UFSM/FW reúne imprensa, Justiça Eleitoral e estudantes para debater desinformação
Encontro em Frederico Westphalen abordou Inteligência Artificial, segurança das urnas eletrônicas e o papel da comunicação no acesso dos eleitores a informações confiáveis
Resumo
- Desinformação eleitoral: UFSM/FW promoveu debate sobre conteúdos falsos e os desafios para as Eleições 2026.
- Inteligência Artificial: Especialistas alertaram para o uso crescente da tecnologia na produção e disseminação de desinformação.
- Segurança das urnas: Justiça Eleitoral explicou o funcionamento dos equipamentos e destacou que eles não possuem conexão com a internet.
- Papel da imprensa: Encontro reforçou a importância do jornalismo e do letramento midiático no acesso da população a informações confiáveis.
Os desafios impostos pela desinformação ao processo eleitoral e o avanço do uso da Inteligência Artificial estiveram no centro das discussões promovidas pela UFSM/FW. O evento “Pauta Eleitoral: enfrentando a desinformação nas Eleições 2026” reuniu representantes da Justiça Eleitoral, da imprensa, professores e estudantes na noite de quinta-feira, 13, no Plenário da Câmara de Vereadores.
A atividade integrou as comemorações pelos 20 anos do curso de Jornalismo da UFSM/FW e foi promovida por meio do projeto de extensão “Rádios Comunitárias em Pauta”. A proposta foi ampliar o diálogo sobre a circulação de conteúdos falsos durante o período eleitoral, as mudanças provocadas pelas novas tecnologias e a responsabilidade dos profissionais da comunicação na divulgação de informações verificadas.
Participaram da mesa-redonda o juiz eleitoral da 94ª Zona Eleitoral de Frederico Westphalen, Marco Aurélio Antunes dos Santos; o chefe do Cartório da 94ª Zona Eleitoral, Tiago Pereira; e o primeiro-secretário executivo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJorRS), Mateus Campos de Azevedo. A mediação foi realizada pela professora Dra. Mirian Quadros, do curso de Jornalismo.
Também acompanharam a programação o coordenador do curso de Jornalismo da UFSM/FW, Dr. Rafael Foletto; a chefe do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM/FW, Dra. Marcia Boabaid; e a Dra. Fabiana da Costa Pereira, professora do curso de Relações Públicas do campus da UFSM/FW.
Universidade aproxima estudantes, imprensa e Justiça Eleitoral
Coordenado pelas professoras Mirian Quadros, Fabiana Pereira e Tatiane Figueiredo, o projeto “Rádios Comunitárias em Pauta” desenvolve atividades com emissoras comunitárias da região. Segundo Mirian, a realização do encontro surgiu justamente das discussões propostas pelo projeto para o ano eleitoral.
“Dentro do projeto de extensão Rádios Comunitárias em Pauta, que desenvolvemos no campus da UFSM de Frederico Westphalen, trabalhamos com algumas rádios comunitárias da região. Neste ano eleitoral, propusemos às rádios discutir o tema da desinformação”, explicou.
A professora destacou que a programação buscou reunir diferentes agentes envolvidos no processo de produção, divulgação e acesso às informações durante as eleições.
“Pensamos neste evento como um momento de integração da universidade com a comunidade e com os representantes da imprensa, que desempenham um papel fundamental durante o processo eleitoral, em diálogo com os nossos estudantes e com a Justiça Eleitoral. A desinformação nas eleições de 2026 é um dos temas mais relevantes que estamos discutindo neste momento e um dos grandes desafios do processo eleitoral neste ano”, afirmou.
Para Mirian, a aproximação ainda amplia a formação dos futuros profissionais da área. “É um espaço para discutir com todos esses entes envolvidos e, é claro, proporcionar aos nossos estudantes essa experiência de formação, de consciência e de postura crítica diante desse momento que vivemos”, acrescentou.
Inteligência Artificial amplia desafios para as Eleições 2026
O avanço da Inteligência Artificial ganhou atenção especial durante o encontro. Embora a circulação de informações falsas já faça parte das preocupações de eleições anteriores, a possibilidade de produzir conteúdos manipulados com ferramentas cada vez mais acessíveis adiciona novos desafios à identificação do que é verdadeiro.
O juiz eleitoral Marco Aurélio Antunes dos Santos ressaltou que a discussão ganha relevância diante da perspectiva de utilização dessas tecnologias em maior escala durante o pleito deste ano.
