A exuberante comunidade de São José
Tenho a impressão que metade da cidade de Frederico Westphalen lá tinha despencado
Por insistência do meu amigo e cursilhista Inácio Zanella comprei ingressos de churrasco e ‘arroz São José’ para domingo p.p. festa do Padroeiro. E ainda com a desvantagem de ter que ir buscar, embora os preços razoavelmente acessíveis. Aí pelas 11 horas, partimos eu e os meus filhos para a dita localidade, a fim de garantir o almoço domingueiro. Ó surpresa! Onde estacionar o carro? O local parecia o pátio de uma montadora de automóveis, simplesmente entulhado. Desembarcamos no salão da comunidade, enquanto meu filho Fernandinho, que é bom motorista, conseguiu uma vaga para deixar o carro... fora da vila. E eu me lembrava, na minha infância, na saudosa Taquaruçu, há oitenta anos atrás, existiam DOIS automóveis.
E gente! Sim, uma multidão! Tenho a impressão que metade da cidade de Frederico Westphalen lá tinha despencado. E nada havia de excepcional. Era uma simples festa de padroeiro, como a maioria das de nossa Paróquia. São José é uma localidade como qualquer outra. Não possui uma indústria de porte. Não é ponto turístico. Não é terra natal de alguma celebridade, de um governador de Estado, prefeito de município, mal e parcamente gerou um vereador. Também não viu ali nascer nenhum santo, que pudesse ser objeto de romaria para os piedosos fãs. Mas estava apinhada de povo!
Tenho trabalhado nas festas de padroeiro, em Taquaruçu, nas festividades de São Roque. Igualmente, dei minha modesta contribuição nas festas de Santo Antônio, em Frederico Westphalen. Porém, o que se viu em São José, é fora da curva. E tudo funcionando como relógio. Gastronomia nota dez. Aliás, diga-se de passagem, pelas nossas bandas, se come bem. Ninguém pode se queixar dos nossos restaurantes e seus cardápios. E os devotos que lá compareceram, além da parte espiritual, o setor estomacal também alcançou níveis anormais. Churrasco suculento! Nada daquela carne dura, que chega a desgrudar a dentadura dos idosos! Saladas variáveis, para satisfazer o gosto dos mais exigentes. E o já famoso ‘arroz São José’ – especialidade da casa, que deve ir para o livro do Guinness.
Não se pode esquecer os anônimos festeiros, que já na madrugada estão a postos garantindo todas as suas responsabilidades. Desde os que tem de acender o fogo das churrasqueiras, esquentar as panelas, até os que colocam o gelo nas bebidas. Tenho certeza que todo este pessoal, na outra vida, terão os padroeiros como seus advogados. São José atrai muitos devotos, por ter sido o pai de Jesus Menino e o patrono dos operários, pois calejou as mãos na carpintaria, serrando tábuas, pregando pregos, fazendo móveis. Todavia, desconfio, neste final de semana, Santo Antônio deve ter sentido ciúmes do Santo Colega!!!
Vai aqui uma pequena observação: prefeito Girardi, o senhor que vem de família humilde, simples, mas modesta e dinâmica, dedique um olhar especial para aquela ila. Eles necessitam e estão precisando de uma entrada de ASFALTO. O senhor poderá ser o Santo Girardi para aquela comunidade. O Santo José, eles já têm! Não seria o objetivo, mas já pensou, quantos devotos o senhor iria angariar!!!
Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores.