Pessoas com deficiência

Contratações esbarram na falta de interesse de empresas e famílias

Publicado em 20/05/2019.

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Dos 150 alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), de Frederico Westphalen, apenas dois estão inclusos no mercado de trabalho. A falta de interesse de empresas e das próprias famílias preocupa a direção da escola que busca contato direto com empresários para que haja a contratação. No entanto, o ‘não’ é a resposta mais ouvida quando o assunto é inserir deficientes nos cargos vagos no município.

A assistente social Denise Fritzen elenca os principais pontos que impedem a contratação dos alunos. De acordo com ela, a maior dificuldade é o medo da família quanto à aceitação da sociedade ao portador de deficiência. “Isso faz com que haja uma proteção e impeça esta inserção. Outro fator decisivo é a exigência de quem contrata: as empresas querem alguém com deficiência física ou com uma deficiência leve. Eles também não querem destinar um funcionário para supervisão da pessoa com deficiência, tendo em vista a rotina agitada das empresas”, avalia.

Outro empecilho, de acordo com a especialista, é fazer com que a família aceite abrir mão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que consiste em uma renda de um salário-mínimo para deficientes que não possam se manter e não possam ser mantidos por suas famílias.

– O processo para conseguir o BPC é demorado e a família fica com medo de perdê-lo. O que acontece é que, no momento em que a pessoa com deficiência entra no mercado de trabalho, o benefício é suspenso, e, caso houver uma rescisão contratual, ela retorna a receber este benefício sem a necessidade da realização de perícia – destaca Denise.

 

Trabalho para o desenvolvimento

A diretora Adriana de Freitas Oliveira revela que, pelo menos outros 20 alunos da Apae de Frederico Westphalen poderiam ser empregados com tranquilidade. Ela analisa que as contratações são facilitadas quando há o interesse das famílias e das empresas.

– Em nossos contatos com os empresários, falamos das características deles e aquilo que poderiam desenvolver dentro das necessidades de cada empresa. Agora, quando os estabelecimentos nos ligam já com um cargo definido, é mais difícil conseguirmos inserir os alunos – lamenta.

A psicóloga Thais Grossi, por sua vez, analisa a importância da pessoa com deficiência estar inclusa no mercado de trabalho. “É essencial para possuir autonomia e empoderamento, sendo capaz de realizar alguma atividade e estar colaborando com a família financeiramente. Quanto ao desenvolvimento, a aprendizagem de novas atividades é fundamental”, ressalta.

Ainda segundo a psicóloga, os cargos ocupados precisam de acompanhamento e as funções devem ser de acordo com as que os alunos consigam desenvolver. “Dependendo o que eles vão desempenhar, precisam de uma explicação mais contínua”, conclui Thais.

 

Helô: a leitora que organiza a biblioteca

É em meio aos livros da Biblioteca Central da URI/FW, que Heloisa Galdoni, de 33 anos, passa as suas manhãs. A apaixonada por leitura é portadora de uma deficiência intelectual, a qual não a impede de executar suas funções rotineiras na universidade.

A auxiliar de biblioteca conta que há quase sete anos trabalha no local, mas que não foi fácil conseguir emprego. “Minha mãe procurou trabalho para mim e só achou aqui na URI”, lembra.

Helô, como é conhecida pelos colegas, disse estar realizada com o emprego e nem pensa em deixar a função. Ela também exalta o apoio recebido na Apae. “É muito tranquilo trabalhar aqui. Eu faço a limpeza das prateleiras e a organização dos livros, e isso é maravilhoso. Graças à escola consegui ler e estar empregada”, revela Helô, dizendo ainda que a família é assinante do AU e que adora as edições de quarta-feira e sábado.

Estoquista cheio de agradecimentos

O suor de mais um dia de trabalho não faz com que Natanael Sala perca o largo sorriso e assim receba todos os clientes que vão até o estoque da loja Quero-Quero. Aos 20 anos, o jovem, que assim como Helô possui deficiência intelectual, foi contratado para atuar em tempo integral e é elogiado pelo desempenho e força de vontade que demonstra no emprego.

Atento ao “chefe”, o estoquista escuta o que o gerente da loja, Halley Pereira, fala sobre o seu trabalho. “Ele é muito eficiente. Percebemos que a limitação o impede de algumas funções e o colocamos em outras em que rende mais, o que está sendo muito produtivo para ele e à empresa”, constata Pereira.

Ao organizar cerâmicas, Natanael faz questão de enaltecer que recebeu apoio fundamental da Apae para ingressar no mercado de trabalho. “Eu me criei lá dentro daquela escola. Iniciei aos oito anos e recebi um grande apoio. Quando vi que precisava seguir minha vida, pedi ajuda para elas (profissionais da instituição de ensino). Tudo o que eu tenho agradeço a elas. Hoje tenho um trabalho muito bom!”, assegura.

O jovem ainda revela que sua rotina é extremamente agitada, porque além de ser estoquista, atua esporadicamente como DJ. “É o que eu gosto de fazer, por isso não reclamo”, justifica.

O que prevê a legislação:

Conforme o artigo 93 da Lei número 8.213, de 24 de julho de 1991, a empresa com 100 ou mais funcionários está obrigada a preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados, ou pessoas portadoras de deficiência, na seguinte proporção:

- até 200 funcionários.................. 2%
- de 201 a 500 funcionários........... 3%
- de 501 a 1000 funcionários......... 4%
- de 1001 em diante funcionários... 5%

 

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