Bernadete Maria Dalmolin

"Agradeço as referências que me fizeram persistir e jamais desistir da minha qualificação"

Publicado em 09/06/2018.

Por: Suseli Cristo



A Universidade de Passo Fundo (UPF) completa, em 2018, seus 50 anos de trabalhos voltados ao ensino, pesquisa e extensão, e pela primeira vez, uma mulher ocupa o mais alto cargo administrativo da instituição de ensino. A eleição aconteceu no dia 23 de maio, onde a chapa comandada pela nova reitora teve 58,59% dos votos e comandará a UPF no período de 2018 a 2022. Para o grupo eleito, esse é um momento de grande aposta de fortalecimento da universidade, pois o perfil comunitário é um dos aspectos que a torna potente e forte. A posse da nova reitoria eleita acontece no dia 20 de julho.

 

A nova reitora

Bernadete Maria Dalmolin, 52 anos, nasceu e foi criada em Caiçara, junto com os pais, Eduardo José Dalmolin (in memoriam) e Arminda Stefanello Dalmolin, e seus 10 irmãos. Uma mulher determinada em busca dos seus objetivos, formou-se em Enfermagem (UFPel), fez especialização em Sau?de Mental (ESP/RS) e Administração Estratégica em Saúde (Unijuí/Br-UNC/Ar), mestrado em Saúde Pública (USP), doutorado em Saúde Pública (USP) e MBA em Gesta?o do Ensino Superior (UCS/Comung).

Apesar de seus laços afetivos e muitos amigos na cidade caiçarense, a nova reitora da UPF hoje vive em Passo Fundo, com o esposo Jorge Antônio Winckler, que é médico urologista, e com quem tem dois filhos, Matheus Dalmolin Winckler, de 24 anos, e Felipe Dalmolin Winckler, de 21 anos. “Tenho muito carinho por esta região. Foi aí que passei meus primeiros anos de vida, onde fiz minha educação básica e onde sustento laços afetivos e familiares até hoje. Agradeço as referências que me fizeram persistir e jamais desistir da minha qualificação”, destaca Bernadete.

 

Mulheres e o seu espaço

Para Bernadete, que ingressou na UPF em 1992 – já são 26 anos na instituição –, as mulheres sempre estiveram presentes no cenário da educação brasileira. Na UPF, por exemplo, as professoras somam mais de 40% do quadro. “Em momentos da campanha eleitoral ouvíamos depoimentos que expressavam ‘incômodos’ com a possibilidade da UPF ter uma reitora, buscando desqualificar características e trajetórias (inclusive de gestão). Penso que precisamos superar pré-conceitos que reforçam uma cultura dominante de um perfil masculino para os cargos da alta gestão. Acredito que promover a igualdade de gênero no lugar do trabalho é uma questão justa e inteligente, aproveitando as competências e talentos de cada um/uma. Creio que isso será muito importante para que outras mulheres possam ocupar espaços de gestão, trazendo para esse campo características também importantes, que são próprias ou mais aguçadas no gênero feminino”, frisa a reitora.

 

Os desafios e os próximos passos

O caminho que levou Bernadete à reitoria vem de longa data, com o seu envolvimento na universidade, e culminou para o processo de construção coletiva a partir de agora, que ela acredita que será cheio de desafios, mas está animada para enfrentá-los. “A UPF, assim como grande parte das instituições comunitárias, também precisa conviver e dialogar com um contexto de profundas transformações no campo da educação superior. Teremos desafios em busca da sustentabilidade econômica, a necessidade de qualificar o ensino de graduação e a governança, bem como consolidar os recentes e reconhecidos avanços na extensão, na integração com a comunidade, na pesquisa e na pós-graduação”, projeta a caiçarense.

Quanto aos projetos na vida profissional, Bernadete quer, junto com os colegas eleitos, atender a todas as necessidades da UPF e seu quadro de discentes. “Trabalharei para o crescimento em todos os sentidos”, conta a reitora, acrescentando que embora a vida seja corrida, ela também quer continuar se dedicando ao que sempre lhe fez bem: a família, o trabalho, as relações sociais e afetivas. “Não posso deixar de mencionar o apoio que sempre tive da minha maravilhosa família, que sempre foi parceira e apoiadora, desde os meus pais, irmãos, meu marido e filhos. Sou grata a cada um deles”, finaliza a reitora.       

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