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Polícia

Delegadas Caroline Bamberg Machado e Cristiane de Moura e Silva Braucks foram ouvidas nesta segunda-feira, 11

Publicado em 11/03/2019, última alteração em: 11/03/2019 21:01.

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Serrano Nº11

Com um forte esquema de segurança, o Fórum de Três Passos sedia o julgamento dos quatro réus acusados pela morte de Bernardo Boldrini. O pai, Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini, Evandro e Edelvânia Wirganovicz respondem por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica (este, apenas Boldrini). O júri popular é conduzido pela juíza Sucilene Engler Werle, titular da 1ª Vara Judicial da cidade situada Noroeste do Rio Grande do Sul.

O primeiro dia de julgamento foi marcado pelo depoimento de duas testemunhas, as delegadas Caroline Bamberg Machado (presidente do inquérito) e Cristiane de Moura e Silva Braucks (delegada regional), que trabalharam no caso. Ambas foram arroladas pelos três promotores do Ministério Público (MP) e pelos advogados de defesa dos quatro réus. A sessão encerrou por volta das 21 horas, tendo mais de oito horas de duração, além do período em que ocorreu a escolha dos jurados – pela parte da manhã.

O júri popular terá prosseguimento na manhã desta terça-feira, 12. O início está previsto para às 9 horas. As demais testemunhas deverão ser ouvidas, assim como estima-se que também seja iniciado os depoimentos dos réus. A expectativa é que o julgamento tenha duração de uma semana.

Início da sessão e primeira testemunha
O início da sessão envolveu a escolha dos jurados. De um grupo de 25 pessoas, sete foram retiradas para fazerem parte do Conselho do Júri. A primeira testemunha ouvida foi Caroline Bamberg Machado, presidente do inquérito e delegada titular de Três Passos na época do crime. Ela começou a ser ouvida por volta das 12h50min, sendo que seu depoimento, somado às respostas de questionamentos, se estendeu por cerca de quatro horas. Conforme ela, a opinião geral era de que Bernardo sofria com abandono e desafeto do pai. “Existem vários depoimentos neste sentido. Além de tudo isso, Bernardo era torturado psicologicamente”, observou.

Caroline revelou que inicialmente a Polícia Civil (PC) não imaginava que o menino pudesse estar morto e que, após interceptações telefônicas, as contradições apareceram. Afirmou também que a demora no registro do desaparecimento fez parte de estratégia dos réus para montar álibi. Leandro teria efetivamente procurado o filho dois dias depois.

“O pai procurou no domingo à noite, não encontrou o garoto. Foi dormir antes da meia-noite e trabalhou na manhã de segunda-feira, com o menino sumido há dois dias. Chamou atenção minha e de todos os policiais, a frieza e tranquilidade do Leandro com o desaparecimento do menino. Sugeriram cartazes para procurar e ele não quis”, considerou a delegada, dizendo ainda que, baseada em sua experiência, Leandro não teve conduta compatível a um pai que procura um filho.

Segunda testemunha
Segunda a testemunhar, a delegada regional, Cristiane de Moura, que participou da investigação do caso, começou explicando que a hipótese de assassinato ganhou força com os depoimentos dando conta do abandono e descaso do pai e da madrasta em relação a Bernardo. “A Edelvânia se sensibilizou após eu dizer que deveríamos, no mínimo, dar um enterro descente ao menino e me revelou como foi o crime”, disse Cristiane.
A delegada ainda se disse surpreendida ao questionar o pai de Bernardo. “Quando ouvi Leandro disse a ele que, pelas circunstâncias, dificilmente encontraria Bernardo com vida e ele falou ‘e a minha vida continua’”, frisou.
Ainda, segundo Cristiane, testemunhas diziam, que o menino era extremamente carente. “Ele pedia abraços. Foi ser coroinha de igreja, buscando a religião. As roupas eram extremamente velhas. No aniversário ele ia para as ruas e, questionado, dizia: estou procurando um bolinho”, falou a delegada. Ela foi liberada por volta das 21 horas.

RELEMBRE O CASO

Morador de Três Passos, Bernardo Uglione Boldrini desapareceu no dia 4 de abril de 2014, sendo encontrado morto em 14 de abril de 2014, em uma cova vertical nas margens de um riacho, no interior de Frederico Westphalen, distante cerca de 100 quilômetros da cidade onde o menino – na época com 11 anos – residia com o pai Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulini e sua irmã Maria Valentina – filha do casal, na época com alguns meses de vida. De acordo com laudos periciais, atestou-se a presença do medicamento Midazolam no estômago, rim e fígado da vítima. A superdosagem teria sido a causa da morte do menino.

Leandro Boldrini é acusado de ser o mentor do crime. Graciele Ugulini é acusado de ter aplicado a superdosagem do medicamento no menino, juntamente com sua amiga Edelvânia Wirganovicz, que residia em Frederico Westphalen. Os três estão presos desde o dia em que o corpo da vítima fora encontrado. O quarto réu, Evandro Wirganovicz (irmão da Edelvânia), também morador de FW, foi preso cerca de dois meses depois, acusado de ter participado no crime.

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