Edição Digital Quarta, 22/07/2026 Ler agora
4314 - Quarta
Pesquisa

UFSM e IFFar/FW estudam uso de dejetos de coelhos como fertilizante sustentável

Iniciativa integra economia circular e inovação tecnológica para reduzir custos na agricultura familiar e valorizar a produção de hortaliças e plantas aromáticas

(Crédito: Ana Carolina Kohlrausch Klinger)
(Crédito: Ana Carolina Kohlrausch Klinger)
Resumo
  • Pesquisa da UFSM/FW e IFFar/FW avalia dejetos de coelhos como fertilizante orgânico sustentável para agricultura familiar.
  • Estudo busca substituir o uso empírico por dosagens técnicas que melhorem o crescimento das plantas e reduzam custos.
  • Resultados apontam boa viabilidade do adubo em culturas como alface, couve e lavanda, com potencial para substituir substratos comerciais.
  • Projeto também desenvolveu sistema de coleta seca dos dejetos, economizando água e fortalecendo práticas de agricultura circular.

Uma pesquisa da UFSM/FW e do IFFar/FW estuda o potencial dos dejetos de coelhos como uma fonte de adubação orgânica sustentável. O projeto, que está no seu terceiro ano de execução com apoio do Fundo de Incentivo à Pesquisa (FIPE), preenche uma lacuna na literatura científica. Embora o uso desses resíduos seja uma prática antiga e comum entre produtores, a aplicação ocorre de forma empírica, sem critérios sobre a quantidade exata necessária para cada cultura.

Coordenado pela professora Ana Carolina Kohlrausch Klinger, docente do Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais da UFSM/FW, o projeto visa suprir a carência de dados técnicos na literatura sobre a nutrição vegetal com resíduos da cunicultura. O objetivo central é oferecer aos agricultores familiares uma base científica que substitua o método de "tentativa e erro" por dosagens precisas que maximizem o crescimento das plantas. Segundo a docente, "o projeto surge de uma demanda real para reduzir custos dentro de sistemas familiares de produção e dar suporte técnico a um tema pouco explorado pela academia", explica.

Resultados práticos e limites nutricionais

Os testes já apresentam resultados significativos sobre a viabilidade de cada tratamento. No caso da alface, os pesquisadores identificaram que o tratamento com maior viabilidade situa-se no nível de 50 a 75% de dejetos de coelho, nível muito parecido com o da cultura da couve. Por outro lado, os ensaios com lavanda, ainda em andamento, estimam que a substituição total do substrato comercial pelo dejeto de coelho não gera diferenças negativas no desenvolvimento, o que representa uma economia direta para o produtor.

A qualidade do adubo também depende da dieta dos animais. No Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em Produção (LEPEP) de cunicultura do IFFar, os coelhos recebem uma alimentação balanceada composta por ração comercial e volumosos, como capim-elefante, rami, aveia e subprodutos da alimentação humana, incluindo ramas de beterraba e cenoura. Esta integração reforça o conceito de agricultura circular, onde resíduos vegetais alimentam os animais e os dejetos destes retornam ao solo para nutrir novas culturas.

Inovação em manejo e preservação de recursos hídricos

Uma mudança estrutural nas instalações do IFFar revolucionou o recolhimento do material orgânico. A substituição das antigas canaletas por valas coletoras secas eliminou a necessidade de lavagem diária com mangueiras. Esta tecnologia simples preserva a água e garante que o dejeto permaneça seco e rico em nutrientes, facilitando o transporte e a aplicação pelo agricultor.

– Para que um produtor se aproprie de uma tecnologia, precisamos reduzir o número de operações. O sistema de valas permite que o adubo fique seco e pronto para o uso, exigindo menos esforço físico e maior eficiência – destaca a coordenadora. A simplicidade desta solução tecnológica é um dos pontos de destaque em apresentações internacionais realizadas pela equipe em eventos.

Impacto social e valorização no mercado

Desenvolvido a partir de uma das linhas de pesquisa do grupo “Temas Emergentes em Zootecnia”, o projeto integra estudantes dos cursos de Agronomia da UFSM/FW, Medicina Veterinária e Técnico em Agropecuária do IFFar/FW. A iniciativa promove a aproximação entre formação acadêmica e prática de campo, preparando os futuros profissionais para difundir métodos de produção ambientalmente corretos e socialmente justos.

Além dos impactos ambientais positivos, a utilização de adubação 100% orgânica reduz custos com insumos químicos e agrega valor comercial ao produto final, ampliando oportunidades de geração de renda para a agricultura familiar. O cronograma prevê a continuidade dos ensaios experimentais e a publicação de novos artigos científicos até janeiro de 2027, fortalecendo uma base de dados voltada à transformação de resíduos em alternativas produtivas sustentáveis.

Participam do projeto, os estudantes Amanda Harnau Schuh, Léo Gustavo Erpen, Isabela Pozer, Germano Silvestre, João Vitor Agostini e Rhaysa Lima, além do técnico Marcelo Seibert, do pós-graduando Bruno Callai da Silva e das professoras Hilda Hildebrand e Denise Schmidt.

Fonte: Jornal O Alto Uruguai, com informações da UFSM-FW