Saúde

“É muito importante identificar o sofrimento e buscar ajuda”

Publicado em 10/06/2019, última alteração em: 10/06/2019 09:03.

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O trabalho em suas três dimensões: a organização, as condições e as relações socioprofissionaispodem se constituir, tanto como fonte de prazer quanto sofrimento. Quando for livremente escolhido e os impulsos que são instintivos trilham seu caminho na construção do espaço laboral, a satisfação acontece e o trabalho se torna uma fonte de prazer. Neste caso, costumamos dizer que as fontes psíquicas internas são sublimadas na realização do trabalho e transformadas em prazer. Dito de outra forma, conseguimos transformar nossos desejos e energia psíquica em uma escolha laboral que nos satisfaz.

Nem sempre esse cenário apresentado até aqui ocorre e é possível. Quando o trabalho está sob a condição de pressão das necessidades externas, gerando um conflito e distanciamento com os impulsos instintivos do trabalhador, pode se tornar uma fonte de desprazer. Em tal contexto, não há uma sublimação, ou seja, não conseguimos transformar nossos desejos e energia psíquica em satisfação laboral, ocasionado não somente o desprazer como o sofrimento psíquico.

Assim sendo, a busca pelo prazer no trabalho e a fuga do desprazer, muitas vezes, se estabelecem em uma meta permanente para o trabalhador diante das exigências externas. Por diversas ocasiões, o trabalho só oferece condições contrárias a este propósito, gerando insatisfação e causando sofrimento. Quando este predomina, o trabalhador poderá utilizar-se de estratégias defensivas inconscientes, que podem ser construídas individual ou coletivamente. Estas estratégias, que visam a minimização do sofrimento, incluem a negação de tal sofrimento e, em consequência disso, o aumento de atividades laborais. Outras vezes, coletivamente, podem favorecer uma modificação mental da percepção da realidade.

Atualmente, o sofrimento psíquico no trabalho é denominado Síndrome de Burnout. Esta é um tipo especial de estresse ocupacional crônico e prolongado que se desenvolve como uma resposta à tensão emocional relacionada ao trabalho, sendo desencadeada por estímulos estressores contínuos. Com uma progressiva perda de energia, idealismo e de expectativas, produzindo um mal-estar geral e prejuízos à produtividade e à satisfação do trabalhador. Em resumo, apresenta-se em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização profissional.

Atualmente, o Ministério da Saúde observa que a Síndrome de Burnout envolve estresse, sofrimentos psicológicos e problemas físicos. Sintomas como cansaço excessivo, físico e mental, dor de cabeça frequente, alterações no apetite, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança, negatividade constante, sentimentos de derrota e desesperança, sentimentos de incompetência, alterações repentinas de humor, isolamento, fadiga, pressão alta, dores musculares, problemas gastrointestinais e alteração nos batimentos cardíacos são os sintomas mais comuns.

O tratamento é realizado com psicoterapia e, quando necessário, medicação. É muito importante identificar o sofrimento e buscar ajuda. Nem sempre ele é perceptível e, sim, outras pessoas como familiares, colegas de trabalho, superiores ou amigos observam. Nesses momentos, é importante auxiliar o trabalhador no processo de buscar apoio.

Mudanças nas condições de trabalho, hábitos e estilo de vida irão favorecer e muito no tratamento. Mas, claro que o questionamento final é: o que pode ser feito para prevenir? Quando falamos em prevenção, alguns aspectos importantes devem ser considerados como traçar objetivos palpáveis, envolver atividades de lazer com amigos e familiares, buscar o trabalho em que se consiga alcançar as expectativas realistas que almejamos. 

Colaboração:

Denise Zanatta

Psicóloga, psicanalista aspirante egressa pela Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, filiada à IPA-International Psychoanalytical Association. Especialista em Psicologia Clínica Ampliada, mestre em Psicologia Clínica, professora do Curso de Psicologia da URI/FW.

 

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