Edição Digital Sábado, 18/07/2026 Ler agora
4311 - Sábado
Educação

Sindicatos rejeitam proposta do governo e greve continua

Paralisação no campus do IFFar-FW já dura quase dois meses, mas a UFSM-FW mantém calendário acadêmico

Sindicatos rejeitam proposta do governo e greve continua

A greve dos professores e servidores federais já dura aproximadamente 50 dias e terá seguimento após nova tentativa de negociação sem sucesso, pois na última segunda-feira, 27 de maio, o Ministério de Gestão e Inovação (MIG) se reuniu com os sindicatos em uma tentativa de acordo. O governo federal propôs aumento salarial de 9% em 2025 e 3,5% em 2026, mantendo 2024 sem reajuste salarial. A proposta foi aceita apenas pela Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes). Os outros dois sindicatos, Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), que representam os professores sindicalizados da UFSM-FW e IFFar-FW, rejeitaram a proposta. 

O Andes apresentou uma contraproposta reivindicando um ajuste salarial de 3,69% em agosto de 2024, 9% em janeiro de 2025 e 5,16% em maio de 2026. Além disso, o sindicato pediu a criação de mesas de negociação para discussão de carreira e orçamento, sendo uma forma de reivindicar a recomposição orçamentária para as Instituições Federais de Educação (IFEs) no patamar mínimo de R$ 2,5 bilhões, em 2024. A próxima reunião entre os sindicatos e o MIG está marcada esta segunda-feira, 3. Manifestações também estão programadas para a data.

Porém, na última quarta-feira, 29, a Justiça Federal de Sergipe suspendeu o acordo firmado entre o governo federal e o Proifes. A suspensão ocorreu devido à ação protocolada por uma seção sindical do Andes de Sergipe. O sindicato alega que a Federação não teria legitimidade para representar a categoria.

Ascisio dos Reis Pereira, presidente da Seção Sindical de Docentes da UFSM (SEDUFSM), relatou o descontentamento do sindicato sobre o resultado da reunião da última segunda-feira, 27, destacando a rejeição de reajuste para este ano. Pereira esclareceu que as enchentes que atingiram o Estado, interferiram no andamento do movimento grevista, que passou a participar de ações solidarias em prol das pessoas atingidas pelas fortes chuvas. 

O presidente da SEDUFSM destaca que as reinvindicações da greve para a UFSM são necessárias para a manutenção e aprimoramento das infraestruturas de todos os campuses da universidade e o aumento na qualidade de ensino e pesquisa. Além disso, a recomposição orçamentária auxiliaria as políticas de assistência estudantil na diminuição de evasão de alunos da instituição. Pereira cita o campus de Frederico Westphalen como um dos campi que mais sofre com a evasão de estudantes.  

A situação em FW 

Em Frederico Westphalen, a UFSM-FW e o IFFar-FW são as instituições que estão com professores e servidores federais paralisados. Porém, a situação é diferente entre as universidades, pois a UFSM não suspendeu o calendário acadêmico na sede e nos campi de Cachoeira do Sul, Palmeiras das Missões e FW, e essa decisão permitiu que cada professor decidisse em aderir ou não aderir à greve, com a manutenção das aulas em várias disciplinas dos cursos. No IFFar-FW, com adesão da greve pelos professores junto com a Sinasefe, o instituto resolveu suspender o calendário acadêmico, paralisando as aulas dos cursos de graduação, técnicos e cursos técnicos integrados ao ensino médio. 

Felipe Miguel Kosooski, estudante do 3º ano do curso técnico em Informática integrado ao ensino, avalia que a greve é um direito dos professores que lutam pelo reajuste salarial e reestruturação de carreira. Kosooski também se preocupa sobre a continuidade dos estudos neste ano, no qual ele vai realizar a prova do Enem. “A greve dos professores é um reflexo das dificuldades enfrentadas pelo sistema educacional”, ressalta o estudante.

O Comando Local de Greve do IFFar-FW divulgou, na última quarta-feira, 29, uma carta aos alunos da instituição. A carta explica ao aluno a importância da greve e os motivos para a paralisação devido aos cortes orçamentários, a falta do reajuste salarial dos servidores e a priorização da educação do governo. A carta finaliza com o seguinte trecho: “Este movimento persiste porque, ainda que tenhamos perdas temporárias, que afetam a todos (as), não desistirmos de acreditar que a educação é o meio fundamental para construção de melhores oportunidades de vida para todos os (as) nossos (as) estudantes”, cita.

Movimento grevista 

Professores e servidores fizeram diversas atividades dentro do movimento grevista. No mês de abril, professores e servidores do IFFar-FW participaram de uma ação de doação de sangue pelo Hemocentro Regional de Passo Fundo (Hemopasso) em Frederico Westphalen.

Segundo uma professora da UFSM-FW, devido à situação das enchentes no RS, a greve acabou tomando um novo rumo, com as ações dos grevistas focadas em atividades solidárias. No campus da UFSM-FW, os professores auxiliaram nas atividades organizadas pela prefeitura e em campanhas de arrecadação. “Porém, nem por isso deixamos de lado as reivindicações que estamos fazendo ao governo, representados pelos sindicatos”, ressalta a docente.  

Fonte: Jornal O Alto Uruguai