“Já se fala muito sobre a desinformação, mas essa é a primeira eleição em que vamos ter efetivamente o uso da Inteligência Artificial em larga escala. Precisamos debater e conhecer as limitações, o que é permitido e o que não é permitido”, destacou.
Na avaliação do magistrado, compreender a legislação e os limites para a utilização dessas ferramentas é particularmente importante para estudantes que futuramente atuarão diretamente na produção de informações.
“A Justiça Eleitoral entende ser fundamental que os nossos alunos, futuros jornalistas e futuros profissionais da comunicação, já estejam preocupados e conhecendo um pouco dessa legislação. Precisamos do jornalismo e da comunicação para que a população seja informada e tenha ciência daquilo que é possível, do que não é possível, do que é verdadeiro e do que é desinformação”, afirmou.
Nesse cenário, o debate apontou ainda para a necessidade de ampliar o letramento midiático, permitindo que os cidadãos desenvolvam maior capacidade de avaliar a origem, o contexto e a confiabilidade dos conteúdos que recebem, especialmente pelas plataformas digitais.
Segurança das urnas
Entre os exemplos abordados durante a programação esteve um tema que, conforme os participantes, reaparece em diferentes períodos eleitorais, relacionado à segurança do sistema eletrônico de votação.
O juiz Marco Aurélio chamou a atenção para questionamentos sobre a confiabilidade das urnas e observou que as acusações de fraude costumam surgir associadas aos resultados desfavoráveis.
“Quem ganha nunca questiona que houve fraude. Mas, se perder, aí é fraude”.
Durante as explicações sobre o funcionamento do sistema, o chefe do Cartório Eleitoral, Tiago Pereira, informou que as urnas utilizadas na 94ª Zona Eleitoral são de 2022. Para as Eleições 2026, a região contará com 178 seções eleitorais e 220 urnas.
Ele ainda explicou que o equipamento não funciona como um computador convencional e não possui conexão com a internet. Segundo ele, a urna é um dispositivo eletrônico que utiliza mecanismos de criptografia. Os dados são transmitidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) somente após o encerramento da votação e a impressão do boletim de urna, documento ao qual os partidos políticos têm acesso.
A discussão sobre o funcionamento dos equipamentos buscou demonstrar a importância de informações técnicas e verificáveis para enfrentar conteúdos falsos que circulam sobre o processo de votação.
Imprensa regional é apontada como aliada contra conteúdos falsos
O papel dos veículos de comunicação ganhou destaque ao longo da conversa. Marco Aurélio afirmou que a Justiça Eleitoral recorre aos meios de comunicação para ampliar o alcance de informações corretas e combater conteúdos enganosos.
Na região, segundo o juiz eleitoral, rádios e jornais regionais exercem uma função importante nesse trabalho devido à credibilidade construída junto às comunidades. A aproximação entre Justiça Eleitoral e imprensa, nesse sentido, permite que esclarecimentos sobre regras, procedimentos e funcionamento das eleições cheguem ao eleitorado por fontes reconhecidas localmente.
O debate reforçou que a responsabilidade jornalística se torna ainda mais relevante em um cenário de circulação acelerada de conteúdos pelas redes sociais e de utilização crescente de recursos tecnológicos capazes de produzir textos, áudios, imagens e vídeos manipulados.
Sindicato defende aproximação com universidades
A presença do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul também reforçou a discussão sobre formação e atuação profissional. Mateus Campos de Azevedo destacou a importância da participação da entidade em atividades acadêmicas, especialmente no ano em que o curso de Jornalismo da UFSM/FW completa duas décadas.
– É muito importante o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul estar inserido em atividades como essa, que comemora os 20 anos do curso de Jornalismo no campus de Frederico Westphalen, porque entendemos que os alunos são o futuro da profissão e também o futuro da luta da categoria por melhores condições salariais e laborais – afirmou.
Azevedo ressaltou que a entidade busca fortalecer o contato com instituições de ensino e ampliar sua presença fora dos grandes centros.
“É necessário aproximarmos cada vez mais o Sindicato dos Jornalistas das universidades, em contato com docentes e discentes. O sindicato tem feito um esforço muito grande para estar no interior, conversar com a categoria e também com os alunos”, disse.
Para o primeiro-secretário executivo da entidade, encontros como o realizado em Frederico Westphalen contribuem para aproximar a representação profissional dos futuros jornalistas.
“Valorizamos muito momentos como este e estamos sempre à disposição para, quando acionados, estarmos presentes, contribuindo naquilo que nos cabe para a formação profissional”, concluiu.
Fonte: Jornal O Alto Uruguai