A arte de memorizar
Pintores, escritores, escultores, fotógrafos capturam momentos em suas manifestações de arte
Ausência, falta de inspiração ou vazio existencial, podem ser os sentimentos evocados a partir de uma tela em branco. Contudo, os assertivos cuja tônica é ter um “olhar de Poliana”, contradizem esse mal-estar com oportunidade. O que seria da criatividade se as coisas fossem homogêneas e previsíveis? Como acordaríamos para o mundo se tudo fosse uniformizado e devidamente regrado? Certamente não teríamos o mundo que conhecemos hoje, datado de inúmeras invenções e pleno de artistas que deixaram um grande legado. Na escola, quando recebemos uma página em branco para resenharmos uma prova dissertativa, é um louvor que o professor nos concede, em permitir que possamos dissertar sobre o que estudamos. Aquarelar telas ou dar voz a histórias e estórias, é entender que o universo foi bondoso em nos conceder o livre-arbítrio.
Pintores, escritores, escultores, fotógrafos capturam momentos em suas manifestações de arte. Na grande maioria das vezes, a inspiração é discreta e passa longe dos holofotes que perseguem as celebridades. A arte é uma maneira de eternizar lembranças, que com o tempo, se perdem na estrada da vida. Mas, para isso há de se ter sentimento. É preciso ter sensibilidade e gostar de gente, de bicho, de planta. Pois cada pincelada é uma escolha. Cada rabisco ou escritura é um recorte de algo ou de alguém. A arte eterniza e coleciona momentos. E tem gente especialista em fazer isso. De doces rotinas delicadas, como um transeunte lendo um livro em um banco de praça, a acontecimentos significativos para o mundo. A escolha é de quem escreve ou retrata. Se permitir significar cotidianos, de certa forma é optar em ser feliz. É desligar o olhar do automático, e fitar crianças brincando alegres em um parque, ou congelar aquele sorriso que nunca mais irá se repetir. Bobagem dirão muitos, que correm nas disputas acirradas de mercado. Sandices evocarão tantos outros, ocupados em aumentar em mais um dígito, suas fartas contas bancárias. Tolice reclamarão os desiludidos da vida, que já não esperançam mais nada, além das próprias mazelas. Sobrarão os que possuem alma de artista, os que envergam mais não caem e aqueles que levantam e cantam para subir. Evoé!
Bons Ventos! Namastê.
Os textos e artigos aqui publicados são de inteira responsabilidade de seus autores, e não traduzem a opinião do jornal O Alto Uruguai e seus colaboradores.