Edição Digital Segunda, 17/08/2026 Ler agora
4336 - Segunda
Opinião

A língua que fere

Tem humanos que vivem a serviço do mal, profligando por onde passam, o veneno da fofoca

Tem humanos que vivem a serviço do mal, profligando por onde passam, o veneno da fofoca. São línguas ferinas que viram verdadeiras armas acusatórias, julgando, condenando e devastando vidas alheias com maledicências. Schopenhauer já concebia ser da natureza humana golpear, “tão natural ao homem, como morder o é aos animais ferozes, e chifrar aos touros; o homem é, propriamente falando, um animal que agride". Se fazer fofoca é um vício ou falha de caráter, o certo é que o hábito existe deste os tempos das cavernas e seus autores, estão sempre à espreita, feito serpente cercando sua presa, em busca de fraquezas ou medos do alvo a ser atingido. Os anos passaram, mas o objetivo dessa prática continua o mesmo: o de desmoralizar o próximo e denegrir sua imagem. Em tempos de fake news, propagar mentiras gera sim responsabilidades, sendo necessário fazer o dever de casa e se informar antes de criar ou compartilhar informação enganosa que prejudique a moral ou difame a honra de outra pessoa.

O mito de Momus explica como surgiu a maledicência na visão mitológica, personificada em Momus – um daimon que morava no Olimpo junto aos deuses -, mas que foi banido devido ao seu sarcasmo, deboche e intrigas, sendo condenado a vagar pela terra. Os “Momus” se multiplicaram e, embora hoje se apresentem com outras roupagens bem díspares do gorro com guizos com que acompanhava a trupe de Dionísio, ainda são tidos como símbolo da insanidade. Como dizia o Marques de Maricá, “A maledicência é uma ocupação e lenitivo para os descontentes “que costumam gozar de baixa alto-estima, sofrem severas insatisfações pessoais e destilam sentimentos de inveja, principalmente se a vida dos outros é farta de felicidade e sucesso. No mesmo patamar estão as críticas não autorizadas e mal-intencionadas visando machucar e contaminar o ambiente com fofocas.

Mas, o que fazer com comportamentos deselegantes e sem o mínimo de civilidade e privacidade ao direito do outro? Ignorar, pois o que as pessoas pensam de você é problema delas e não seu. Fuja da toxidade e desconsidere a chantagem emocional que mentes ociosas e infelizes tentam lhe impingir e procure estar rodeado de pessoas do bem. Acima de tudo lembre: as pessoas podem conhecer seu nome, seu endereço, mas não sabem sua história de vida. Não tenha esperança que as pessoas entendam seu modo de pensar, seu jeito em levar a vida se nunca percorreram sua trajetória. O filtro que indica quem realmente se ocupa conosco, são as falas que somam e não as que anulam.

Bons Ventos! Namastê.

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