As reivindicações do Alto Uruguai aos futuros governantes
Zucco falou que o Estado, na última década, foi o que teve o menor crescimento
Na semana passada, perante concorrida plateia, na magnífica Casa de Espetáculos Senger, apresentaram-se Luciano Zucco e Silvana Covatti, até hoje imbatíveis nas urnas, candidatos ao Governo do Estado. Durante três horas ecoaram acalorados debates, inflamados discursos e um rosário de súplicas dos presentes, expondo as dificuldades da Região Norte, máxime de Frederico Westphalen. Merecem destaque as manifestações candentes dos empresários José Luís Haubert, Juliano Razia e Marly Vendruscolo. Entendendo que os demais postulantes à cadeira do Piratini recebam as mesmas reivindicações, tentarei fazer uma síntese das exposições:
SAÚDE
É reconhecido que inúmeros hospitais da região enfrentam sérias dificuldades financeiras assim como os nossos clubes de futebol, quase falidos, mas pagando nababescos salários aos atletas, frequentemente sentados no banco. Os governos devem dar mais atenção aos doentes que gastam fortunas com viagens aos centros maiores, com hospedagem dos familiares nos hotéis, buscando serviços especializados. A maioria deles poderia ser atendida nos municípios de origem, se os seus nosocômios dispusessem um pouco mais de tecnologia e aparelhagem.
ASFALTO
Não se admite mais municípios sem ligação asfáltica, amassando barro em dias de chuva. As BRs são competência federal, mas as RSs são responsabilidade do Estado. Como fazer circular a economia e o transporte com caminhões atolados?
TRIBUTAÇÃO
O empresariado que acorda cedo, arrisca, gera emprego, tem ainda de enfrentar o dilema de gastar mais com impostos do que com a folha salarial. E para ainda maior complexidade, os tributos são um cipoal de leis, artigos e parágrafos que não há quem nele não se enrede. Por que não simplificar? Quiçá um imposto único, com porcentagem já definida, digamos, 40% para a União, 40% para o Estado e 20% para o município, e c’est finie. Até para a fiscalização ficaria mais ágil. Possíveis empreendedores se retraem, pois não tem ânimo de enfrentar a buRRocracia.
TREM
Por que nosso país e especialmente o Rio Grande não usam mais as ferrovias? Na Rússia, 90% do transporte humano e material é efetuado em cima de trilhos. Nos Estados Unidos 70% e no Brasil... míseros 8%. E tem de se lembrar que a conservação de uma ferrovia e seus componentes é infinitamente menor do que de uma rodovia.
Zucco falou que o Estado, na última década, foi o que teve o menor crescimento. O ensino de Matemática e Português despencou. Professores há, fingindo que ensinam e alunos fingindo que aprendem... e ninguém mais é reprovado. O Rio Grande não pode mais figurar no rodapé do mapa do Brasil. A modesta Santa Catariana, há tempos nos passou para trás. É preciso enxugar a máquina. Serviço público não é cabide para a companheirada. Não temos necessidade de 40 ministérios. Já no Império, José do Patrocínio falava “o que mata o país não é a miséria, é a burrice”. Zucco e Silvana já deram mostras de conhecimento e competência. Ele foi o deputado federal mais votado do país e ela é carne da nossa carne, sangue do nosso sangue. O Piratini necessita de um gestor, calçado de botas para pisar as mazelas, e do lenço verde da esperança. De um gaudério, com o mote americano: “O possível fazemos logo; o impossível levaremos algum tempo”. Rio Grande farrapo: de pé pelo Brasil!
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