As agruras do inverno
Literariamente falando a diferença entre inVerno e inFerno é de só uma letra
A doutrina da Igreja ensina que para entrar no céu, o cidadão deve estar com a alma purificada, sem nenhuma nódoa. Se, por exemplo, você cuspiu no rosto da sua mãe, comete uma falta gravíssima. Terá as portas do céu trancadas e será condenado ao caldeirão de Satanás. Mas se os seus deslizes são mais suaves, por exemplo, não lavou a louça que a mãe mandou, então terá de pagar estas penas no purgatório. E tantos anos curtirá este sofrimento quantos forem os seus chamados pecados veniais.
Não é dogma teológico. Todavia entendo que Deus, para impedir que purguemos a quantidade de culpas no purgatório está oferecendo esta chance aqui na Terra, através das dores do inverno. Pois o frio que padecemos é proporcional às nossas faltas. Literariamente falando a diferença entre inVerno e inFerno é de só uma letra!
Além do frio gelado que estamos passando nesta estação do ano, aparece a companhia insuportável, (como reza o adágio ‘que a desgraça nunca vem solteira’) das gripes, das tosses, das febres, quando não degeneram em coisa mais grave como pneumonia que nos derruba na cama do hospital. Nesta temporada, quem diz que é fácil levantar de manhã cedo ou ir para baixo do chuveiro? Há ainda alguns mentirosos que afirmam preferir o inverno ao verão... Felizmente os gaúchos têm o chimarrão para esquentar as carcaças. E digo mais: se eu fosse o prefeito mandava suspender todas atividades nestes dias gelados. Na realidade, a produção é mesmo quase nula.
Sabemos que cada ser humano é pessoal, uno, indivisível, e não existem dois iguais. Contudo, a semelhança é inegável. Sendo assim, vou expor a minha situação, certo de que haverá muitos parecidos: começou o inverno e a gripe se apega no meu corpinho e só desgruda na entrada do verão. E olhem que sigo todas as instruções tradicionais:
Inicialmente, fui ao Posto de Saúde tomar a famosa vacina, como bom patriota. Todos os dias, à refeição, como o milagroso alho. E já saio com aquele perfume, percebido a metros de distância. Beijos... suspendi por completo. Durante o dia não esqueço aquela recomendação transmitida de geração em geração: vitamina C – encontrada principalmente no limão, mas também nas laranjas e bergamotas. Sem esquecer o divino mel. Começo o dia, infalivelmente com 15 minutos de bicicleta ergométrica, porque os exercícios físicos são a primeira exigência dos médicos aos ‘adolescentes’ que ultrapassaram a barreira dos 70 anos. E apesar de tudo, a GRIPE mora comigo! Para as farmácias é uma festa: vendem toneladas de antibióticos.
Talvez meu organismo seja predisposto à mazela. Talvez o vírus me persiga quando faz frio. Talvez Deus queira me antecipar às penas do purgatório. Eu pago qualquer preço ao médico que me receitar o remédio infalível. Só que, devolverá em dobro, se não der resultado. Mas não tem cura. Nem a Novena de Sto. Antônio resolveu...
Meus filhos compraram uma casa na praia para o ‘Velho’ tirar as férias. Errado! Vendam-na e comprem uma no Nordeste, onde eu possa migar no inverno. Quiçá, assim resolvam o MEU problema. Mas e os demais que também sofrem do mesmo mal, também terão que virar todos nordestinos?!... Senhor, piedade! E mande SOL.
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