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Dia do professor

Primeira personagem de série especial do AU, professora Marilze de Cezaro é exemplo de dedicação à docência, “vocação” na qual é alfabetizadora há mais de 30 anos

Publicado em 15/10/2019, última alteração em: 15/10/2019 21:07.

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11 - Razia

A menos de 30 dias da principal avaliação para admissão em universidades brasileiras, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), grande parte dos vestibulandos já têm em mente o curso que deseja frequentar, a profissão que pretende praticar. Muitos procuram as ciências da saúde, como a medicina, enquanto outros vão às exatas, em busca de se tornarem engenheiros. Em meio a essas possibilidades que fazem brilhar os olhos dos jovens, hoje passa quase desapercebida a carreira que, outrora, fora vista como uma das profissões mais estáveis. Ser professor, principalmente da rede básica de ensino, está em baixa no Brasil.

Mas a educação é feita de bons exemplos. Aliados aos ensinamentos, eles são capazes de transformar a realidade de crianças, jovens e adultos, alterando assim a sociedade como um todo. No mês em que se comemora o Dia do Professor, celebrado no dia 15, o AU traz uma série de bons exemplos da educação regional, protagonizados por profissionais que fazem da sala de aula um terreno fértil para o desenvolvimento educacional e que podem promover o fortalecimento da profissão. Em cada sábado de outubro, conheça a história de um professor da rede básica da região que inspira vidas dentro e fora da sala de aula.

 

Paixão que se renova

Palmitinho e Pinheirinho do Vale conhecem bem a dona de uma letra cursiva que mais parece formar um desenho do que uma palavra. Mas não somente a caligrafia de Marilze Justina Zanatta de Cezaro, professora há 33 anos, chama a atenção. A criatividade para elaboração de projetos pedagógicos, que aparenta não ter fim, e a experiência construída no trabalho com alunos das séries iniciais, formaram centenas de turmas. Foi pelas mãos de Marilze que muitos palmitinhenses e pinheirinhenses desenvolveram a habilidade de ler e escrever, processo que a professora descreve com emoção. “É fascinante observar como acontece esse despertar [para a leitura]. Muitos balbucios, tentativas, ensaios... o ato de soletrar se faz presente até que a unidade sonora se torna sílaba, palavra, frase e contexto. É um momento mágico”, disse.

Natural de Taquaruçu do Sul, Marilze cursou Letras na URI/FW, quando a universidade ainda se chamava Fesau. Hoje, com 55 anos, ela segue trabalhando com séries iniciais, em Palmitinho, no Instituto Estadual de Educação 22 de Maio, e em Pinheirinho do Vale, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Marcílio Dias, situada no distrito de Basílio Gama. Tamanha dedicação pela profissão, que Marilze chama de vocação, se explica pela renovação diária da vontade de lecionar.

– Quando ouço de uma criança de sete anos “já está na hora de ir para casa? Já vai terminar a aula?” entendo que ela está bem, gosta do que está fazendo e é prazeroso estar com a turma e a professora. A escola faz bem. Situações assim me fazem voltar a cada dia com mais alegria e energia para continuar o processo. Ver em cada rostinho o sorriso, receber o abraço no portão da escola nos remete a um sentimento que agrada e fortalece a quem dá e a quem recebe toda essa manifestação de carinho. [Ser professor] é algo que vem da essência, do âmago, da alma. É inexplicável essa sensação de realização profissional –, frisa a docente.

 

Das lousas aos notebooks

Desde 1986, quando a professora ingressou na sala de aula pela primeira vez, no dia 20 de agosto, na Escola Estadual de Educação Básica José Cañellas, de Pinheirinho do Vale, Marilze elabora projetos que procuram conciliar o ensino dos programas com práticas interativas entre os alunos. A participação dos estudantes, segundo ela, é algo que se fortaleceu recentemente, em uma realidade de transformação do modo de pensar das crianças. A mudança não fez ela se intimidar.

– No início da carreira, quando o professor entrava na sala de aula era autoridade. O aluno quase não se manifestava. Os poucos momentos que se destinavam à palavra do aluno eram tímidos. O professor falava e os estudantes ouviam, acatavam as orientações. Aos poucos o processo foi se modificando. O professor foi compartilhando, o discente interagindo mais, as tecnologias inovando. As buscas nas redes sociais juntamente com toda a tecnologia disponibilizada fizeram surgir um novo jeito de ministrar aulas. Aprendemos que o "sim" ou o "não" deve ser sempre questionado. A resposta rápida e cortante não tem mais vez –, assegura.

 

Dificuldades e determinação

Se a história de Marilze aparenta um cenário no qual a profissão é um “mar de rosas”, a própria professora pontua algumas dificuldades encontradas por quem diariamente se depara com novos desafios na rotina entre quadros, gizes, canetões, cadernetas de chamada e pilhas de materiais para produzir ou corrigir. “A carreira de professor está enfrentando muitas dificuldades. Talvez a maior delas é a desvalorização da categoria.  Diversos fatores contribuíram para que isso acontecesse. Prova disso é a pouca procura de candidatos para cursarem graduações relacionadas à docência”, relembra.

Mas desanimar não está no programa de ensino de Marilze, nem dos demais colegas que se agarram à importância da profissão como forma de acreditar em um futuro de mais valorização. “A presença do professor na vida de seus alunos é algo insubstituível. Sua presença deixa marcas que o tempo não apaga. Se um filho meu manifestasse desejo em seguir a profissão de professor, diria a ele que ouvisse a voz do coração, porquê ser professor é muito mais emoção do que razão”, acrescentou.

Acima das dificuldades, Marilze é professora da vida também ao ensinar que desanimar não faz parte da rotina de ninguém, nem dentro, nem fora da sala de aula. Tendo o entusiasmo como mantra, deixa a todos a mesma lição de casa: não desistir de acreditar no potencial transformador da educação.

 

Por: João Victor Cassol

 

REPORTAGEM PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA DE 5 DE OUTUBRO

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