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Produto promete melhorar o desempenho do motor, mas custo-benefício dependerá de quanto será o preço final nas bombas

Publicado em 03/08/2020, última alteração em: 03/08/2020 19:01.

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11 - Razia

A partir desta segunda-feira, 3, os postos de combustíveis de todo o país deverão começar a receber um novo tipo de gasolina. Considerada de melhor qualidade, a promessa é que o produto possua uma massa específica mínima e um valor mínimo de octanagem (RON) maior. O valor mínimo de RON será de 92, índice superior ao que é permitido pela legislação atual.

A mudança na taxa de octanagem foi definida pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em janeiro deste ano. A primeira etapa entra em vigor nesta segunda-feira, 3, e a segunda fase em janeiro de 2022, quando o número mínimo de RON presente na gasolina passará a ser de 93. Na Europa, o RON mínimo exigido é de 95.

A cobrança pela melhora da qualidade da gasolina partiu, principalmente, das montadoras, já que com essa elevação da taxa de octanagem, será possível às empresas utilizar motores mais potentes. A melhora na qualidade só não ocorreu antes, porque os parques de refino da Petrobras – que controla a maioria das refinarias do país – não estavam preparados para o refino desse tipo de gasolina. Mas, após pouco mais de um semestre, a estatal anunciou que todos os parques estão com capacidade para produzi-la.

 

Vantagens do novo tipo da gasolina

Conforme anunciado pela Petrobras, o novo tipo de gasolina permitirá uma redução de consumo entre 4% a 6% por quilômetro rodado. A estatal ainda especifica que a taxa de octanagem maior melhora o desempenho do motor, a dirigibilidade e o tempo de resposta na partida a frio, além de manter o aquecimento adequado do motor.

Além disso, com aumento da octanagem e da densidade nesta nova versão da gasolina, os veículos irão desenvolver um melhor desempenho. É o que explica o proprietário da Mecânica HP, da cidade de Seberi, Edson Diones Hirt, ao relatar que, possivelmente, os carros irão apresentar menos problemas relacionados à perda de potência, contaminação do óleo, carbonização e depósito de resíduos com a nova gasolina. Isso ocorre, segundo ele, porque com uma densidade maior, a gasolina terá menos chances de ser adulterada, e será mais “pura”. Em relação à octanagem, quanto maior a porcentagem, mais resistência o combustível terá em relação à pressão que sofre dentro da câmara de combustão do motor.

Para entender melhor, Hirt explica que o motor à combustão funciona em etapas, sendo elas admissão, compressão, explosão e exaustão. É na terceira etapa que a qualidade da gasolina é revelada. Hirt detalha, ainda, que no momento da explosão é gerado muito calor e pressão, e quanto menor for a octanagem, mais a gasolina irá acumular, sobrando resíduos e fazendo com que a detonação ocorra no momento errado, ocasionando graves danos para o motor do veículo.

– A maioria dos carros sofre essa explosão no momento da ignição. Mas, quando ocorre uma detonação irregular, a durabilidade do motor cai muito. Se um carro roda 350 mil quilômetros, ele fará 300 mil com um combustível inferior – aponta o profissional.

 

Nova gasolina será mais cara

Assim como era esperado, a nova gasolina está chegando com aumento de preço. Conforme a Petrobras, a expectativa é de uma elevação no valor, de R$ 0,05 a R$ 0,09 por litro, em média. No entanto, conforme o gerente de um posto de combustíveis de Frederico Westphalen, Gustavo Garcia, essa expectativa da estatal não considera toda a cadeia de combustíveis. Desta forma, o consumidor final pode esperar um aumento maior nas bombas.

– Quando a Petrobras anuncia aumentos ou reduções no preço do produto nas refinarias, é preciso considerar que a refinaria é uma parte de toda a cadeia dos combustíveis e que é a parte em que o valor é o mais baixo. Isso significa que o impacto no preço, tendo como base o combustível comercializado pelas refinarias, é bem diferente do valor final para o consumidor. Isso ocorre porque na cadeia dos combustíveis, depois da refinaria ainda existem as distribuidoras (que somente elas têm um preço quase o dobro do valor das refinarias), o frete do transporte, descarregamento, e aí sim os postos para o consumidor final – explica o gerente.

Garcia reconhece que a qualidade da nova gasolina é melhor, mas para valer a pena ao consumidor final é preciso que a elevação do preço não seja muito alta. “Temos que aguardar para ver o preço dos primeiros litros do novo combustível. A partir disso, saberemos se o custo-benefício vai compensar, porque um aumento muito elevado no valor pode encobrir as vantagens que esse novo combustível terá – expõe.

 

Matéria produzida por: Adriano Dal Chiavon ([email protected]) e  Maria Eduarda Fortes ([email protected]).

 

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