanatta e Rosa Forcelini; padrinhos Atilio Centenaro e Carolina Risoto.

2 - Maria Centenaro - nascida a 05.02.1922, filha de Atilio Centenaro e Carolina Risoto; padrinhos Luiz Zanatta e Rosa Forcelini.

3 - Maria Zanatta -, nascida a 30.10.1921, filha de João Zanatta [Sobrinho] e Benjamina Frizon; padrinhos Luiz Zatta e Santa Minosi.

4 - Romilda Zatta - nascida a 23.02.1922, filha de Luiz Zatta e Angela Zanetti; padrinhos João Zanatta e Benjamina Frizon.

5 - Carmelina Manfrin – nascida a 08.11.1921, filha de João Manfrin e Rosa Crestanello; padrinhos José Gatiboni e Vitoria Gatiboni.

6 - Antonio Manfrin - nascido em 25.07.1921, filho de José Manfrin e Juliana Porfírio; padrinhos Ernesto Manfrin e Julia Rites.

(Cfme. livro Batizados de Palmeira, nº 23, f. 139 e ss).

Tudo começou numa sepultura de uma criança!

Sobre as origens da primeira comunidade de Taquaruçu, temos esta narrativa de autoria do Pe. Luiz Sponchiado, que a obteve em 1974, em entrevista a Primo Bottezini, um dos protagonistas:

"22 Setembro 1922 - Em Taquarassu, na casa-rancho de Ludovico Zatta, morre uma filhinha duns 5 meses de idade Romilda Zatta... Haveria de ser a primeira a ser enterrada em Taquarussu, cujo lugar ainda mata fechada. As várias linhas esparsas, estavam mais ou menos combinadas de apanhar aquele 'centro' chato, alto, com a fonte de água.

Diante disto e da morte: Foram: Primo e Andrea Bottezini, roçaram um pouco o laranjal-do-mato, bem bonito, fizeram uma cova. E lá descansou Romilda, começando o novo campo-santo.

Neste local se reuniam depois aos Domingos para rezar o terço. Apareceram então os Sacristães Ludovico Zatta, seguido de Silvio Albarello e Nono Munaro, Bortolo e Antonio Zancan, com canto dos Manfrins. Antonio Sponchiado também puxava terço".

Obs.: Este cemitério ficava nas proximidades da casa de Maximino Sponchiado (ângulo sudeste da atual praça).

A União Faz a Força

Em fins de 1922 irrompe a famigerada Revolução de 1923, entre maragatos e borgistas, em disputa pelo Governo do Estado. Paralisou o fluxo de migrantes. Os esparsos moradores sofreram saques e ameaças covardes.

Encerradas estas tropelias, em meados de 1924, o pequeno núcleo decidiu construir uma CAPELA, junto ao cemitério - de que já falamos.

Por este tempo, acrescente-se, a Comissão de Terras de Palmeira já havia delimitado, próximo a fonte que dá origem ao Lajeado "Taquaruçu", uma área de "terras reservadas para a Igreja e Cemitério".

Liderava o mutirão Lourenço Albarello e Ludovico Zatta: ajudavam as famílias: Manfrin, Marion, Volpatto, Bottezini, Guerra, Franco, Bandiera, Zanatta, Dal Piva, Fontana...

Construíram o oratório medindo 5 X 7 metros, sobre altos alicerces, dentro de um projeto de, futuramente ficar coro da igreja, que seria continuada na frente 2 degraus mais baixo no assoalho, formando a “mesa da comunhão ou balaústres”, conforme o costume daqueles anos. Lourenço, que tinha pratica de “marangon”, juntamente com os filhos e demais sócios, serravam as abundantes toras existentes aí mesmo, em estaleiros.

"Entre dois que brigam um terceiro se beneficia"

A primeira capelinha de Taquaruçu, iniciativa dos próprios moradores, ficou pronta em meados de 1924. Mons. Vitor Battistella assevera que foi inaugurada em 10 de setembro de 1924, com missa rezada pelo vigário de Palmeira, Pe. Luiz Quattropanni (Painéis do Passado, p. 226).

Sobre o patrono, alguns o queriam Santo Antônio, o mais popular dos santos. Outros, por sua vez, São Roque. Visto a já existência deste último na capelinha em frente a casa do Zibetti, ficou Santo Antônio.

Mas, eis que um fato novo ocorre em Vista Alegre, como narra o Pe. Battistella:

"Com a medição das terras, efetuada entre 1922 e 1924, aconteceu ficar a sede localizada longe, no alto, no lugar de hoje. Este fato e o alastramento da população em todas as direções fizeram que a capelinha ficasse colocada num dos extremos da secção, além de estar situada em lugar inadequado e baixo. Tais motivos suscitaram em 1924 a ideia de transportá-la para o perímetro da sede recém demarcada. Opuseram-se a isso intransigentemente diversos moradores, entre os quais Primo Zanatta, João Zibetti, Pedro Zanatta, Angelo Zanatta, Francisco Zibetti. Solucionou-se o conflito dividindo o capital do oratório em partes iguais entre as duas facções, ficando a oposição com o oratório e os outros com a soma de 631$200 (Seiscentos e trinta e um mil e duzentos réis) em dinheiro. Em consequência a oposição resolveu passar-se para Taquaruçu, levando também o oratório. Desta maneira realizou-se o provérbio italiano: "Tra due litiganti un terzo gode" - "Entre dois que brigam um terceiro goza" (id., p. 230). 

Na imagem, um esboço de como seria a primeira capelinha de Taquaruçu, elaborado pelo Pe. Luizinho Sponchiado

Primeira missa e festa

Em agosto de 1925 - isto é certo - o Vigário de Palmeira, Pe. Quattropanni, esteve celebrando batizados "Na Capella do Taquarussú". Portanto a igrejinha estava pronta.

Observa-se, porém, que não faz, como nos outros registros, referência ao padroeiro do oratório.

Possivelmente, neste tempo, haveriam dois santos sendo homenageados: Santo Antonio, elegido pelos fundadores da capela; e São Roque, trazido pelos dissidentes do "capitel do Zibetti" em Vista Alegre.

O registro de um batizado, do Livro de Batizados de Palmeira

O bispo, in loco, define o padroeiro

No ano de 1926 estava consolidada a preferência de São Roque como padroeiro de Taquaruçu. Em março daquele ano, pois, num registro de um batizado feito no oratório do local consta "Capella D. S. Roque".

Mas a definição só viria com a decisão do Bispo de Santa Maria. Com efeito, em dezembro de 1926 na visita de D. Ático Eusébio da Rocha às comunidades do sertão da Paróquia de Palmeira, ficou determinado São Roque para Taquaruçu, Santo António para Barril; confirmou-se em Osvaldo Cruz a troca da São Pedro para Na. Senhora de Lourdes; e foi determinado S. C. J. para Vista Alegre, ainda sem capela.

Registro do batizado no livro de Palmeira - livro 25, nº 126

Referência à visita do Bispo em dezembro de 1926 à capela SÃO ROQUE - livro Tombo Palmeira - p. 22

Caravana dos pioneiros e o Bispo

Como dissemos, a capela de São Roque recebeu, em dezembro de 1926 a visita do Bispo de Santa Maria.

Os moradores homens, num gesto de gratidão e mesmo de segurança, acompanharam com suas montarias o Bispo e o pároco de Palmeira até o Barril.

Taquaruçu e Barril, na esperança de serem paróquia, queriam impressionar a autoridade eclesial... Mas esta já é outra história.

A foto abaixo, registra o fato. Chama a atenção a densa mataria que ainda cobria a maior parte das terras da região. Isto há 100 anos!!!

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